A força do atacarejo na crise

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A força do atacarejo na crise

Seria a tempestade perfeita que abala a economia nacional, contraditoriamente, uma espécie de céu de brigadeiro para os atacarejos?


27 de abril de 2016 - 10h18

No final de semana passado, enquanto esperávamos a pizza do sábado à noite chegar em casa, minha esposa e eu conversávamos sobre oportunidades e saídas para manter o orçamento doméstico sob controle, em meio à escalada de preços que alguns economistas e índices de inflação apontam ter atingido o ápice, mas cujos reflexos não são ainda tão perceptíveis para quem empurra o carrinho pelos corredores de supermercados pelo menos uma vez a cada sete dias, como é o caso em minha família.

atacarejo

Os atacarejos ampliaram a oferta de sortimentos tanto no que diz respeito a novos produtos quanto a tamanhos de embalagens

Dentre as soluções aventadas para economizar em determinados itens da nossa cesta para equilibrar as contas que não permitem cortes tampouco negociações, surgiu a hipótese de trocarmos tanto o formato do ponto de venda quanto a frequência com que o visitamos.

A pizza chegou e, no pacote, como brinde, veio a revista Veja. Apesar de ser a véspera da votação que autorizou a continuidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, confesso que, de bate-pronto, a capa da Veja São Paulo concentrou a minha atenção por um tempo mais longo. Sob a chamada “Carrinho mais econômico”, a matéria revelou como os chamados atacarejos têm atraído cada vez mais consumidores finais em busca de uma melhor relação entre custo e benefício em tempos de dinheiro curto, nos quais todo mundo tem um ajuste fiscal para chamar de seu.

Desde o começo do mês, coincidentemente, a repórter Roseani Rocha se lançara em uma apuração sobre as novas estratégias de atração e conversão dos atacarejos, sob o viés não apenas do preço, mas também de posicionamento de marca, comunicação, distribuição — enfim, todas as nuances do marketing, como apenas o Meio & Mensagem pode oferecer ao público especializado.

O segmento, que movimentou quase R$ 60 bilhões em 2015, tem acelerado sua expansão em diversas frentes. Geograficamente, os líderes investiram para levar suas bandeiras a novas regiões do País e também em melhores localizações dentro de áreas nas quais já estavam presentes, com a finalidade de agregar valor em termos de conveniência.

Ainda para surfar a onda do aumento da frequência do consumidor final, ampliaram a oferta de sortimentos tanto no que diz respeito a novos produtos quanto a tamanhos de embalagens. Tais variações são fundamentais para ganhar a preferência de outro público que tem movimentado os caixas do segmento: com o desemprego em alta, muitas pessoas buscam no empreendedorismo uma alternativa para a dificuldade de recolocação, e boa parte delas tem o ramo de alimentação como foco.

“O segmento, que movimentou quase R$ 60 bilhões em 2015, tem acelerado sua expansão em diversas frentes. Geograficamente, os líderes investiram para levar suas bandeiras a novas regiões do País e também em melhores localizações dentro de áreas nas quais já estavam presentes, com a finalidade de agregar valor em termos de conveniência”

Com tantas variáveis positivas, seria a tempestade perfeita que abala a economia nacional, contraditoriamente, uma espécie de céu de brigadeiro para os atacarejos? Há quem discorde, e o porquê, caro leitor, você confere na ótima reportagem assinada por Roseani e publicada nas páginas 26 e 27 da edição 1707, de Meio & Mensagem.

Fato é que os atacarejos parecem se encaixar no cenário contemporâneo do consumo descrito por nosso articulista David Laloum, em sua coluna mensal — e isso pouco ou nada tem a ver com a crise brasileira atual. Ao dissertar sobre as condições fundamentais que levam o consumidor passivo a assumir postura que o transforma em usuário ativo, ele defende que a tecnologia tem invertido a direção do pêndulo da relação entre marcas e pessoas, que começa a tomar o rumo da funcionalidade, após anos voltado para o lado emocional.

Essa jornada de valorização de o quê produtos e serviços podem oferecer em detrimento da imagem que projetam é, segundo Laloum, fruto da ascensão de “uma geração que admira seus pares e precisa de cada vez menos logotipos para expressar ao mundo quem é”. Depois desse teaser, fico por aqui — mas recomendo que você leia o artigo de Laloum na íntegra.

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