O inevitável caminho para a transição digital

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O inevitável caminho para a transição digital

Os líderes das empresas – de gestão à redação, passando por comercial e mercado – estão acostumados à velha estratégia. Mesmo com a vaca leiteira bem magrinha, quase seca


19 de junho de 2018 - 10h15

(Crédito: Vojtech Okenka/Pexels)

Quem assiste à queda abrupta das receitas de um meio de comunicação tradicional e segue acreditando que o milagre da recuperação vai acontecer, sem que uma ação drástica seja tomada, merece ser afastado – para sempre – do mercado. Não é possível quem em 2018 alguém ainda tenha dúvidas de que a saída para os meios de comunicação passa por redução de custos sem afetar o produto, abertura de novas fontes de receita, digitalização extrema, estratégia multiplataforma e reestruturação/flexibilização nas relações com os clientes: audiência e anunciantes.

Parece fácil, mas não é. Os líderes das empresas – de gestão à redação, passando por comercial e mercado – estão acostumados à velha estratégia. E demoram a aceitar que o mundo mudou. Mesmo com a vaca leiteira bem magrinha, quase seca. O curioso agora é que o quadro já chegou ao interior, às pequenas comunidades. E as mudanças passam a ser urgentes para todos, independentemente do tamanho da operação.

Há poucos dias o Reuters Institute lançou um estudo muito consistente, feito a partir de entrevistas com 48 meios locais de Reino Unido, Alemanha, França e Finlândia. Os resultados são surpreendentes: o mais importante é que ninguém está parado, esperando a chegada do Messias Salvador. Algum brasileiro vai dizer que isso não serve, já que a pesquisa não foi feita no Brasil. A verdade é que a situação segue a mesma lógica, com a única diferença do “timing”: o problema europeu demora entre 2 e 5 anos para chegar ao Brasil. Mas chega, sem qualquer dúvida.

Para que esse “delay” trabalhe a favor das empresas nacionais, confira as principais conclusões:

–  As empresas locais e regionais investem pesado no futuro digital, implementando redações “digital first” e adaptadas às necessidades da audiência – em geral conectada por celulares em 80% dos casos;

– Se trabalha com diversas fontes de geração de receitas, incluindo Pay-Wall ou Assinaturas Digitais, bem como eventos, clube de audiência e comércio eletrônico;

– Apesar da competição com Google e Facebook (donos de 85% do mercado), os meios locais dependem das ferramentas desses dois gigantes para alcançar seu público. É preciso ser parceiro, não inimigo;

– O ritmo da transição varia de empresa a empresa, mas todos já começaram. E não há dúvidas que é preciso aproveitar as receitas tradicionais do papel – responsável por algo entre 80 e 90% da receita, por enquanto – até quando elas puderem sustentar a estrutura. Mas deve-se estar preparado para quando isso não for mais realidade;

Quem quiser ler o documento de 50 páginas (em inglês), escrito pelos pesquisadores Joy Jenkins e Ramsus Kleis, ele está disponível gratuito aqui.

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