Comunicação interna se torna mais estratégica

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Comunicação interna se torna mais estratégica

Porque é a grande aliada do RH e do C-level para manter foco das equipes, orientar, acolher, prestar suporte e segurar as estruturas emocionais e a produtividade


22 de abril de 2020 - 11h28

(Crédito: Brovector/ iStock)

Chegou a Covid-19 e, com ela, num estalar de dedos, empresas de todos os tamanhos mudaram suas rotinas. A economia esfriou, a palavra crise é repetida em todas as conversas e, em boa parte dos casos, os colegas da sala ao lado, que se apoiavam em outros tempos, agora só se fazem presentes como um rostinho na videoconferência e olhe lá. Ainda há o risco de contrair a doença ou ter algum parente internado. Em cada casa, atrás de cada estação de trabalho improvisada, sobram angústia, ansiedade e fragilidade. Poucos falam desta nova e profunda crise que se instalou tão rápido quanto a Covid-19. Não a econômica, mas a de recursos humanos, da moral e ânimo do empregado, do estagiário ao gerente ou diretor. É uma crise silenciosa, que acontece de dentro para fora, e que também precisa ser combatida. O remédio? A comunicação interna aplicada no tom e no timing certos para cada organização.

Como todo mundo, estou atrás de uma bola de cristal que me diga quando esta epidemia vai passar e tudo voltará ao normal. Será que os padrões de comportamento, produção e consumo vão se repetir daqui para a frente? Ou todas as formas de trabalho terão que se reinventar? Enquanto não temos as respostas, devemos agir rápido e de forma eficaz para não deixar o vírus da melancolia contaminar mais o time. A comunicação interna se torna ainda mais estratégica do que já é. Não estamos falando do antigo jornalzinho da empresa ou do e-mail marketing repetitivo. A comunicação nos tempos da Covid-19 é a grande aliada do RH e do C-level para manter foco das equipes, orientar, acolher, prestar suporte, em resumo, segurar as estruturas emocionais e a produtividade.

Não é raro ouvir em pesquisas de clima que o que mais retém o trabalhador àquela empresa é o salário, o ambiente e o clima de trabalho. Não existe como metrificar isso nem medir o brilho nos olhos do funcionário quando ele está bem disposto e motivado. No isolamento, a insegurança e a baixa autoestima vêm com força. É o momento em que os funcionários sofrem profunda crise de confiança e de empregabilidade. Um conselho: chame a equipe de comunicação para o centro das decisões nesse momento. A comunicação frequente e consistente é um dos antídotos dessa crise. Leve a sério as dificuldades dos empregados e disponibilize seu tempo para mentoria. Abasteça-se de toda a paciência necessária. Dê voz às pessoas: elas estão precisando.

Como em outras crises, maiores ou menores, a transparência é fundamental. Sobressaltos, instabilidade e insegurança fazem o clima deteriorar-se rapidamente. Um fluxo de informações úteis, no tom e com a mensagem certa precisa circular. É uma questão e respeito com o seu funcionário que acaba lendo nas redes sociais ou na imprensa informações que a organização acredita que estavam sendo guardadas em segredo. Mas há também as oportunidades positivas, por que não?

A comunicação digital é uma aliada neste contexto. A Covid-19, afinal, chegou em uma época em que tudo se lê nas redes sociais. Se fosse nos anos 1980 ou 1990, como RHs e comunicadores poderiam levar informação útil aos funcionários que estão dispersos e isolados? Hoje, é muito diferente. O time de comunicação interna pode dar ainda mais ouvidos aos comentários postados e aproveitar os insights preciosos que o público interno dá em meio a um possível mar de reclamação. Vale a pena dar mais espaço e atenção para fóruns coletivos. Isso faz com que a voz do empregado seja ouvida, o que amplia o sentimento interno de confiança.

Essa crise não tem data para acabar. Mas aqueles que conseguirem se comunicar bem nesse período, sairão orgulhosos de ter atravessado a adversidade, com o dever de casa feito e algumas boas lições aprendidas.

*Crédito da foto no topo: Audioundwerbung/ iStock

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