Vale a pena insistir

Buscar

Opinião

Publicidade

Vale a pena insistir

A Olimpíada tem um significado especial que transcende o esporte e o mundo nunca precisou tanto dos jogos olímpicos quanto em 2021


8 de fevereiro de 2021 - 13h09

Crianças celebram o momento da divulgação dos mascotes (Créditos: Koki Nagahama/Getty Images)

Todos os dias alguém me pergunta — no trabalho ou fora dele — se os jogos olímpicos de Tóquio vão acontecer este ano. Como futurologia não é minha especialidade, sempre que possível, eu desconverso. O trauma causado pelas previsões equivocadas de 2020, inclusive o que aconteceria com a Olimpíada, ainda me assombra.

Mas, pela minha proximidade com a organização dos jogos olímpicos, tanto através do Comitê Olímpico Internacional quanto de meus colegas de trabalho baseados no Japão, tenho uma visão privilegiada do que está acontecendo nestes meses que antecedem o tão esperado evento. Não tenho nenhuma informação privilegiada, mas consigo interpretar o que todos nós lemos na imprensa internacional com um pouco mais de contexto.

Em primeiro lugar, todos os envolvidos querem muito que a Olimpíada aconteça. Isso não é um desejo só do COI ou do Comitê Organizador local, mas também de patrocinadores, empresas de mídia e, principalmente, atletas e a maioria dos fãs.

Diferentemente do que alguns pensam, e apesar dos investimentos bilionários feitos em infraestrutura no Japão, a motivação para tamanha insistência não é financeira. Depois de um período tão difícil quanto o que estamos vivendo, muitos acreditam que os jogos olímpicos possam ser a grande celebração da nossa vitória sobre o vírus. Só por isso já valeria a pena insistir.

Por tudo isso, eu aposto que tanto os jogos olímpicos quanto os paralímpicos acontecerão como planejados entre 23 de julho e 8 de agosto e 24 de agosto e 5 de setembro, respectivamente. Mas, o que será preciso para realizar os jogos de forma segura com o que sabemos hoje?

Vacinar atletas antes dos jogos: muitos atletas e equipes técnicas já devem chegar ao Japão imunizados ou porque a vacinação de toda a população foi concluída em seus países ou porque seus governos decidiram — por conta própria — priorizá-los.

Chegar mais cedo ao Japão: imunizados ou não, por excesso de segurança, as delegações podem precisar chegar algumas semanas mais cedo para fazer uma quarentena em hotéis fora de Tóquio. Isso garantiria que ninguém admitido na Vila Olímpica estaria contaminado.

Testes, testes e mais testes: durante a permanência das equipes no Japão, devemos ver um excesso de testes. Não me surpreenderia se todos fossem testados diariamente. Seus movimentos e interações com outros participantes também devem ser monitorados cuidadosamente através de seus telefones.

Retorno: o calendário das competições pode ser mudado para garantir que os atletas fiquem o mínimo possível no Japão. Em vez de permanecerem até 17 dias, eles devem deixar a vila e regressar aos seus países tão pronto suas participações terminem.

As cerimônias de abertura e encerramento podem ser alteradas — menos participantes ou maior duração — para diminuir os riscos das aglomerações de atletas no Estádio Olímpico. O acesso aos fãs internacionais pode ser limitado. Nesse caso, para evitar o afluxo de turistas e a exposição ao vírus, o Japão estabeleceria regras mais restritivas como a imposição de vistos para visitantes estrangeiros.

Estádios vazios ou com capacidade reduzida: a menos que algo inesperadamente positivo aconteça nos próximos meses, a presença de torcedores nos estádios e arenas deve ser limitada. Dependendo da competição, estes números podem variar. Eventos externos, como as competições de vela ou a maratona, devem admitir mais torcedores que as partidas de vôlei ou eventos de esgrima. O uso de máscaras e equipamentos de segurança devem ser obrigatórios para todas as equipes e fãs. Filas em bares e restaurantes devem ser cuidadosamente gerenciadas para evitar aglomerações. Os organizadores poderão autorizar que fãs tragam comida de suas casas para diminuir as visitas aos bares.

A Olimpíada tem um significado especial que transcende o esporte. Pela multiplicidade de países, religiões, preferências sexuais, raças e tipos físicos e representados pelos mais de onze mil atletas, elas são um lembrete que um mundo onde todos convivem em paz é possível, mesmo que uma vez a cada quatro anos (ou dois, se você contar os Jogos de Inverno).

O mundo nunca precisou tanto dos jogos olímpicos quanto em 2021. Vale a pena insistir.

*Crédito da foto no topo: Koki Nagahama/Getty Images

Publicidade

Compartilhe