Obsessão ativa

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Opinião

Obsessão ativa

Marcas são incitadas a sair das promessas e agirem no enfrentamento de demandas urgentes da sociedade, como a responsabilidade frente às mudanças climáticas, a execução de políticas inclusivas e o combate ao racismo estrutural


8 de novembro de 2021 - 14h14

A agenda do futuro da indústria tecnológica e da economia criativa resumida em quatro dias, no Web Summit. E a pretensão de tratar de temas tão amplos como metaverso, segurança de dados, disseminação de discursos de ódio e de desinformação, entrelaçados com demandas urgentes da sociedade, como racismo estrutural, responsabilidade das empresas nas mudanças climáticas e execução de políticas inclusivas — desafios frente aos quais as empresas simplesmente não podem não fazer nada.

É a obsessão ativa capaz de mobilizar pessoas em prol de uma causa, e não somente o propósito, a nova referência que pode determinar o sucesso de uma marca. Segundo o defensor da ideia, Alain Sylvain, fundador e CEO da consultoria Sylvain, que atende gigantes como Google, Airbnb e Spotify, a obsessão ativa a amígdala, o centro emocional do cérebro. “Quando você abraça uma obsessão, ela faz você produzir mais e melhor”, defende.

A agenda do futuro da indústria tecnológica e da economia criativa resumida em quatro dias, no Web Summit (Créditos: Divulgação)

Com enfoques encorajadores como esses, o Web Summit atraiu cerca de 43 mil participantes, de 128 países, atuantes nos mercados de tecnologia, economia criativa e empreendedorismo, em geral. Em emblemática aderência ao ativismo de suas pautas, o evento, realizado na semana passada, em Lisboa, teve mais da metade do público formado por mulheres — algo até então inédito em sua história e em encontros mundiais similares. Registre-se ainda que, pelo fato de Portugal estar entre os top 3 no mundo no ranking de países com maiores percentuais da população com esquema vacinal completo, o Web Summit é o primeiro evento global da indústria a reunir mais
pessoas no presencial do que no virtual, ou seja, é a volta ao contato físico.

A veia inovadora confirmou-se pela atração de mais de 1,5 mil startups e 70 unicórnios, reforçando a propensão de busca por conexões e escalabilidade de grandes encontros como esse. O sucesso do Web Summit, que nos últimos anos ajudou Portugal a se desenvolver como polo tecnológico, foi decisivo na escolha do país para sede da European Startup Nations Alliance (ESNA), entidade fruto da aliança das nações europeias para estímulo ao empreendedorismo.

Desde que aportou em Lisboa, em 2016, o Web Summit, nascido em Dublin, em 2009, acelerou um círculo virtuoso no país que impacta também profissionais brasileiros, atraídos por empresas de tecnologia e economia criativa que prosperam em Portugal.

Presente no evento, o maior em número de pessoas acolhidas pelo país desde o início da pandemia, o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, expressou a esperança de que nascia ali um ciclo pós-pandêmico. Sintonizados com essa ideia, chamaram a atenção apresentações que levaram à prática a obsessão pela sustentabilidade, como a de um aplicativo que evita o desperdício de comida e a experiência que propõe a cura para a depressão por ativação do cérebro por corrente elétrica — mais um reforço na articulação das empresas preocupadas com a felicidade de seus talentos internos, e, obviamente, com o reflexo disso em suas ações e resultados.

Com parte da equipe de jornalistas dedicada à cobertura, Meio & Mensagem adicionou a colaboração de profissionais brasileiros presentes aos debates em Lisboa. Todo o conteúdo está disponível no site websummit.meioemensagem.com.br e a análise dos principais pontos ocupa a reportagem das páginas 50 a 53.

A vocação acolhedora de Portugal herdada pelo Web Summit acabou por criar um ambiente ainda mais propício para atender a demanda reprimida por eventos presenciais — o que também foi sentido no Brasil, na semana passada, na maior cerimônia de premiação já realizada pela edição local do Effie Awards. Foram entregues 63 troféus a 47 cases, o dobro de prêmios da edição anterior, com destaque para campanhas que surgiram para ajudar a minimizar problemas decorrentes do combate à pandemia — o que reforça a tese de
que mais do que propósito, é preciso ter obsessão para, de fato, mudar realidades impostas tanto por adversidades inesperadas quanto pela cultura enraizada.

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