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SXSW

Muito além de AI e ChatGPT, SXSW acerta ao trazer para o debate temas ainda sensíveis no Brasil

Evento aborda assuntos tidos como tabu no país, o que nos deixa para trás


14 de março de 2023 - 11h14

Crédito: Ricardo Silvestre

Antirracismo, dignidade menstrual, equidade, cannabis, diversidade, doenças do futuro, ascensão da cultura QUEER e resiliência são alguns dos temas abordados na edição desse ano do SXSW. Isso me faz pensar sobre a maturidade do evento em abordar esses assuntos que ainda são tão sensíveis para a nossa realidade brasileira e criar conversas e debates importantes em torno disso.

No Brasil, existe uma certa repulsa quando alguns desses tópicos são mencionados. Eles causam estranhamento e desconforto em muitos líderes – que a meu ver ainda não estão prontos para certos debates. Isso os torna retardatários na linha do tempo da indústria criativa.

Não se trata apenas das nossas questões pessoais, e sim das coletivas enquanto sociedade. Por isso é importante de fato pensar fora da caixa e romper as barreiras intelectuais e tabus que nos impedem de pautar sobre o que precisa ser pautado. Para ganharmos tempo é necessário que criemos estratégicas efetivas para resolver os problemas das pessoas de forma eficaz, já que isso também precisa ser parte da atuação do mercado de publicidade e comunicação.

O SXSW se consolida sem dúvidas como um encontro global para falar não apenas sobre futuro, mas sobre o presente, o que já estamos vivendo. É inevitável comparar a maturidade global com a maturidade brasileira, que ainda está um pouco longe do ideal para abordar de forma adequada certos assuntos. Muitas vezes é como se não tivéssemos insumo o suficiente para participar das discussões de coisas que fogem a nossa realidade, e ficamos para trás.

Precisamos definitivamente mudar esse cenário ou corremos o risco de ficar cada vez mais de fora de discussões importantes a nível mundial. E como fazemos isso? Trago aqui algumas possibilidades para endereçarmos esse assunto de forma efetiva:

Intencionalidade: o primeiro passo para qualquer ajuste que façamos a partir dos pontos trazidos aqui é a intenção em fazer parte desse processo de mudança. Sem ela a gente sequer sai do lugar.

Debate: fomentar o debate sobre esses temas é extremamente importante para criarmos a cultura da conversa, da escuta e da fala, que por muitas vezes é ausente. É preciso ouvir quem entende sobre os assuntos e manter esse diálogo.

Definição de metas: para termos uma movimentação de ponteiros real, precisamos definir metas que façam sentido com a proposta e que possam ser alcançadas a curto, médio ou longo prazo de forma efetiva.

Acompanhamento de resultados: os resultados devem ser acompanhados de perto, principalmente as métricas que dizem respeito à percepção e sensibilização das pessoas sobre os temas abordados e a partir disso teremos o entendimento sobre os próximos passos nesse processo de mudança.

Essas são apenas algumas possibilidades de como iniciar a abordagem de temas importantes em empresas e agências que por algum motivo ainda possuem algum tipo de dificuldade quanto a isso. Essa é uma das formas que temos para trazer o Brasil para o centro de discussões importantes, dentro e fora do nosso país e para além disso, liderar as mudanças necessárias para a evolução do nosso mercado.

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