As redes sociais da sua empresa refletem a alma do seu negócio?

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As redes sociais da sua empresa refletem a alma do seu negócio?

Só assim a conexão será genuína e duradoura


5 de janeiro de 2021 - 8h09

(crédito: MicroStockHub/iStock)

Já passou pela situação de ouvir ou saber algo de uma pessoa que admira e, com decepção, se vir refletindo o seguinte: “eu jamais imaginei que você pensaria, fizesse ou diria isso”?. Essa é exatamente a sensação de pessoas que acreditam na sua empresa quando você lança uma campanha totalmente desconexa com as crenças, os valores e os propósitos da sua marca.

Esse erro tem sido especialmente comum nas redes sociais, quando as empresas querem pegar carona em alguma brincadeira que “todo mundo está achando engraçada”. É por isso que, antes de qualquer ação, sempre levo as marcas dos meus clientes para um divã, uma espécie de terapia mesmo. A ideia é refletirmos juntos sobre o que a companhia tem a ver com a brincadeira do momento. Ela reflete o que a marca é, de fato? O formato, o tema ou a forma de abordagem gerarão algum impacto sobre conceitos que já foram construídos ou se deseja construir? Há chances de ofender alguma parcela do seu público-alvo, por menor que seja?

Nesse brainstorming, busco mostrar ao cliente que, no atual mundo globalizado e digital, a marca está sendo constantemente avaliada em todos os canais que se propõe estar e por diferentes ângulos. Os posts da rede social precisam ser essencialmente alinhados aos filmes das campanhas da TV, aos conteúdos do blog e ao discurso dos porta-vozes da companhia. Cada vez mais as pessoas sentem a necessidade de se conectar com marcas humanizadas, mas desde que consigam identificar a alma delas em imagens, palavras e intenções. Só assim a conexão será genuína e duradoura.

Não tenho nada contra memes, mas me oponho a ações impulsivas apenas para “não ficar de fora”. É nessa impulsividade que vemos muitos posicionamentos desconexos com a essência do negócio. O que me preocupa bastante porque entendo que toda estratégia em comunicação precisa, necessariamente, refletir o que é a empresa e como ela deseja ser reconhecida pelo público. É sempre mais eficiente quando uma companhia, mesmo por trás de uma ação mais divertida, consegue contribuir com boas ideias, aliviar uma dor, resolver um dilema, tornar o dia a dia delas mais leve…

O consumidor de hoje tem necessidade de se sentir cuidado, importante e único. Ele quer se divertir, mas também deseja se conectar com o outro. Muitos passaram a se interessar mais pelos problemas do País e do mundo. Eu poderia ficar horas listando as especificidades dos diferentes públicos-alvo. Por isso, é fundamental conhecer de verdade o seu. Só assim conseguirá fazer brotar nele o sonho de consumo de qualquer criador de campanha. O pensamento de que “somente essa marca poderia fazer isso por ou para mim”.

As mídias, em geral, em especial as redes sociais, são canais valiosos demais para serem usados como simples parques de diversões, ainda que seja uma vez ou outra. É claro que, hoje, mais do que nunca, as comunicações pedem leveza. Não dá para pensar em vender o tempo todo… Estamos especialmente cansados de informações pesadas e incertas. Mas essa descontração precisa ter uma boa dose de bom senso, estratégia e propósito, atraindo o interesse, enquanto educa ou orienta de alguma forma. Do contrário, pode ser que o novo meme do momento coloque em risco uma reputação que você demorou anos para construir e fortalecer.

**Crédito da imagem no topo: Trendobjects/iStock

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