The Crash: você pensa que sabe em que indústria atua

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Opinião

The Crash: você pensa que sabe em que indústria atua

O mercado publicitário do passado não existe mais; transmutou-se por múltiplas simbioses


5 de fevereiro de 2024 - 6h00

O negócio que Mauro Salles batizou há sete décadas de Indústria da Propaganda não existe mais. Não morreu, transmutou-se por múltiplas simbioses.

Na natureza, simbiose é viver junto, numa relação de benefícios comuns. Nos negócios contemporâneos é a mesma coisa, num processo de integração de setores conexos, que se interpenetram e em que as fronteiras entre eles se misturam. Indústrias inteiras desaparecem. Outras, despontam como borboletas de lagartas. E isso é bom. É a evolução da nossa espécie. Para além de bom, é inevitável. Darwin, Marx e Keynes iam adorar. (Já o Mauro, não sei.)

Escrevi já um número considerável de artigos sobre esse fenômeno. Nunca um como este. Este é a versão 4.0 dos demais, porque tangido pela inteligência artificial.
Este é também o primeiro com direito a infográfico de brinde, esse que você vê ilustrando o texto aqui. Ele tem (modéstia às favas) um grande mérito: integra num desenho só o que já se integrou nos mercados na vida real. E tem também um grave defeito: é estático.

O fenômeno que estamos vivendo não apenas é um movimento contínuo, como também um processo que se acelera mais e mais, em velocidade crescente.
Ainda assim, o grafiquinho aqui te ajuda a vislumbrar a complexidade na qual a indústria do Mauro resultou. Uma outra.

Te ensino a ler o que você, confuso, vê, mas não enxerga. Olha, mas não decifra.

Antes, no entanto, coloque aí no seu prompt:

  • A Internet passou a TV
  • A TV virou Internet: CTV
  • A CTV vai ultrapassar a mídia digital
  • Marketplaces viraram mídia
  • Retail Media crescerá mais que mídia
  • CTV e Retail Media viram shoppable TV
  • Commerce e Marketing viraram uma coisa só

Agora ao infográfico.

Para começar, a parte da metade para baixo é infra. Da metade para cima, tech-services. Em seguida, veja que tudo está envolto por AI, porque, na verdade, AI está em tudo. Uma alma intra-corpore onipresente. E no centro… markcommerce, onde marketing vira commerce.

Abaixo, plataformas de Hyper Task Automation, tudo de produção que pode ser anabolizado por AI será anabolizado por AI. Mais abaixo, você vê Infratech, como o nome diz, a infraestrutura tecnológica para tudo isso aconteça. Aí ficam as plataformas de desenvolvimento, big data e cloud.
Para cima, você vê Retail Tech como a grande categoria. À esquerda, Media as Performance (já volto a isso). No meio, Branding, indispensável eternamente. E à direita, tudo relativo a social. Sendo que no topo superior à direita, um puxadinho meeegaaa importante: Fincommerce Transaction.

Tem um outro infográfico parecido com este, que eu construí para o mundo do fincommerce. Ele se liga a este exatamente pelo elo do fincommerce. Porque o mundo da mídia, da comunicação e do marketing, ao se conectar ao mundo do retail e do commerce, estará umbilicalmente ligado aos meios de pagamento necessários para que tudo se viabilize. Os gateways onde colocamos nossos cartões de crédito estarão aí. Idem tudo relativo a financiamento. E aí, chegaremos no funding: os investimentos para que toda essa cadeia funcione, onde habitam o M&A e os fundos de private equity e venture capital.

Sobre Media as Performance, queria explicar que “performance” aqui não é performance de mídia, mas performance de vendas. Aquela lá na ponta do funil. A conversão do mundo shopper. Sacou?

Portanto, mídias e agências, se prepararem: vocês vão ter que responder por vendas.
Se seguirmos nessa cadeia ininterrupta de conexões, entenderemos que tudo, absolutamente tudo, inclusive essa bolona que você tem aí diante dos seus olhos, será ativado e permeado pelo digital finance. Faremos pagamentos, de tudo, sob blockchain. Sua agência vai pagar o veículo com tokens, capiche? Mas esse é outro assunto. Quer dizer, é o mesmo assunto. Bom, você entendeu. Agora, para finalizar, os impactos desse mega merge de todas essas bolinhas interligadas aí.

  1.  A função de redatores, diretores de arte e de criação será substancialmente alterada. Muitos empregos serão banidos do mercado.
  2. A produtividade e volumetria assertiva de peças se multiplicará várias vezes (textos, vídeos, anúncios, comerciais, campanhas etc). Mais empregos banidos do mercado.
  3. Na mídia, as ferramentas de AI serão utilizadas para as tarefas de alocação de verbas nos canais de forma automatizada e balizada por dados de performance.
  4. No commerce, essas mesmas ferramentas farão recomendações mais acuradas de produtos e marcas, otimizando a cadeia de atribuição e conversão no final do funil de vendas.
  5. A capacidade preditiva do marketing aumentará substancialmente, porque AI tem a possibilidade de, baseada em volumes gigantescos de dados, prever comportamento e consumo.
  6.  As atividades de atendimento e suporte ao consumidor serão feitas essencialmente por máquinas, sobre plataformas e marketplaces de Marketing as a Service.
  7.  A construção e desenvolvimento de protótipos, apps, softwares em geral será agilizada e otimizada como nunca.
  8.  Todo mundo vai poder criar uma/sua AI.

Chamo a tudo isso de The Crash.

Bom 2024.

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