Scott Galloway: “Um termo melhor que Web3 seria Web2.0001”

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Scott Galloway: “Um termo melhor que Web3 seria Web2.0001”

Considerado o guru das previsões, o professor da NYU acredita que mudanças da Web3 não serão totalmente disruptivas e que mundo não caminha para a descentralização

Giovana Oréfice
11 de maio de 2022 - 6h01

Um novo conceito no dicionário da tecnologia surge para dar nome à nova era da Internet. Sustentada sobre os pilares da tecnologia de blockchain, NFTs e descentralização das big techs, há quem acredite que a revolução prometida pela Web3 como a sociedade espera está longe de acontecer.

Scott Galloway, professor da New York University (NYU), apresentador e autor, aponta para caminhos controversos. Segundo ele, a Web3 caminha para direções inovadoras em teoria, mas pouco promissora em termos práticos e, acima de tudo, mais democráticos. Com diretrizes baseadas na descentralização do poder das mãos das big techs, o novo capítulo tecnológico parece estar longe de ser escrito.

 

Scott Galloway falou ao Meio & Mensagem durante vinda ao Brasil para o VtexDay (Crédito: Arthur Nobre)

Ao Meio & Mensagem, o “guru das previsões” explica o desdobramento de suas crenças e desenha os próximos passos das jornadas tecnológicas no mundo:

Meio & Mensagem – À CNN você afirmou que a “Web3 é apenas uma palavra tecnológica sem sentido da moda”. O que você quer dizer com isso?
Scott Galloway – A Web3 é, basicamente, criptomoedas, tokens e NFTs. A grande promessa, ou o que ela deveria significar, além de apenas inovação tecnológica, é a descentralização que daria poder para pessoas distantes das plataformas. Acho isso um equívoco de marketing. Se olharmos para os maiores players da Web3 e dos maiores ativos do ecossistema, ainda há a mesma concentração de poder num pequeno grupo de pessoas que existe na Web2. Há inovação? Sim. É emocionante e há uma oportunidade? Certo. Poderia ser ótimo para a sociedade? Absolutamente. Mas, e essa incrível descentralização do poder para as pessoas? Não mais do que a Web2. Então, um termo melhor que Web3 seria Web2.0001. É maravilhoso, mas é só mais do mesmo

M&M – Por que você acredita que o metaverso de Zuckerberg está fadado ao fracasso? Quais são os principais erros ao tentar popularizar a tecnologia?
Galloway – O metaverso é uma experiência imersiva tridimensional na web. Videogames, Twitter, Fortnite, World of Warcraft são metaversos, e todos os aplicativos lançados, tecnicamente, também são. O ponto é: a visão da Meta sobre o metaverso funcionará? Diria que eles já estão atrás de empresas de videogame, como a Epic. Não penso que as pessoas confiam no Mark Zuckerberg para inseri-las num universo em que se sentiriam seguros. Além disso, o portal pelo qual você acessa o metaverso é o celular ou, às vezes, headsets ou uma TV. Com a Meta, isso acontece com o Oculus, que já está provando ser uma das maiores falhas de hardwares de tecnologia dos últimos 10 anos. Eles venderam cerca de cinco milhões de unidades no quarto trimestre. Apenas como exemplo, foram vendidos 70 milhões de pares de Crocs no ano passado. Serão vendidos 115 milhões de pares de AirPods. O metaverso será mais sobre áudio do que visual. Na verdade, a empresa que está melhor posicionada são as de videogame e, sem dúvida, a Apple, que já tem os AirPods.

M&M – Você acredita que, no futuro, poderemos viver sem o monopólio das big techs? Como isso será possível?
Galloway – Já estamos começando a ver o mercado mudando. A NVIDIA tem uma capitalização de mercado maior que a Meta, que está tendo problemas para diversificar sua receita com base em publicidade. A mudança de privacidade e rastreamento da Apple diminuiu substancialmente seu crescimento e eles não foram capazes de substituir esse crescimento. Diria que ainda há grandes problemas e abuso de monopólio do Google e da Amazon, e possivelmente da Apple, que vale quatro vezes e meia a mais que cada empresa da B3. Há uma concentração de poder tão incrível, que é muito difícil para as pequenas empresas competirem. Os mesmos problemas ainda existirão

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