Tendências: de pets eletrônicos a produtos para o pescoço

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Tendências: de pets eletrônicos a produtos para o pescoço

Realizado pela Fbiz, estudo Viramundo destaca transformações provocadas pela pandemia em pontos como relacionamentos, ambiente digital e consumo

Giovana Oréfice
11 de maio de 2021 - 6h00

Pets eletrônicos e relacionamentos amorosos despretensiosos são alguns dos destaques da sociedade que encara uma pandemia sem precedentes. É o que mostra o Viramundo, levantamento realizado anualmente pela Fbiz e que revela as principais modificações que vêm impactando as pessoas e o mercado no geral. Segundo Fernand Alphen, co-CEO e CSO da agência, os resultados mostram tendências que, nas mãos de marcas, são capazes de serem potencializadas e transformadas em grandes movimentos. 

 

Relacionamentos virtuais de curto prazo se tornaram comuns durante a pandemia (Crédito: Edward Jenner/Pexels)

À frente do projeto, Guilherme Paiola, diretor de estratégia da Fbiz, ressalta que a pesquisa indicou que saúde e bem-estar foram pontos altos durante a pandemia. Em janeiro de 2021, a declaração “preciso de terapia” foi postada 30 mil vezes no Twitter. O Viramundo chama a atenção ainda para um relatório do Pinterest, que registrou um crescimento de até 180% nas buscas sobre sobre yoga facial, máscara de aloe vera, maquiagem natural cotidiana e skincare caseiro. 

Além disso, ele destaca a importância do uso de máscaras na atenção que passou a ser dada para a área do pescoço, que ascendeu a procura por produtos “jeck”, da junção de jow e neck (maxilar e pescoço, em inglês). O fenômeno também é apontado pela agência como uma resposta ao tempo que se passa com a cabeça baixa devido ao uso de dispositivos eletrônicos, que passaram a ser os principais protagonistas da era da pandemia. No âmbito da tecnologia, a pesquisa indicou que 2020 foi o ano em que o mundo assistiu à popularização de assistentes pessoais, como a Alexa, da Amazon, e a Google Home.

“Quando a gente olha para as tendências desse cenário novo, nos surpreendemos bastante quando falamos do que vai ser dessa relação humana”, conta Paiola, fazendo referência ao termo digisexualidade. De acordo com o diretor de estratégia, o estudo provou que há uma ascensão dos relacionamentos que se iniciam – de forma online e à distância – sem que haja a pretensão de que evoluam, sendo apenas um ponto de apoio para um momento em que todos estão com o sentimento de frustração à flor da pele. A inteligência artificial é um dos aliados da substituição da presença física, com a viabilização inclusive de pets eletrônicos que possam suprir a solidão. 

A militância digital também foi registrada principalmente entre fãs de K-pop. O Viramundo nomeou o Twitter como a “grande arma dos militantes digitais”. Os amantes de bandas de pop asiático se unem através da rede social para promover boicotes às perseguições de liberdade política e racismo, e foram responsáveis até mesmo pela derrubada de comícios do ex-Presidente dos Estados Unidos Donald Trump.  

Porém, durante o ano de 2020, o isolamento social foi extrapolado pelas dores humanas. O assassinato de George Floyd em maio do ano passado deu início à uma série de protestos globais. No Brasil, acontecimentos locais como a morte de João Alberto em uma unidade do Carrefour, levaram a população para a rua. O formato do drive-thru passou a ser adotado para além da alimentação: carreatas puderam ser vistas em todo o país como alternativa àqueles que preferiram não se expor ao vírus mas ainda assim protestar de forma segura. 

”Vimos que o que torna esse protesto tão efervescente nesse período é de fato compreender que a vida está em risco por conta da pandemia ou por causa de um pensamento cristalizado racista”, diz Guilherme Paiola. “Então, acho que isso dá muito mais força e motivação para esses protestos. […] É curioso ver alguns protestos como a onda de carreatas que passamos lá atrás. Mostra essa necessidade do protesto acontecer”.

Entendendo o consumidor

A modificação do consumo, que migrou em grande parte dos meios físicos para os digitais, também foi um ponto abordado pelo Viramundo 2021. Com a hibridização das relações comerciais, a Fbiz aposta nos formatos de omnichannel e social commerce com os canais digitais ganhando força em praticamente todas as áreas do comércio. Ainda nesse sentido, o chamado “cookieless world” aponta para as mudanças geradas pela implementação da LGPD e da RGPD, evidenciando a busca de métodos alternativos para a coleta de dados dos usuários. 

O papel das marcas frente à pandemia foi outro ponto questionado pelos consumidores. O diretor de estratégia Guilherme Paiola fala que o aumento da representatividade do e-commerce foi impulsionado pela mudança da jornada de consumo. “A ausência de pontos de contatos, físico ou seguros, fizeram com que, de fato, se perdesse uma camada de contato com as coisas”, afirma. “O que se espera das marcas é que elas ajudem o consumidor nesse momento de consumo em como a experiência vai ser transposta para esse novo cenário, e isso é algo que tende a criar novas raízes”, acrescenta. Ele diz ainda que a nova camada de experiência será composta pela imersão com os produtos e serviços oferecidos pelas empresas.

*Crédito da imagem de topo: piranka/iStock

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