Opinião

A lei dos influenciadores não é só sobre influenciadores

Nova regulamentação reconhece a creator economy como um ecossistema profissional muito mais amplo do que o alcance de um @

Eder Redder

CEO da gen_c 30 de janeiro de 2026 - 6h00

Como profissional que atua à frente de uma agência de marketing de influência, obviamente comemoro a aprovação da Lei nº 15.325/2026, que regulamenta a profissão de influenciadores, porém meu olhar vai muito além dos creators. Eles são, sem dúvida, a ponta de um mercado gigante, mas estão longe de representar, sozinhos, a complexidade da creator economy.

Depois de mais de uma década produzindo conteúdo para marcas, muitas vezes não me senti totalmente pertencente nem ao universo dos publicitários, nem ao dos influenciadores. Sempre existiu um território intermediário, ocupado por profissionais que constroem estratégias, narrativas, formatos e comunidades, mas que não necessariamente acumulam seguidores. É justamente nesse espaço que a nova lei acerta. Sua maior virtude está na abrangência.

Apesar das críticas de quem enxerga a regulamentação apenas sob a ótica dos influenciadores, é fundamental compreender que a economia criativa nas redes vai muito além de quem detém um @. A Lei reconhece formalmente atividades ligadas à produção de conteúdo para redes sociais e dá um passo decisivo para a profissionalização de um setor que, até aqui, operava com pouca segurança jurídica, baixa padronização e reconhecimento limitado.

Ao estabelecer parâmetros, a legislação contribui para oferecer mais clareza de atuação, proteção profissional e valorização econômica a uma geração inteira de trabalhadores que já atuam de forma estratégica, estruturada e relevante para marcas, plataformas e audiências e que, por muito tempo, ficaram fora de qualquer enquadramento claro.

Seu impacto, portanto, vai além do mercado de influenciadores. Ele alcança uma cadeia produtiva ampla e diversa: videomakers, community managers, roteiristas, editores, estrategistas de conteúdo e até professores que utilizam as redes como meio profissional passam a ser reconhecidos como parte legítima desse ecossistema criativo, mesmo sem exercer influência direta sobre grandes audiências.

Ao ampliar esse olhar, a lei corrige uma distorção histórica: a de associar valor apenas à visibilidade, quando, na prática, a creator economy é sustentada por colaboração, técnica, estratégia e repertório.

Por isso, embora o debate público ainda reduza a discussão ao universo dos influenciadores, a Lei nº 15.325/2026 aponta para algo muito maior. Ela amplia o olhar sobre o que significa criar conteúdo profissionalmente no ambiente digital e reconhece que a economia criativa nas redes é, acima de tudo, coletiva, interdependente e muito mais complexa do que sugere a superfície de um feed.