Crise, demissões, SVB: o que está acontecendo com as startups?

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Crise, demissões, SVB: o que está acontecendo com as startups?

Incertezas no universo financeiro, como a quebra do Silicon Valley Bank, agravam cenário das startups e escassez de recursos


21 de março de 2023 - 6h00

Há cerca de dez dias, os noticiários e as redes sociais foram tomadas pela informação de que o SVB havia quebrado. SVB é a sigla para Silicon Valley Bank, banco do Vale do Silício em tradução livre. A instituição norte-americana é conhecida por financiar startups e empresas de tecnologia.

O que está acontecendo com as startups?

(Crédito: SvetaZi/ Shutterstock)

A quebra – ou seja, o encerramento do banco – aconteceu após o SVB anunciar um prejuízo de US$ 1,8 bilhão no primeiro trimestre e o plano de vender US$ 1,7 bilhão em ações. Inseguros e ameaçados, os clientes tentaram tirar seu dinheiro do banco.

Acontece que parte do valor estava investido em outros ativos, que não podiam ser convertidos em dinheiro com a facilidade necessária, e o SVB não conseguiu atender aos pedidos de saque. Por esse motivo, foi preciso uma intervenção e o encerramento do banco.

O que está por trás da quebra do SVB?

Esse movimento é ainda uma consequência de medidas tomadas durante a fase mais crítica da pandemia. Em 2020, o banco central dos Estados Unidos, Federal Reserve, flexibilizou as regras para que os bancos pudessem operar 100% do que recebiam em depósitos de correntistas.

Algumas instituições, como SVB, compraram ativos. Esses ativos, por sua vez, perderam valor com as incertezas econômicas. O resultado é que o saldo dos ativos já não correspondia ao valor depositado pelos clientes. Isso não é uma exclusividade do Silicon Valley Bank e ameaça outras instituições.

Desdobramentos no SXSW

A quebra do SVB foi anunciada apenas dois dias antes do início do festival de inovação South by Southwest. O evento reúne muitas startups. Além disso, a última vez que uma grande instituição financeira faliu nos EUA foi há 15 anos.

O fato apareceu na fala de painelistas, como o teórico Douglas Rushkoff, e na apreensão das companhias. “Pode ser que algumas pessoas estejam olhando para suas ativações e festas e se perguntando se deveriam ter usado esse dinheiro para a folha de pagamento da próxima semana”, disse o cofundador da Media.Monks, Wesley ter Haar, ao AdAge.

A conta para as startups

Para CEO e cofundador do Distrito, Gustavo Gierun, a falência é um divisor de águas para as startups. “Para o ecossistema de startups, existe um mundo pré-falência do SVB e um outro pós-falência do SVB”, opina.

Ele explica que até agora as startups e fundos de venture capital costumavam concentrar seus recursos em uma única instituição. Em caso de quebra ou falência, o dinheiro da startup e dos investidores ficaria preso. Para Gierun, no caso do SVB, a ação rápida do governo norte-americano impediu que as consequências fossem piores.

Agora, depois desse caso, ele acredita que haverá uma mudança radical na gestão de capital e de risco das empresas e fundos de investimento.

Apertando os cintos

Mas essa não é a única consequência para as startups. Desde o último ano, a mudança do ciclo econômico com inflação e taxas de juros mais altas diminuíram a aptidão dos investidores ao risco. Assim, ficou mais difícil para as startups conseguirem aportes.

Em paralelo, também aumentou a cobrança para que as companhias se mostrassem lucrativas. Um dos efeitos colaterais desse movimento foi a onda de demissões, como corte de custos e redução da operação.

Tudo isso deve ganhar tração com as ameaças no cenário financeiro. “Os recursos estão escassos e devem ficar ainda mais. Então, as empresas precisam encontrar uma fórmula para sobreviver em meio a essa escassez de recursos até que a inflação global dê sinais de desaceleração e os juros comecem a cair”, explica o CEO do Distrito.

Ele conclui: “Até isso acontecer, as startups vão ter que se equilibrar entre juros altos, escassez de recursos e obrigação de diminuir custos. É um ambiente desafiador. O conceito de crescimento a qualquer custo foi substituído pelo conceito de empresas financeiramente sustentáveis e de crescimento consistente”, aponta.

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