PLATAFORMA

Do Twitter ao X: os 20 anos da rede social

Ao longo de duas décadas, plataforma foi comprada por Elon Musk e já enfrentou problemas com o STF; relembre

i 17 de julho de 2026 - 6h11

Em 2006, a Internet foi introduzida ao Twitter. Caracterizada pelo logo do passarinho azul, a rede social lançada em março de 2006 rapidamente caiu nas graças do público. O dinâmica baseada nas postagens, apelidadas de “tweets”, conquistou uma legião de usuários fieis e engajados.

Ao longo de vinte anos, a plataforma passou por inúmeras atualizações e, em 2022, encarou a principal delas: foi vendida ao bilionário Elon Musk, que promoveu uma série de mudanças. Hoje, a rede social opera sob o nome X.

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Após duas décadas, Twitter mudou de nome e chegou a ser suspenso em território brasileiro (Crédito: Shaheerrr /Shutterstock)

Criada por Jack Dorsey, Evan Williams, Biz Stone e Noah Glass, nos Estados Unidos, a plataforma era utilizada como rede social interna voltada aos colaboradores da ferramenta de podcasting Odeo.

Inicialmente batizado de “twttr” em uma tentativa de comparar as mensagens de texto ao canto dos pássaros, surgiu sob a proposta do compartilhamento de mensagens, assim como ocorria com as mensagens de texto. Em seu ano de estreia e abertura ao público, recebia cerca de 20 mil tweets por dia.

Naturalmente, Dorsey protagonizou o primeiro tweet da história: “apenas configurando o meu Twitter”, dizia a postagem.

A primeira rodada de financiamento aconteceu em 2007. O investimento elevou o valor da empresa para US$ 20 milhões. O IPO, contudo, aconteceu apenas em novembro de 2013. O Twitter estreou na bolsa de valores com uma avaliação de US$ 31 bilhões.

Ainda em 2007, o Twitter desembarcou em Austin, para o South by Southwest (SXSW). Após uma apresentação, o festival impulsionou a rede social, triplicando o seu uso diário. Com o sucesso, tornou-se uma empresa independente e Dorsey assumiu a cadeira de CEO.

O potencial foi logo descoberto pelas marcas. Em 2010, apresentou ao mercado publicitário a ferramenta “Promoted Tweets”, antigo Twitter Ads, um caminho para conquistar receita junto ao mercado anunciante por meio da possibilidade do aumento de tráfego, relevância e conversões.

Com interface repaginada em 2011, o Twitter recebeu uma linha do tempo, solução de mensagens diretas para troca privada entre os usuários e o mecanismo de respostas e menções em postagens. No ano seguinte, a rede social já batia a marca de mais de 200 milhões de usuários ativos mensais.

Desde então, o site recebeu diversas novidades: o recurso Explorar, possibilidade de “favoritar” postagens, captura de vídeos, entre outros. Uma das principais – atendendo ao apelo do público – foi a expansão da contagem de caracteres dos tweets de 140 para 280.

O (ex) Twitter de Elon Musk

Após seis meses de disputas públicas e legais, Elon Musk tornou-se, oficialmente, dono do Twitter. A aquisição de US$ 44 bilhões foi concluída em outubro de 2022 e, desde então,  a rede social se tornou uma empresa privada, incorporada à XCorp, holding criada pelo magnata com o objetivo de tornar o Twitter um super app.

O também CEO da Tesla e SpaceX sempre foi um crítico declarado da forma com a qual a plataforma conduziu o processo de compra. Musk afirmava que o Twitter Inc. estaria violando o acordo de fusão proposto ao não atender aos pedidos pelas informações a respeito das contas spam e do volume de perfis falsos.

O primeiro movimento, enquanto controlador do Twitter, foi a demissão do então CEO, Parag Agrawal. A reestruturação de lideranças implicou na saída de Vijaya Gadde, chefe do departamento jurídico, política e confiança; do diretor financeiro Ned Segal, que ingressou no Twitter em 2017; e Sean Edgett, conselheiro geral da plataforma desde 2012.

Musk também promoveu ondas de cortes, desligando cerca de metade dos 7.500 funcionários em todo o mundo. A empresa contava com quase 40 escritórios em mais de 20 países.

O rebranding da plataforma veio em 2023, já com a nova CEO, Linda Yaccarino, na liderança. “Em breve daremos adeus à marca Twitter e a todos os passarinhos”, escreveu Musk em mensagem. A executiva assumiu a companhia com a missão de unificar serviços de mensagens, compras, pagamentos, rede social e delivery, por exemplo, em uma única plataforma.

De fato, a plataforma apresentou algumas soluções voltadas para fins específicos. Caso do X Hiring, recurso de contratação do Twitter ao estilo do LinkedIn, e a parceria com a Visa. O acordo, firmado em 2025, permite que usuários tenham uma carteira digital no próprio aplicativo.

Mas o X amargou desafios: após o processo de compra, o valor de mercado da companhia despencou. Ainda, enfrentou um êxodo de anunciantes. A plataforma registrou um declínio nas receitas publicitárias diante de preocupações com a segurança de marca. O gatilho para a saída ds anunciantes foi o endosso de Musk a uma postagem anti-semita.

Na ocasião, Musk se posicionou em postagem no X: “Na semana passada, houve centenas de histórias falsas na mídia alegando que sou anti-semita. Nada poderia estar mais longe da verdade. Desejo apenas o melhor para a humanidade e um futuro próspero e emocionante para todos”.

Entre demais frentes de monetização, o X passou a oferecer planos de assinatura, divididos entre Básico, Premium e Premium+, com mais recursos de acordo com o nível. Também disponibilizou serviços Premium Business e Premium Organizations, voltados para empresas, governos, organizações multilaterais e sem fins lucrativos. Eles vêm acompanhados de selos de verificação.

Relação com o Brasil

O X não tem escritório no Brasil desde agosto 2024. Em nota, o X apontou que decisão ocorreu após determinações de Alexandre de Moraes de bloquear contas da plataforma e ameaçar prender Rachel de Oliveira Villa Nova Conceição, que era a responsável pela companhia no País.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) solicitou a abertura de um inquérito para apurar a conduta do empresário no X. Musk havia utilizado a rede social para criticar o ministro nominalmente e acusá-lo de cercear a liberdade de expressão da plataforma, após uma ordem da Justiça brasileira para que o X bloqueasse alguns perfis.

No mesmo mês do encerramento da operação brasileira, o STF enviou uma notificação à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) pedindo o bloqueio da plataforma dentro de um prazo de 24 horas. O app ficou fora do ar por dois dias.

O nascimento do Grok

Integrando a corrida pela inteligência artificial (IA) e concorrendo com big techs, o Grok chegou ao mercado em 2023 como criação da xAI, startup de Musk dedicada à tecnologia. Vale lembrar que o magnata participou da fundação da OpenAI, detentora do ChatGPT, ainda em 2015, mas deixou a organização três anos depois.

De início, o serviço foi disponibilizado aos assinantes do plano Premium+ em território norte-americano. Hoje, já pode ser acessado por qualquer usuário do X.

O X também assistiu à chegada do Threads, concorrente da Meta, ao mercado. A plataforma, semelhante ao ex-Twitter, estreou nas lojas de aplicativos em julho de 2023, integrado ao Instagram. A rede alcançou a marca de 500 milhões de usuáris ativos em junho deste ano.