Amazônia vira assunto para Itaú, Bradesco e Santander

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Amazônia vira assunto para Itaú, Bradesco e Santander

Enquanto a federação divulgou pesquisa sobre a percepção dos brasileiros quanto à região, os maiores bancos privados anunciaram os membros e metas do Conselho Consultivo Amazônia


28 de agosto de 2020 - 6h00

(Crédito: Apomares/iStock)

A preservação da Amazônia é uma preocupação forte dos brasileiros. E quem diz isso é a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) que, assim como seus associados, anda interessada no assunto, uma vez que as cenas e dados sobre destruição da floresta nos últimos meses viraram motivo de ameaça de fuga de investidores internacionais do Brasil e de cancelamento de acordos econômicos como o discutido com a União Europeia.

Assim, a Febraban divulgou esta semana uma pesquisa que apontou elevada consciência da população sobre a importância desse ecossistema para o País e para a sociedade. O levantamento Observatório Febraban, foi realizado entre os dias 11 e 19 de agosto com 1,2 mil entrevistados de todas as regiões.

Ao mesmo tempo, a população brasileira defende que o desenvolvimento e a preservação da floresta precisa ser um objetivo maior dos governos. A resposta governamental é vista como insatisfatória por 78% dos cidadãos ouvidos.

Segundo a entidade, o destaque do estudo foi a percepção de relevância da Amazônia, tanto para o País, como para as pessoas individualmente e suas famílias: 77% dos entrevistados consideraram a Amazônia “muito importante” para o Brasil, e 72%, para a sua vida e de sua família. Na mesma linha, é quase absoluta a concordância com a ideia de que a preservação da Amazônia é essencial para a identidade nacional, com 94% de concordância.

Entre as entidades que promovem a preservação da Amazônia, as que mantêm o nível de percepção de atuação mais altos entre o estudo são Lideranças Indígenas, com 73% de aprovação, e o Exército Brasileiro, com 69%. Seguem-se em terceiro lugar as Igrejas, com 62%.

Apesar da atuação dessas entidades, nos últimos dois anos o Brasil observou um aumento na velocidade do desmatamento da Amazônia, após décadas de desaceleração na derrubada da floresta.

Como consequência do desmatamento, os ouvintes da pesquisa identificam a ameaça à biodiversidade como a mais grave (34%), seguida das mudanças climáticas em geral (25%). A alteração do regime de chuvas no Brasil é o efeito nocivo mais relevante para 11% dos pesquisados. Danos à imagem do Brasil no Exterior (11%) aparecem com maior relevância que o receio de fuga de investimentos (6%).

A aproximação do público geral, e dos bancos em especial, com a Floresta Amazônica é um dos objetivos dessa nova pesquisa da Febraban, que realiza uma série de medidas para ampliar a aproximação dos bancos com a população e a economia real.

Sair da retórica

Também esta semana, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander anunciaram os sete integrantes do Conselho Consultivo Amazônia, criado por eles para apoiar a implementação de dez medidas propostas pelos bancos para impulsionar o desenvolvimento sustentável da região.

Especialistas em sustentabilidade dos três bancos formaram um grupo de trabalho, que já tem se reunido regularmente para propor ações concretas para a região. Segundo comunicado dos bancos, o grupo de especialistas do Conselho Consultivo Amazônia se reunirá a cada três meses para trazer reflexões sobre as dinâmicas da região e desafiar os bancos quanto à efetividade do impacto das ações propostas. Fazem parte do Conselho: Adalberto Luís Val, biólogo e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA); Adalberto Veríssimo, pesquisador associado e co-fundador do Imazon, um dos principais centros de pesquisa e ação estratégica da Amazônia, e diretor de programas do Centro de Empreendedorismo da Amazônia; André Guimarães, diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), co-facilitador da Coalizão Brasil Clima Florestas e Agricultura, foi vice-presidente de Desenvolvimento da Conservação Internacional (CI), gerente de projetos do Banco Mundial e entidades como o Instituto BioAtlântica (IBio) e Imazon; Carlos Afonso Nobre, cientista focado em estudos sobre Mudanças Climáticas e Amazônia e atual responsável pelo projeto Amazônia 4.0, de fomento à Bioeconomia e Bioindustrialização; Denis Minev, diretor-presidente das Lojas Bemol, co-fundador da Fundação Amazonas Sustentável, do Museu da Amazônia e da plataforma Parceiros pela Amazônia; Izabella Teixeira, bióloga e doutora em Planejamento Ambiental pela COPPE/UFRJ, ministra do Meio Ambiente de 2010 a 2016; Teresa Vendramini, pecuarista e socióloga, presidente da Sociedade Rural Brasileira.

Já as 10 metas do Plano Amazônia são:

1) Atuar visando ao desmatamento zero no cadeia da carne, reforçando diligências internas, apoiando a transição e articulando com empresas e associações para a criação de compromisso setorial.

2) Estimular cadeias sustentáveis, como as do cacau, açaí e castanha, por meio de linhas de financiamento diferenciadas e ferramentas financeiras e não financeiras.

3) Estimular o desenvolvimento da infraestrutura de transporte mais sustentável, como o hidroviário, com aplicação de metas ambientais, em troca de condições diferenciadas de financiamento.

4) Viabilizar investimentos em infraestrutura básica para o desenvolvimento social da região, como acesso à energia, internet, moradia e saneamento.

5) Fomentar projetos que visem o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental por meio de instrumentos financeiros de lastro verde, como o Pagamento por Serviço Ambiental (PSA) e Crédito de Carbono.

6) Incorporar os impactos das mudanças climáticas nas políticas de crédito e investimentos de longo prazo e dar ênfase a isso em nossos relatórios.

7) Ampliar o alcance de negócios que promovam a inclusão e a orientação financeira na região.

8) Articular e apoiar a implantação do sistema informatizado de registro de regularização fundiária.

9) Articular a criação de um fundo para atores e lideranças locais que trabalhem em projetos de desenvolvimento socioeconômico na região.

10) Atrair investimentos que promovam parcerias e desenvolvimento de tecnologias que impulsionem a bioeconomia.

 

*Crédito da imagem no topo: Sebastien Goldberg/Unsplash

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