O novo mapa da indústria de agências do Brasil

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O novo mapa da indústria de agências do Brasil

Esse novo mapa mostra um novo mundo, em que não há mais barreiras fi xas, com setores invadindo as fronteiras de outros


14 de outubro de 2020 - 13h18

(Crédito: Best Content Production Group/ iStock)

O mapa-pôster, que o Meio & Mensagem publica há anos, com o ecossistema de agências de propaganda do Brasil, este ano tem novidades que revelam a ponta de um iceberg maior, que é a nova cartografia da indústria de agências de propaganda do País.

Nele, vemos a presença, salvo engano, inédita, de um número considerável de novos grupos nacionais figurando lado a lado dos já tradicionais e historicamente dominantes grupos representados pelas holdings companies globais do setor, que todos conhecemos.

Esse fenômeno se dá como fruto de um movimento internacional de concentração desses grandes players que não só passam por um complexo e, certamente doloroso, processo de aglutinação de negócios, descontinuidade de outros, assim como priorização de mercados e países comercialmente de maior porte e significância econômico-financeira.

Parte desses conglomerados conviveu com uma expansão planetária impressionante nas últimas décadas, em que muitos escritórios e operações de baixa ou nenhuma rentabilidade foram mantidos ativos em nome da presença geográfica global, que lhes dava sentido e cumpria o papel de atender seus clientes igualmente globais onde eles estivessem.

A nova ordem econômica, as transformações nos modelos de negócio e de remuneração das agências, a realocação das grandes verbas publicitárias para novos players suportados por novas tecnologias, entre outros fatores, fez com que essas grandes corporações passassem por uma revisão estrutural única em toda a sua história, abrindo espaço para o surgimento de grupos nacionais locais, como vemos no novo mapa do Meio & Mensagem.

Esse fenômeno deve perdurar e novos grupos nacionais devem surgir no Brasil.

Mas essa é apenas a ponta do iceberg, como disse.

O mapa de agências de propaganda do Brasil tem outros acidentes geográficos. Entre eles, alguns que cito abaixo:

As consultorias-agência — A Accenture é o caso mais emblemático, mas outras seguem o mesmo caminho. Consultorias, que antes eram consultorias, de uma década ou algo assim para cá, resolveram virar agências. Outras consultorias estão buscando seus próprios caminhos, parte delas comprando agências e serviços de comunicação já existentes de mercado.

Empresas de tecnologia-agência — A Stefanini havia já comprado a Gauge, anos atrás. E agora comprou o grupo Haus, de comunicação e agências. Outras empresas de tecnologia já estão fazendo movimento semelhante. A IBM é uma das maiores agências digitais do mundo hoje.

Anunciantes-agência — Inúmeros anunciantes estão construindo estruturas internas, consideravelmente sofisticadas, de operação e serviços que são verdadeiras, bem, agências internas. Isso ocorreu durante anos e o fenômeno se chamou, décadas atrás, de house agencies. O de agora é semelhante, mas substancialmente mais sofisticado.

Agências in house — Essas são aquelas que são agências, mas que, para além de serem agências, montam estruturas de agência para seus clientes e as operam de forma terceirizada, mas dentro da casa do cliente. A Oliver é o benchmark global e a Suno uma versão nacional. Entre outras.

Agências 2.0 — S