Inovação aberta para um ecossistema realmente amplo

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Inovação aberta para um ecossistema realmente amplo

Cocriação não é um briefing passado a um parceiro e do qual se espera a devolutiva, é um modelo de trabalho que deve mover a organização a fim de encontrar soluções conjuntas


4 de outubro de 2021 - 17h51

(Crédito: Pexels/Pixabay)

Já comentei neste espaço sobre alguns pontos que tenho observado em relação às estratégias para se trabalhar com inovação aberta. Os números crescentes comprovam como esse ecossistema vem ganhando espaço: por exemplo, temos hoje 14 mil startups atuando em todo o Brasil. Mas há outros integrantes e parceiros da inovação aberta que são essenciais para a riqueza desse sistema. São universidades, institutos, centros de pesquisas, grandes empresas, órgãos públicos, favelas e tantos outros mais. Na vida real, vejo que quanto mais pessoas envolvidas, com diferentes experiências, conhecimentos e habilidades, melhor tem sido o resultado.

O conceito de inovação aberta já nasceu com esse propósito de reunir as várias faces da inovação em um modelo mais participativo e descentralizado. O próprio inventor da inovação aberta, Henry Chesbrough, escreveu em um artigo publicado na Forbes, em 2011, sobre seu empenho em diminuir a distância entre a academia e a indústria. Ele contou que, como executivo de empresa de tecnologia do Vale do Silício e, mais tarde, na cadeira de professor de Harvard Business School e da UC Berkeley, observou o quanto o mundo acadêmico e o dos negócios andava totalmente desconectado. E tratou de incentivar o encurtamento dessa distância.

É certo que ainda temos muito que avançar. Há muitas oportunidades se pensarmos que a universidade forma milhares de pessoas todos os anos – e inúmeros talentos. Promover essa aproximação, portanto, faz todo o sentido: o estudante terá a oportunidade de exercer o aprendizado considerando os desafios com os quais as corporações têm de lidar no dia a dia – e sairá mais preparado para o mercado – e a empresa pode acessar esses estudantes muito mais cedo, além de realmente contar com uma rede dedicada a buscar soluções inovadoras.

E isso falando apenas das universidades! Agregando outros parceiros do ecossistema de inovação esse trabalho fica ainda mais potente. Este mês reunimos cerca de mil colaboradores e mais de 10 grandes empresas para buscar soluções em desafios de sustentabilidade. Chegamos a mais de 20 ideações e selecionamos 12 para a prototipagem – as melhores ideias serão aplicadas a partir do ano que vem. E o mais interessante nesse processo foi atrair parceiros diversos e relevantes do mercado e, ao mesmo tempo, estimular também o protagonismo dos colaboradores da empresa.

Um ponto que considero fundamental nesse processo é que todos os agentes ‘mergulhem’ nas várias etapas da cocriação e participem ativamente junto aos parceiros. Dentro das empresas é sempre bom lembrar de que não se trata de um briefing que você passa para um parceiro e fica aguardando a devolutiva. Pelo contrário, é um modelo de trabalho que deve mover a organização a fim de encontrar soluções conjuntas para os desafios genuínos identificados internamente.

Entendo que a complementariedade das várias frentes nos processos de cocriação cada vez mais será necessária para se chegar a soluções que tragam impactos importantes não só para a empresa, mas para a sociedade de forma geral. Em contextos complexos e que mudam muito rapidamente como temos vivenciado, atrair times diversos ajuda a ampliar as oportunidades de negócios e a fomentar a inovação relevante abrangendo, de fato, todo o ecossistema.

*Crédito da foto no topo: MNM/Pexels

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