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O que me parece claro é que precisamos continuar aprendendo e desconstruindo modelos que já não funcionam


25 de agosto de 2020 - 14h22

(Crédito: Reprodução)

Hoje, talvez não exista palavra mais poderosa do que transformação. 2020 é sobre isso. No dia 19 de março, ocorria a segunda morte por Covid-19, em São Paulo. Eu e minha família decidimos nos movimentar para Garopaba, na eminência de um lockdown e com o desejo de ter algum refúgio na natureza. Eu começava uma iniciativa empreendedora sobre a qual já havia pensado muito, com foco em “fazer rápido e fazer junto”. Estava aprofundando a relação com minha sócia. E, para isso, até março, nossa rotina envolvia encontros em cafés para desenhar nosso projeto juntos. Mas março chegou e abriu uma nova fase.

Sabíamos que seria necessário algum ritual. Criamos uma playlist para trabalhar as manhãs juntos e ter a sensação de estar na mesma sala com algo que nos desse alguma conexão sensorial e permitisse alguma serendipidade na comunicação. Começamos a estudar casos relacionados a trabalho remoto, colaboração a distância e sprints digitais. Tudo em busca de aprender com acertos e principalmente erros já cometidos. Fomos descobrindo e formando um repertório interessante em torno da colaboração digital. Nos abrimos profundamente para aprender e testar. Até então, estávamos confiando bastante na experiência presencial para fazer aquilo que nos propúnhamos: fazer rápido e fazer junto. Nosso produto serve empreendedores e intraempreendedores. Através de uma metodologia, fazemos uma jornada de três semanas que leva a uma entrega que chamamos de Go To Market. E, a distância, percebemos que tínhamos muito o que transformar.

Encontramos um paper que nos deu acesso a muitos aprendizados sobre facilitação digital. Vimos que muito do que se perde no digital é a comunicação não verbal e que isso não pode ser exatamente substituído. É necessário ir além da adaptação e, de fato, redesenhar os modelos de colaboração com o pensamento digital first. Quando percebemos que o desafio não era adaptar, e sim transformar, nossa metodologia começou a se mostrar forte, efetiva e prazerosa. Estudamos o conceito de trabalho sincrônico e assincrônico, pesquisamos ferramentas, testamos algumas e adotamos as que nos ajudaram a trabalhar melhor e com prazer. Entendemos que o tempo de colaboração digital é diferente do tempo do trabalho presencial. E que a chave para fazer rápido e fazer junto é parte da colaboração ser sincrônica e parte ser assincrônica. E que a facilitação precisa de uma preparação muito diferente. Passamos a ver na colaboração visual o ponto central dos momentos juntos. O termo “colaboração visual” passou a fazer parte do nosso dia a dia. Tivemos a sorte de ganhar a oportunidade de transformar um projeto que admiramos muito: o Trip Transformadores. Encaramos o desafio de fazer um sprint com 18 pessoal. Dentro de algum tempo o resultado desse trabalho será conhecido, mas desde já quero compartilhar os aprendizados que tivemos. E aqui me foco exclusivamente nos aprendizados relativos ao modo de trabalho a distância, entendendo que esse é um desafio que todos estamos buscando afinar.

Adotamos a ferramenta Mural. Ele foi nosso quadro branco. Uma ferramenta de colaboração visual que nos ofereceu a sensação de estar juntos em uma sala cheia de paredes brancas, com post its, dots, canetas e blocos de anotação infinitos, além de ferramentas de votação fáceis e intuitivas. Desenvolvemos templates nela, que foram preparadas como base centralizadora da colaboração visual dos participantes.

Adotamos também o Typeform para ouvir e aprender com muita gente. Antes e depois do sprint, ele serviu para a colaboração assincrônica. Usamos sua interface agradável para coletar informações, ouvir a todos, coletar opiniões, referências e para aprimoramento colaborativo dos caminhos de ideias construídas no sprint. Para isso, nosso papel de facilitadores incorporou nosso viés na construção de uma série de perguntas que, quando respondidas, nos ajudaram a consolidar caminhos abstratos em ideias práticas e avançar junto na construção de um plano de negócios imediatamente acionável.

Além de Mural e Typeform, usamos o Zoom para aproveitar sua funcionalidade de quebrar a ligação em grupos menores, o que não é novidade. E, para uso interno, pensando em ter um checklist para garantir que não esqueceríamos nenhum detalhe na implementação do sprint, usamos o Trello.

É interessante notar que quando trabalhamos remoto, deixamos de ter alguns prazeres do trabalho presencial. Não temos mais o cafezinho com o colega, o momento de relaxamento para falar de outros assuntos, os acidentes construtivos que acabam aproximando pessoas. Essa perda é grande e frustrante. Algo que afeta nosso humor, nosso prazer, nossa vontade. Por isso, colaborações intensas como os sprints precisam de um outro ritmo, capaz de permitir a parte boa que é a energia de estar em grupo resolvendo um grande desafio, mas também que ofereça espaço para cada pessoa encontrar o seu flow.

O principal recado, fruto dessa experiência, é que precisamos reinventar continuamente o trabalho. Compartilhei aqui aprendizados sobre uma experiência, mas certamente há muitas outras formas de trabalhar. O que me parece claro é que precisamos continuar aprendendo e desconstruindo modelos que já não funcionam. Para isso, temos que entender muito sobre como engajar as pessoas, como utilizar ferramentas, e como desenhar metodologias que vão levar o desafio ao seu melhor resultado.

Quero aproveitar essa oportunidade para conversar com você sobre isso neste link. É um link para um questionário rápido com algumas perguntas voltadas para aprender também com a sua experiência. Então, se tiver mais cinco minutos e topar contar algumas histórias, por favor nos conte. Ao final, vou reunir tudo e compartilhar o conteúdo com todos.

*Crédito da foto no topo: iStock

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