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Opinião

Uma nova era de liderança feminina

Se o livro "The Unsold Mindset" nos ensina algo, é que ser nós mesmas pode muito bem fazer de nós as melhores líderes que o mundo dos negócios já viu


23 de abril de 2024 - 9h45

Capa do livro “The Unsold Mindset – Redefining What it Means to Sell” (“A mentalidade não vendida – Redefinindo o significado de vender”, em tradução livre), de Colin Coggins e Garrett Brown (Crédito: Divulgação)

Sempre tivemos e reproduzimos, como cultura e sociedade, uma ideia clara do que significa ser um líder “eficaz”. Normalmente, essa imagem inclui uma dose de firmeza, uma pitada de autoridade inquestionável e, claro, uma certa frieza emocional.

Mas, lendo um dos livros que trouxe na mala pós SXSW, o que se descobre agora, especialmente por meio de insights da obra “The Unsold Mindset – Redefining What it Means to Sell” (“A mentalidade não vendida – Redefinindo o significado de vender”, em tradução livre), de Colin Coggins e Garrett Brown, é que talvez tenhamos celebrado os traços errados por todo esse tempo.

E se eu disser que as verdadeiras qualidades que fazem um líder transformador são aquelas que muitas de nós já possuímos naturalmente? Estou falando de empatia, colaboração e uma habilidade incrível de conectar-se verdadeiramente com as pessoas.

Em “The Unsold Mindset”, os autores falam muito sobre como os melhores “vendedores” são aqueles que desafiam os estereótipos. E este conceito se aplica diretamente à liderança feminina, onde qualidades frequentemente rotuladas como femininas,  como empatia, colaboração, intuição, ou mesmo sensibilidade,  estão provando ser as mais eficazes para liderar em tempos de mudança e incerteza.

Lendo o livro, quero dividir alguns insights principais com vocês, sobre como essas características estão redefinindo o conceito de liderança e por que, no final das contas, as mulheres podem estar na vanguarda de uma transformação empresarial e visão de gestão.

É comum uma mulher ser desacreditada por ser “muito emocional” ou “demasiadamente colaborativa”? Mas aqui está a verdade que “The Unsold Mindset” nos traz: essas supostas “fraquezas” são, na verdade, nossos maiores trunfos. Em um mundo que clama por autenticidade e conexão verdadeira, liderar com empatia e foco no coletivo são chaves para o sucesso. E as mulheres, bom, nós já estamos nesse jogo há muito tempo.

Vamos olhar os fatos: estudos mostram que times liderados por mulheres muitas vezes reportam maior satisfação e melhores resultados. Por quê? Porque abordagens que valorizam a inclusão e a sensibilidade às necessidades alheias criam ambientes mais saudáveis e produtivos. É a ciência confirmando o que já sabemos no fundo – para liderar bem, você precisa realmente se importar.

Um estudo realizado pelo Peterson Institute for International Economics analisou 21.980 empresas de 91 países e descobriu que a presença de mulheres em cargos de liderança corporativa está associada à maior lucratividade. Especificamente, as empresas com pelo menos 30% de mulheres em cargos executivos ou no conselho de administração tiveram um aumento de 15% na rentabilidade em comparação com empresas sem mulheres líderes.

Além disso, de acordo com uma pesquisa global realizada pela Gallup, equipes lideradas por mulheres têm maior probabilidade de estar mais engajadas. A pesquisa destacou que 35% dos funcionários gerenciados por mulheres demonstraram maior engajamento com a empresa e o trabalho, versus 29% dos funcionários gerenciados por homens.

Vou trazer uma história pessoal que já citei antes por aqui: quando meu pai faleceu, vi minha mãe tendo que assumir as rédeas da própria vida. Foi um processo duro, mas revelador. Ela aprendeu a gerir finanças, a tomar decisões importantes, e eu vi nela uma líder que nunca tinha percebido antes. Essa transformação pessoal é um microcosmo do que muitas mulheres estão fazendo pelo mundo afora, transformando desafios em oportunidades de crescimento e inovação.

O propósito aqui, então, não é nem tecer comparações de gênero. Mas dividir as reflexões que tive ao ler “The Unsold Mindset”, sobre como a autenticidade é aquilo que nos torna únicos e, realmente, é para onde devemos olhar sempre e com carinho.

A mensagem final que quero deixar é essa: ser líder é menos sobre seguir um molde pré-definido de padrões e comportamentos de liderança e mais sobre ser autêntico e adaptável às necessidades da sua equipe ou situação. Para nós, mulheres, isto significa abraçar nossas capacidades naturais.

E se “The Unsold Mindset” nos ensina algo, é que ser nós mesmas – com todas as qualidades que isso envolve – pode muito bem fazer de nós as melhores líderes que o mundo dos negócios já viu.

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