Para brasileiros, mulheres ainda são retratadas em papéis tradicionais na mídia

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Para brasileiros, mulheres ainda são retratadas em papéis tradicionais na mídia

Pesquisa da ONU Mulheres, com apoio de J&J, Kantar, P&G e Unilever, evidencia regressão de igualdade de gênero ocorrida durante período da pandemia em âmbito global


20 de junho de 2022 - 10h07

Apesar de apresentar avanços significativos nas últimas décadas, a igualdade de gênero parece ainda caminhar em patamares lentos para a importância da pauta na atualidade. Em parceria com a Johnson & Johnson, Kantar, Procter & Gamble e Unilever, a ONU Mulheres realizou um levantamento sobre o tema em 20 países e constatou que, ainda que a população reconheça o significado da evolução do assunto em suas nações, pensamentos contrários também prevalecem, como resultado de uma regressão, concomitante com a pandemia da Covid-19.

Intitulado The Levers of Change: Gender Equality Attitudes Study 2022, os resultados do estudo foram divulgados durante o Festival Cannes Lions.

 

(Crédito: Dilok Klaisatapor/shutterstock)

Em alguns âmbitos, o recorte brasileiro mostra uma percepção positiva: 86% dos respondentes acreditam que a equidade de gênero é algo essencial no tratamento de homens e mulheres. Em relação ao trabalho, 80% concordam com o fato de que um bom salário é a melhor forma de mulheres serem independentes, mas a crença de que homens devem receber mais que mulheres em um mesmo posto e de que elas não devem ganhar mais que seus maridos ainda existe para, respectivamente, 12% e 13,2% dos entrevistados. 

37% afirmam que elas devem trabalhar menos para se dedicarem à família e 19% apontam que o papel da mulher é cuidar de assuntos de casa enquanto homens devem ser os provedores financeiros. Nesse sentido, mais da metade (54,7%) dizem que, quando as mães trabalham para ganhar dinheiro, as crianças sofrem, enquanto em relação ao pai, a porcentagem cai para 29,9%. Contudo, 94,5% indicam que, no futuro, deverá importar a equidade de pagamentos, a despeito do gênero do colaborador. 

A percepção pode ser vista na mídia. Quase 77% acham que a mídia brasileira retrata o papel feminino em termos tradicionais, como mães, esposas e cuidadoras, e homens em situação de poder, sendo representados como provedores, líderes e executivos – este sendo o discernimento de 72,5% da amostragem ouvida pela pesquisa. 

O caso não é uma exclusividade brasileira: a média global se mantém em 68% acerca da percepção de que mulheres ainda são retratadas de maneira tradicional, o que representa um aumento de 14 pontos percentuais em relação ao resultado obtido em 2018. O pensamento em relação ao papel do homem em posições de poder fica em 72%, alta de 20 pontos percentuais quando comparado também ao estudo realizado há quatro anos.

A pesquisa também refletiu sobre segurança e liberdade sexual. Cerca de 40% das mulheres declararam se sentir inseguras em casa, e mais de 50% têm o mesmo sentimento no que diz respeito a espaços públicos. A ONU Mulheres alerta para o fato de que a porcentagem é alta em relação aos demais países consultados. Já no que diz respeito a relações sexuais, o levantamento mostra que 10% não concordam que mulheres devem ser livres para recusar relações com seus maridos ou parceiros e a mesma quantidade diz que existem circunstâncias aceitáveis ​​para que haja agressão de cônjuges ou parceiros.

Em âmbito mundial, a porcentagem para este último quesito fica em 19%, com destaque para a Índia, Suécia e Estados Unidos. A disparidade se coloca com aumento de dois pontos comparado a 2018.

Traçando um panorama para o futuro, grande parte acredita ser importante que mulheres tenham mais oportunidade no mercado de trabalho e na política (93,6% e 89,3%, respectivamente). Um alto contingente, de 92,6% e 95%, tem a crença de que deverá haver mais acesso de mulheres à educação superior, bem como mais respeito a elas em todas as áreas. 

A reflexão acerca de tempos de crise também gera surpresas. Nos 20 países consultados pela ONU Mulheres e pelas companhias participantes, 25% concordam que em tempos de escassez de alimentos, a prioridade deve ser dada aos homens. O percentual é ainda maior quando o tema muda para a falta de trabalho, para 31%, o maior direito às vagas também deve ser direcionado à força masculina.

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