Cannes

AI-revoir

Até o ano que vem Cannes!

Dogura Kozonoe

Chief Creative Officer (CCO) da MRM Brasil 26 de junho de 2026 - 14h59

O Cannes Lions 2026 vai chegando ao fim.
E, com ele, ficam muitas dúvidas e certezas — bem mais dúvidas que certezas, na verdade.

Ao longo da semana, ficou claro que o clima em relação à AIestá mudando, e pouco se falou do trabalho em si. Como o Brasil foi menos premiado este ano, sinto que rolou menos comoção em torno da competição. Uma pena, porque houveramcases muito interessantes.

O Grand Prix de Creative Commerce é um ótimo exemplo. O Lucky Fan Index é uma ideia que une loyalty e CRM de maneira brilhante, partindo de um insight humano com o qual qualquer torcedor se identifica de cara.

Para transformar a clássica superstição de que tem “torcedor que é sortudo e trás sorte para o time” em algo totalmente mensurável, o clube polonês Wisła Kraków criou uma plataforma baseado em AI, que analisou 250 mil perfis de torcedores ao longo de 63 jogos em casa, cruzando o histórico de presença de cada um com mais de 200 métricas de desempenho em campo para gerar um score de sorte personalizado. Ao quantificar o lado puramente emocional do esporte com dados reais — premiando ainda mais quem estava no estádio em vitórias improváveis —, o projeto transformou espectadores passivos em participantes ativos da história do clube. Além de fidelizar, abriu novas frentes comerciais e redefiniu como o futebol pode usar CRM e tecnologia para engajar sua comunidade.

Uma ideia que tem a cara da MRM e que eu adoraria ter feito. Que baita inveja boa!

Mas, enquanto esse case era premiado, nas palestras e rodas de discussão a palavra da vez era outra: Agentes.

Será que no próximo festival veremos agentes tão integrados às ideias e citados de forma tão contextual que nem fará diferença se há AI envolvida ou não?

Será que as pessoas vão passar a usar mais os agentes do que os buscadores tradicionais, nos obrigando a criar agentes apenas para alimentar outros agentes com as marcas dos nossos clientes?

Será que as marcas vão se tornar agentes e ganhar uma “consciência” própria?

Será que terá um agente do Meio & Mensagem escrevendo esta matéria por mim?

Como eu disse no início, são mais dúvidas do que certezas.
Mas uma coisa é certa: o Cannes Lions segue sendo um festival especial que exalta uma indústria que se transformou profundamente nos últimos anos.

E que apesar de tudo, a gente sempre precisa celebrar.

Au revoir, Cannes.
Até o ano que vem!