Acendendo o fogo

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Acendendo o fogo

A criatividade, ao contrário do que muitos pensam, dá trabalho para ser fomentada


6 de novembro de 2019 - 19h33

(Crédito: xxmmxx/iStock)

Dentre os lugares comuns mais repetidos do momento está a palavra inovação. As empresas chegam ao absurdo (OK, respeito as opiniões diversas) de criarem departamentos dedicados ao fomento da inovação.

Sempre que penso na palavra inovação, me vem à cabeça a imagem daqueles dois homens da pré-história, agachados em frente a um montinho de lenha e batendo duas pedrinhas para tentar produzir uma faísca e, quem sabe, fogo. A faísca é a criatividade e o fogo é a inovação.

A criatividade, ao contrário do que muitos pensam, dá trabalho para ser fomentada. Por várias razões. Antes de mais nada, a criatividade é individual e proprietária. Uma ideia criativa, que poderia fomentar grandes inovações em sua empresa, pode permanecer escondida na mente de um colaborador inseguro ou pouco motivado em botá-la para fora. E, da mesma forma que o fogo, não basta acender a chama da inovação. A inovação precisa ser trabalhada e direcionada a um propósito, com o objetivo de produzir valor para o negócio.

Paradoxalmente, as empresas dão enorme valor à inovação, mas desprezam o estímulo à criatividade por não enxergarem a conexão entre fogo e faísca. A criatividade pode ser estimulada (de várias formas), enquanto a inovação precisa ser trabalhada e estruturada coletivamente. O gatilho da criatividade é a liberdade, onde pensar é livre pensar (Millor Fernandes).

A crítica e o cerceamento de ideias são naturais do ser humano. Todos nós estamos sempre prontos a mostrar os defeitos de uma ideia e contrapropor algo no lugar. Isso vai bloquear as faíscas criativas. Em nossa empresa, sempre que convidamos uma turma para um brainstorm, para qualquer finalidade, fazemos um warm up inicial que funciona muito bem. Inventa-se um desafio idiota qualquer do tipo “como fazer um bolo sem ovos e sem farinha”. Divide-se a turma em grupos de dois e, por três minutos, um deles dará ideias e o outro explicará por que ela é inviável. Depois, inverte-se a dupla, mas agora, em vez de dizer não, o parceiro tenta melhorar a ideia. No final do exercício, se pergunta o que acharam da experiência e aí começa o brainstorm para valer, que só tem duas regras:

– Todos têm que participar.

– Nenhuma ideia é ruim, nem deve ser rejeitada a princípio.

Qualquer que seja o desafio proposto, quando as guardas abaixam e os grupos trabalham colaborativamente, as ideias afloram e a criatividade borbulha. Só que é um processo parecido com o de se lançar uma rede ao mar, sem restrições. Na rede, virão peixões, peixinhos e muitos sapatos velhos. Faz parte do processo criativo e irrestrito. Nesse momento, temos um monte de ideias, algumas muito boas, outras nem tanto, algumas que se conectam e outras são isoladas. Aí, sim, entramos na seara da inovação.

Para produzir inovações de valor é preciso método. As ideias têm que ser triadas, classificadas e combinadas (por afinidade) para produzir inovação. Na empresa, inicialmente, separamos as ideias por três critérios:

– Aderência (ao desafio)

– Criatividade

– Viabilidade

E, nesse ponto, é preciso criar um pequeno algoritmo, dando notas de 1 a 5 nos três critérios, para depois escolher as ideias que façam mais sentido. Aí essas ideias serão combinadas, conforme os objetivos, para produzir a inovação pretendida. Esse processo tem nos atendido desde coisas simples como organizar a próxima festa de Natal até coisas complexas como bolar e executar uma campanha de comunicação integrada para um cliente da agência.

Explicando melhor, se o tema fosse a festa de Natal, teriam surgido ideias em várias categorias: comida, bar, diversão (música, concurso de dança, sorteio de presentes) e reconhecimentos. Em cada uma dessas categorias, elegemos um pequeno comitê, que tratará de “botar os patinhos em fila”, definindo orçamento, lista de tarefas e responsabilidades. E, se fosse uma grande campanha, iríamos pelo mesmo caminho, dividindo as responsabilidades entre o planejamento, a criação, o atendimento e os gerentes de projetos.

É simples, parece boboquinha, mas funciona. Experimentem!

**Crédito da imagem no topo: kmlmtz66/iStock

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