O “novo normal” no varejo brasileiro pós-Covid-19

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O “novo normal” no varejo brasileiro pós-Covid-19

Mudanças incluem modelo de execução nas lojas, visibilidade total da cadeia de suprimentos, novos modelos de gestão e planejamento da mão de obra, e comunicação clara e justa


31 de julho de 2020 - 15h05

(Crédito: Milindri/ iStock)

As mudanças de comportamento do consumidor geradas pela pandemia do novo coronavírus vieram para alterar o modelo de negócios e acelerar uma profunda transformação no varejo brasileiro. Essas mudanças trazem tendências globais que vão modificar completamente a forma de operar dos varejistas no Brasil, configurando o chamado “novo normal”.

O modelo de execução nas lojas, a visibilidade total da cadeia de suprimentos e um novo perfil de demanda de produtos e categorias são algumas dessas alterações. Também incluem o desenvolvimento de novos modelos de gestão e planejamento da mão de obra, crescimento de fontes alternativas de abastecimento e cadeia de valor e, por último, uma comunicação clara e justa.

As lojas físicas e modelo de execução

Hoje, o consumidor brasileiro questiona se o produto nas gôndolas está limpo e não infectado ou se a necessidade de ele ir até a loja o coloca em risco – seja por causa de funcionários infectados ou, no caso dos supermercados, pelo contato com o carrinho de compras.

Essa nova realidade impõe uma transformação na operação das lojas. Ninguém estará disposto a comprar produtos manipulados, como carnes, pães e queijos. Frutas, legumes e vegetais terão que ser embalados. A abertura dos estabelecimentos deverá ser alternada para reduzir as aglomerações e facilitar a retirada de itens pedidos pelos canais digitais. Filas terão que ser reduzidas e consumidores vão valorizar ainda mais o self-checkout para não interagir com os caixas e empacotadores.

A cadeia de suprimentos sob um novo olhar

O “novo normal” será a visibilidade total de toda a movimentação dos produtos até eles chegarem ao destino. Varejistas terão que investir em tecnologia que monitore e identifique os riscos desses itens e sua capacidade de recolhimento de um lote com problemas. Consumidores vão exigir alertas quando eles forem devolvidos, retornarem aos estoques e substituídos por outros.

A procura por itens que venham de locais com alto índice de contaminação pela Covid-19 poderá reduzir de forma drástica. A comunicação das marcas deverá passar por ações de suporte às vítimas da pandemia e pelas doações dos últimos meses. Alguns produtos terão maior demanda, enquanto artigos de luxo e sofisticados deverão cair em função da perda de poder aquisitivo e de menor confiança dos consumidores. O “novo normal” será ficar e cozinhar mais em casa e comprar somente o essencial.

A nova força de trabalho

Planos de contingência devem ser criados para o negócio seguir funcionando na medida do possível. Muitas empresas migraram para o modelo home office, com reduções de jornadas, e a atuação dos vendedores agora é remota. Há trabalhadores em isolamento social pela doença ou por serem dos grupos de risco. Os varejistas têm que estar preparados para implementar modelos de flexibilização de local de trabalho, criar módulos de treinamento sobre rastreabilidade e procedência dos produtos, por exemplo.

Alternativas de abastecimento

Com o transporte aéreo reduzido e as fronteiras fechadas, o comércio global foi impactado de forma drástica. Os varejistas estão desenvolvendo fontes alternativas de abastecimento local de produtos importados, principalmente os de alta demanda. Outra consequência é o aumento de parcerias com empresas digitais especializadas em entrega para acelerar e facilitar a chegada dos produtos aos consumidores.

Comunicação clara e transparente

As empresas que forem transparentes sobre como estão atuando serão as grandes vencedoras nesta crise. A comunicação precisa ser clara e direta, focada no atendimento das necessidades dos consumidores e nas diretrizes definidas pelo poder público.

O propósito das marcas deverá incluir a preservação da saúde dos consumidores, colaboradores e fornecedores, com mais canais de atuação, uso de formatos digitais e servir como fonte de esclarecimento de mudanças na operação. As recentes lives sertanejas associadas a grandes marcas, por exemplo, resultaram em aumento nas vendas do e-commerce.

Pensar no futuro é importante. As empresas devem estruturar um plano rápido de retomada e de ações diárias para enfrentar o atual momento de incerteza. No varejo brasileiro, o “novo normal” já se faz muito presente.

**Crédito da imagem no topo: Nnuthawut Somsuk/istock

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