A liderança feminina é construída em conjunto

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Opinião

A liderança feminina é construída em conjunto

Uma das maneiras de garantir maior equidade de gênero nas lideranças é colocando em prática o princípio “uma sobe e puxa a outra”


15 de março de 2024 - 17h51

(Crédito: Adobe Stock)

Uma das maneiras de garantir maior equidade de gênero nas lideranças é colocando em prática o princípio “uma sobe e puxa a outra”. Na minha trajetória, as mulheres que vieram antes de mim foram fundamentais para que eu pudesse me tornar a líder que sou hoje.  

A começar pela minha mãe que fez questão de me ensinar que eu poderia fazer o que eu quisesse e me incentivou, garantindo que eu cursasse a faculdade que ela e meu pai não puderam. Também devo muito a mulheres com quem trabalhei, que me estenderam a mão, ajudaram a traçar meu próprio caminho, dividindo comigo o que elas já haviam aprendido e superado nessa jornada. 

Uma mudança cultural tem feito muita diferença nesse trajeto. Se, por muito tempo, a rivalidade feminina teve o papel de segregar as mulheres e dificultar ainda mais o acesso às oportunidades, hoje ela está sendo substituída pela sororidade, que envolve o ato de se colocar no lugar da outra para entender as necessidades e dificuldades que cada uma enfrenta. Com essa percepção, podemos encontrar maneiras de ajudar mais mulheres a alcançar seus objetivos na empresa. 

Acredito muito também no poder de mentorias, um espaço seguro para troca de experiências, visões, perspectivas, onde habilidades podem ser desenvolvidas, fazendo com que mais mulheres alcancem cargos de liderança. Trazer um pouco da nossa vivência, no intuito de contribuir com uma jornada mais leve para as nossas colegas e, ao mesmo tempo, ter a oportunidade de aprender um pouco mais com as histórias de quem está começando a trilhar novos caminhos. 

Foi a partir do grupo de afinidade Women Up, criado em 2020 na Unilever, com o objetivo de promover equidade profissional e social dentro da Unilever, que surgiu o programa de mentoria para mulheres da companhia. Aqui, unimos mentoras – colaboradoras em cargos de gerência, diretoria e vice-presidência – e mentoradas, com representatividade de vários grupos, para ajudar a impulsionar a trajetória profissional das mentoradas, ao mesmo tempo que contribui para o desenvolvimento da gestão e da visão de mundo das mentoras. 

Atualmente, na Unilever, 54% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres. Nos cargos de diretoria, esse número sobe para 59%. E essa conquista não é de hoje: a meta global de ter metade dessas vagas ocupadas por mulheres foi superada em 2018. 

Mas ainda há muito para ser conquistado no mercado em geral.  Segundo dados do 9º relatório anual Mulheres no local de trabalho, estudo da McKinsey e da LeanIn.org, a participação de mulheres na alta liderança cresceu de 17% para 28% nos últimos oito anos. 

Mais do que estar preparada para os cargos de liderança, as mulheres precisam se sentir assim. Para mudar essa realidade, também é preciso que as empresas se envolvam nessa causa. A equidade de gêneros tem de estar no propósito da companhia e não ser tratado como assunto para mulheres. Os homens têm de se envolver na discussão dentro e fora da empresa, pois, enquanto o trabalho doméstico e o cuidado com a família recair mais sobre elas, vai ser muito difícil atingir esse equilíbrio.  

O apoio que recebi das mulheres que me ‘puxaram’ foi essencial e faz com que eu me sinta no dever de passar essa conquista para a frente. Se eu ainda sou a primeira mulher a ocupar alguns cargos de liderança por onde passo, quero ter a certeza de que não serei a última. Quando se fala em liderança feminina, a máxima “a palavra convence, o exemplo arrasta” se aplica perfeitamente. 

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