O final feliz do Marketing

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O final feliz do Marketing

Ficaremos com aquilo que os humanos fazem de melhor: entender, criar, convencer, emocionar, encantar, satisfazer


14 de junho de 2021 - 13h51

(Crédito: Vivali/iStock)

“Era uma vez uma estudante de publicidade que queria mudar o mundo com as suas ideias. Uma jovem sonhadora que se encantava com peças de comunicação bem-feitas. Ela admirava os textos que conseguiam ser convincentes em poucas palavras e as artes que deixavam tudo mais marcante. Seu maior desejo era morar na Marketinglandia, o mundo encantado das propagandas mais criativas da Terra.

E foi com essa determinação que ela conseguiu uma vaga de estágio em um grande anunciante – uma conquista que foi comemorada amplamente por meio de emojis de fogos de artifício em mensagens distribuídas em suas redes sociais. Começava aqui um novo capítulo na história dessa donzela, agora habitante do tão desejado reino do Marketing.

Mas foi aí que a sua vida mudou. Ela percebeu que, na verdade, essa não era uma cidade tão perfeita quanto parecia. À medida em que crescia na carreira, ela via que na Marketinglandia as pessoas trabalhavam muito. E todos eram convidados a usar um óculos especial, que os forçava a focar apenas no curto prazo caso não fosse limpo diariamente. Lá também havia dragões, chamados “Metas de negócio”, que assustavam constantemente os moradores. E ainda existia um bosque mal-assombrado, conhecido como “Fake news”.

Todo mundo vivia correndo para entregar projetos “para ontem”. E havia uma preocupação extrema com a concorrência. Também rolava um boato de que nas montanhas morava um gigante chamado “Ética”, mas nem todos tinham respeito por ele.

A cidade tinha algumas pontes que ligavam a Marketinglandia com os povos vizinhos – os habitantes das comunidades de vendas, finanças, logística e jurídico. Mas todo mês uma dessas pontes quebrava e precisava ser reconstruída.

Um dia, a bela jovem encontrou uma fada madrinha chamada “Transformação Digital”, que jogou nela um feitiço: a donzela nunca mais conseguiria fazer bem o seu trabalho se não beijasse um sapo, apelidado de “Tecnologia”. A publicitária ficou desesperada. Inscreveu-se em cursos de big data, inteligência artificial e internet das coisas à procura de seu anfíbio salvador. Leu livros, assistiu palestras e até tentou aprender linguagem de programação para encontrá-lo. No meio de tanto esforço, ela começou a ficar com medo de que o sapo fosse muito malvado e tentasse roubar o seu emprego. Mas foi exatamente nesse momento que ele apareceu e a convenceu de que, na verdade, ele tinha nascido para tornar o seu trabalho melhor. Ela lascou-lhe um beijão na boca e ele se transformou em um parceiro perfeito para deixar a sua vida mais fácil.

E viveram marketeiros para sempre.”

Nosso trabalho não é conto de fadas, mas, já que storytelling é uma habilidade cada vez mais requisitada, dei uma romantizada na coisa.

Qual vai ser o futuro do Marketing? Será que ainda vale a pena cursar Publicidade? A função de Chief Marketing Officer ainda vai existir daqui a cinco anos? Os “intervalos comerciais” vão existir no futuro? Sempre me fazem essas perguntas e confesso que não sei as respostas. Nossa função está mudando bastante, principalmente na forma como fazemos as coisas. Certamente todos os processos, atividades e funções que podem ser automatizados não serão mais feitos por nós. Vai ficar tudo com o sapo. Mas ficamos com aquilo que os humanos fazem de melhor: entender, criar, convencer, emocionar, encantar, satisfazer. Esse é só um spoiler do que vem por aí, mas a caneta para escrever essa história real está nas nossas mãos. Cabe a nós, profissionais desse mercado, garantir que o Marketing vai ter um final feliz. No que depender de mim, já estou fazendo biquinho para o beijo.

*Crédito da foto no topo: iStock

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