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Opinião

Construindo a base de um futuro mais distante

Neste processo em constante evolução e cada vez mais acelerado, estamos vivendo as profundas mudanças nos negócios, nas relações humanas e na sociedade


23 de junho de 2022 - 8h45

(Crédito: GoodStudio/Shutterstock)

Nas últimas décadas, o Brasil e o mundo passaram por profundas transformações nos mais variados campos: ciência, consumo, política, cultura e mídia, entre muitos outros. Mudamos mais nos últimos anos do que em muitos séculos de civilização.

Inegavelmente, todas estas transformações foram de alguma forma influenciadas ou viabilizadas por inovações tecnológicas. Se fizermos uma rápida viagem em nossas lembranças e voltarmos 20 anos para o passado, nos remeteremos a um lugar cheio de saudades e ao mesmo tempo muito distante e completamente descolado do que vivemos hoje.

Em um simples exercício de fechar os olhos e nos imaginarmos neste momento, já perceberíamos imediatamente grandes diferenças. Nossas mãos estariam segurando um aparelho de telefone celular, que apenas faria ligações, enviaria torpedos e nos permitiria poucas possibilidades de diversão. Dependendo da marca do aparelho, você poderia até se entreter no nostálgico jogo Snake e alimentar uma fininha cobrinha até ela empapuçar.

A imagem desenhada acima, que nos remete à figura de um aparelho móvel antigo, é seguramente um dos pontos mais emblemáticos das profundas transformações pelas quais temos passado: a conectividade na palma da mão. Apenas para ilustrar este rápido avanço, em apenas 10 anos, de 2012 para 2021, a posse de smartphone passou de 12% para 85% no total da população.

Assim como no exemplo anterior, geralmente quando pensamos em transformação associada à tecnologia, tendemos a nos concentrar no produto propriamente dito, na nova plataforma, no device ou no gadget, quando na realidade a grande transformação se dá quando acontece efetivamente a adoção em larga escala, e a partir deste ponto notamos mudanças profundas de hábitos, de comportamento e na sociedade.

Notamos isto claramente na nossa realidade dos últimos dois anos. Impulsionados pela crise sanitária e limitação dos contatos e espaços físicos, a aceleração da adoção digital e a construção consolidada de novos comportamentos nos trazem a sensação de que apertamos o botão de “fast forward”, fazendo com que o futuro chegasse cada vez mais rápido.

A realidade é que este futuro todos os dias renova o nosso presente, e assim criamos os fundamentos do nosso futuro mais distante. Neste processo em constante evolução, e cada vez mais acelerado, vamos então vivendo as profundas mudanças nas relações humanas, nos negócios e na sociedade.

Graças à tecnologia e ao avanço no campo da ciência, saúde e bem-estar, estamos sim vivendo cada vez mais tempo. Em 2000, apenas 15% da população tinha mais de 50 anos. Em 2030, serão mais de 30%. A sociedade amadurece e ao mesmo tempo se rejuvenesce constantemente, quando a adoção tecnológica acontece em grande escala em todas as faixas etárias. Teremos desafios significativos para suprir o cuidado, a moradia, a saúde e o bem-estar das pessoas, com qualidade e dignidade. A ideia é não apenas viver mais, mas viver melhor.

Com esta expectativa de vida cada vez mais ampla em todos os sentidos, vamos experimentando um novo que está em constante mutação. Naturalmente lidamos com a normal insegurança e a dificuldade na própria previsibilidade do futuro até mesmo mais presente, seja contado em dias, meses ou anos.

Algo, no entanto, é fato e deve ser encarado quase como premissa: as revoluções tecnológicas não voltarão atrás! As mudanças sociais e comportamentais por elas influenciadas ou causadas formam as tendências de hoje que marcam as bases para os comportamentos de amanhã. À medida em que a digitalização de nossas vidas segue acontecendo a passos largos, compreender como as pessoas hoje pensam, se comportam e consomem nos oferece uma importante base para nos preparar para o que vem pela frente.

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