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Solução para as dores

CEO e fundadora da B2Mamy, Dani Junco aposta em inovação e tecnologia para ajudar mães em transição de carreira


7 de dezembro de 2022 - 13h17

Por Carol Scorce

Dani Junco: missão de gerar rendas para mães e organizar a comunidade (Crédito: Divulgação)

Era um feriado quando a CEO e fundadora B2Mamy, Dani Junco, falou com a reportagem do Meio & Mensagem. “Até às 8h30 podemos falar. Depois, ele (Lucas, seu filho) acorda e já era”, pediu a mãe e empresária. Não deveria ser diferente, afinal, dia de folga do trabalho é dia de ficar junto dos seus. Passamos um pouco do horário, e o motivo não poderia ser outro: “Minha mãe tirou meu filho e meu celular do quarto para que eu pudesse descansar”, conta, achando graça dos cuidados da mãe.

Trabalhar, ter uma carreira e ser mãe não deveria ser embaraço na vida de uma mulher, mas é. Dani se deu conta disso na gestação de Lucas, quando ou discutia sobre amamentação com grupos de pessoas muito específicos, ou falava sobre trabalho em outros. Nunca os dois assuntos ao mesmo tempo, com as mesmas pessoas. “Fiz uma publicação na época externalizando esse meu incômodo, e depois dos comentários marquei um café com outras mulheres que estavam vivendo a mesma questão. Esperava que aparecessem cinco mulheres, mas foram 80. Como pesquisadora, eu entendi que aquilo era um fenômeno social”, diz.

Os encontros se tornaram mensais, Lucas nasceu e Dani voltou ao trabalho. A cada conversa, a potência dessas outras mães ficava mais latente. A certa altura, o pequeno Lucas perguntou à mãe porque ela trabalhava, pergunta que escondia outra: o que você faz de tão importante que não consegue ficar comigo todo o tempo? O ponto de Lucas era crucial.

Durante uma imersão sobre inovação, a empresária – que é farmacêutica e antes de Lucas já empreendia – ouviu de um grupo de homens que não seria possível ser CEO sendo mãe. “Você será ou uma péssima CEO ou uma péssima mãe”, foi o que disseram. Não era sobre ela, Dani sabia. “Quando temos um problema, temos uma solução, e quando temos uma solução, temos uma possibilidade de negócio. Se o mercado não queria me acelerar, eu decidi que faria isso pelas outras mães.”

Ali já era um caminho sem volta. A cada trabalho, mais e mais possibilidades se somavam. O Google incubou a ideia por um tempo, e então nasce a casa B2Mamy, onde mães podem desenvolver suas carreiras, empreendendo ou não, na área de tecnologia e startups. E para uma mãe seguir adiante, o principal pilar é a comunidade.

Todos os dias, 70 mulheres passam pela casa, que fica em São Paulo. Todas estão em transição de carreira, e cada uma vai seguir a trilha que fizer mais sentido. Algumas vão empreender, criar negócios, outras vão fazer formação, mentoria, e tentar se recolocar no mercado de trabalho, e mais algumas vão desenvolver seus negócios e fazer parcerias.

A casa é aberta. Não tem catraca, ninguém pede carteirinha, boleto pago. As crianças, é claro, são bem-vindas. Melhor dizendo, elas são desejadas, e é comum que uma criança peça ajuda para a primeira mãe que vê pela frente. Mas talvez um dos momentos mais importantes que a casa oferece é o happy hour. “Uma mãe consegue equilibrar mil tarefas, a gente sabe, e ir trabalhar, mas o momento de descontração, de descanso, é absolutamente negado. Nós sabemos que a maioria dos negócios dos homens são pensados e fechados no happy hour, e por isso proporcionamos esse espaço também, que é um sucesso absoluto”, conta.

Assim como aconteceu com Dani, é comum que mulher que também é mãe empreenda na sua dor. Um dos casos de expressão incubados pela B2Mamy é uma startup que ajuda mães e pais a acharem escolas para os filhos. Segundo a CEO, é bom que assim seja, afinal, “esses produtos e serviços até hoje não foram pensados por nós, mas por homens, e é um mercado bilionário que precisa ser ocupado.”

Hoje a empresa se prepara para abrir casas em outros estados do país, com a meta de chegar em todos eles. Dani tem muito claro que sua missão é organizar a comunidade para acessar aquilo que não conseguem, cortar caminho, gerar renda para as mães. E vê, com serenidade, o filho Lucas explicar aos amigos que o trabalho da mamãe é ajudar outras mamães a trabalhar.

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