Por que as mulheres estão deixando a indústria de publicidade?

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Por que as mulheres estão deixando a indústria de publicidade?

Pesquisa da She Runs It, feita nos EUA, indica um percentual maior de profissionais deixando as agências, empresas de mídia e de tecnologia


3 de dezembro de 2021 - 16h23

Pela primeira vez em quatro anos, as mulheres estão respondendo por menos da metade do quadro de funcionários das agências e também nas áreas de mídia e tecnologia nos Estados Unidos, segundo um estudo divulgado pela organização She Runs It.

Representação da mulheres nessas indústria caiu 10% em um ano (Crédito: Undrey/ iStock)

A quarta edição do #Incluse100report constatou que as mulheres representavam 46,4% dos trabalhadores dessas indústrias, 10% abaixo do resultado do ano passado.

Além disso, a queda da participação feminina nas indústrias de publicidade, mídia e tecnologia foi desproporcional, comparada a outras indústrias no chamado Diversity Best Practice Index, que é emitido pela She Runs It em conjunto com a empresa de consultoria Seramount. As empresas incluídas no índice que não pertencem aos setores de agências, mídia ou tecnologia mostram uma divisão de 50/50 entre homens e mulheres no quadro de funcionários.

“Parece que nosso setor sofreu um impacto bastante dramático no decorrer do ano passado”, disse Lynn Branigan, presidente e CEO da She Runs It.

A McKinsey e a Oxford Economics estimam que as mulheres representem quase 56% do total de saídas da força de trabalho desde o início da pandemia, apesar de corresponderem a 48% do total de colaboradores.

“Este ano, tudo o que aconteceu em nossa indústria, além da pandemia e divisões raciais, fez as pessoas repensarem quais são as prioridades e, provavelmente, é um momento em que as empresas e as pessoas estão reavaliando o que é importante”, diz ela.

Kat Gordon, fundadora e CEO do The 3% Movement, diz que a pandemia trouxe à tona muitas questões que desafiam as mulheres há décadas, especialmente relacionadas ao cuidado com as crianças. “Embora seja desanimador ver tantas mulheres lutando sem o apoio adequado, ter todos os membros de uma equipe literalmente vendo a luta (via Zoom) é um alerta necessário”, diz ela.

Gordon diz que um diálogo constante com funcionários que são pais de crianças ajudará todos os empregadores a “aprender as necessidades mais urgentes que seus funcionários enfrentam.”

Embora o número de mulheres nessas indústrias tenha diminuído, houve um aumento na quantidade de mulheres  promovidas a cargos executivos e gerentes seniores corporativos no último ano. As mulheres passaram a ocupar 33% dos cargos executivos corporativos e 43% dos cargos de gestão sênior, um aumento significativo em relação a 2019, quando apenas 29% dos cargos corporativos e executivos nas agência, empresas de tecnologia e de mídia eram ocupados por mulheres. Na força do trabalho geral, as mulheres ocupavam, 33% dos cargos executivos corporativos e 38% dos cargos de gerência sênior, concluiu o relatório.

O #Incluse100report também mostra as iniciativas de diversidade e como as empresas participantes estão trabalhando para melhorar os números nesta categoria com novas técnicas e abordagens. “As ações dos gerentes devem ser intencionais”, disse Branigan.

Das 50 empresas da áreas de mídia, agências e tecnologia que participaram da pesquisa neste ano, 55% (ante 50% no ano passado) disseram que estão direcionando intencionalmente programas com organizações de diversidade, em comparação com 99% na média de todas as indústrias, de acordo com o relatório. E enquanto 64% das empresas da indústria de publicidade dizem que estão tornando a diversidade uma exigências nas listas de entrevistas (contra 50% no ano passado), 81% das empresas, em geral, declararam que já o fazem.

O número de contratações de negros, indígenas e pessoas de outras etnias aumentou, mas em um ritmo mais lento do que no ano anterior. O número de funcionários negros cresceu 5% no setor, ante 13% no ano anterior. O número de funcionários latinos teve um aumento de 4% (menor que o crescimento de 13,1% do ano anterior). Os funcionários asiáticos-americanos e das ilhas do Pacífico tiveram um aumento nas contratações de 23,7%, em comparação com 19,9% no ano anterior.

“A representação de pessoas de diferentes etnias está aumentando, mas não rápido o suficiente como seria esperado para pessoas negras e latinas, especialmente considerando todas as conversas sobre esse assunto no ano passado”, diz Branigan. “Especialistas no assunto disseram ‘Demoramos 40 anos para chegar aqui, não vai demorar um ano para sairmos disso. Foram anos dessa construção.’”

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