A criatividade é a mãe da transformação

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A criatividade é a mãe da transformação

Há um número razoável de processos criativos bem estruturados, que foram exaustivamente testados e comprovados pela nova indústria, criados justamente para serem os motores da mudança


17 de junho de 2019 - 16h12

(Crédito: Cred Scyther5/iStock)

Hoje não há nada mais fundamental que impulsionar criatividade no cotidiano de seus negócios. No entanto, muitos entendem a tentativa de acrescentar novas maneiras de pensar como um desafio paralisante, perdendo oportunidade atrás de oportunidade. O movimento não é mesmo fácil muitas vezes, mas pode ser promovido com metodologias criativas que impulsionem a colaboração e a incorporação de novos pontos de vista.

A verdade é que a cultura produtiva emergente vem apresentando, por alguns anos, maneiras efetivas de acelerar o potencial criativo em organizações de qualquer natureza. Há um número razoável de processos criativos bem estruturados, que foram exaustivamente testados e comprovados pela nova indústria, do design thinking aos sprints, criados justamente para serem os motores da mudança. São metodologias que promovem de maneira sistemática a abertura de organizações a talentos criativos externos em pequenas janelas de tempo, suficientes para renovar a percepção de oportunidades.

Nos quatro anos em que estive com o Facebook, supervisionei, liderei e participei de dezenas de sessões de cocriação rápida em que vi, repetidamente, o poder transformador da colaboração entre diferentes disciplinas criativas, diferentes unidades de negócios e mesmo diferentes indústrias. É impressionante ver um time de executivos sair de uma imersão de algumas horas, com a solução de um problema que parecia inquebrável há tempos, ou com a percepção clara de novas oportunidades que simplesmente não estavam no radar no dia anterior.

Se abrirmos o escopo criativo de uma organização, incluindo um pouco de diversidade cognitiva, podemos dar mais dimensão ao trabalho, tornando tudo mais rico e fluido. A contínua expansão das categorias no Cannes Lions e sua abertura a novos perfis criativos mostra um movimento significativo do maior evento da indústria nesta direção.

Outra referência, a lista dos 100 Mais Criativos Nos Negócios de 2019 da revista Fast Company, foi publicada há algumas semanas. Para a confecção do grupo, os critérios são mais amplos que os nossos festivais de criatividade — cada um dos nomes no ranking criou algo sem precedentes, com impacto demonstrável, “visionários trabalhando em todas as indústrias imagináveis, de inteligência artificial à moda à primatologia”.

Na lista, um nome bastante conhecido na nossa indústria, Fernando Machado, do Burger King, que dispensa qualquer apresentação, já que tem exposto generosamente seu algoritmo criativo para o mercado. O grupo traz outro perfil brasileiro, um pouco menos conhecido em nosso meio — Mariana Vasconcelos, fundadora da Agrosmart, um sistema de inteligência artificial que oferece a agricultores maior controle sobre processos como irrigação ou monitoramento de colheita. O que isso tem a ver com nosso dia a dia? Muito, se considerarmos que a pegada da Agrosmart é permitir que agricultores usem critérios elaborados que os levem “além da sua própria intuição e a influência da decisão dos vizinhos”. Isso muda tudo. Soa familiar de alguma maneira?

Mesmo se quisermos restringir a área de atuação de um time por conveniência cultural, foco estratégico ou modelo de negócio, uma verdadeira abertura criativa ainda faz muito sentido. Machado não está na lista da Fast Company por manter uma atitude conservadora ou operar com aversão ao risco. Muito ao contrário, pilota um time que atua com irreverência e escolhe muito bem os parceiros criativos externos.

Outra lista publicada pela Fast Company, a das 50 Companhias Mais Inovadoras do ano, “negócios que lideram seus campos e estão transformando o mundo”, apresenta um representante brasileiro, o Nubank, “por trazer soluções bancárias para populações que tradicionalmente não podiam ter acesso aos cinco maiores bancos no País”. O princípio do serviço é a extensão de princípios básicos da indústria de softwares e aplicativos para toda a experiência financeira: a simplicidade obsessiva e a geração de um fluxo de uso sem atritos. Na percepção de seus clientes, isso se traduz como transparência, acessibilidade e facilidade.

Tem alguma coisa que podemos aprender com a Agrosmart ou com o Nubank? Claro que sim. Não há outra posição para navegar o ambiente em transformação além do seu centro e a criatividade é a fonte primaria desse fluxo. Conectar-se temporariamente com talentos de outras áreas, importar soluções e testar novas ideias em ambientes controlados é uma proposição muito tentadora. Considerando os saltos qualitativos que essas metodologias proporcionam com investimento pequeno de tempo e recursos, vale a pena experimentar a intensa energia criativa que elas oferecem.

*Crédito da foto no topo: Reprodução

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