As marcas e o papel na luta antirracista

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As marcas e o papel na luta antirracista

É necessário entender que pautas de igualdade não são apenas parte de um movimento cíclico que traz tendências à tona sazonalmente


5 de agosto de 2020 - 12h50

(Crédito: Guillaume Issaly Grje/ Unsplash)

No fervor dos anos 1950 e 1960, a revolução do movimento dos direitos civis trazida por Martin Luther King Jr. nos Estados Unidos – que, de fato, tomaria proporções mundiais, trouxe a tona não somente questões referentes a igualdade de direitos, mas também discussões em torno de como a sociedade deveria repensar determinados atos que seriam considerados como um reinforcement de uma consciência de desigualdade já ultrapassada.

 Neste esteio, as marcas, bem a forma como a forma como se colocam no mercado – seus rótulos, slogans, entre outros, procuraram seguir as mudanças – mais do que bem-vindas – provocadas em uma sociedade que, enfim, poderia começar a enxergar um futuro mais igualitário. Contudo, mesmo 60 anos depois, muitas empresas continuaram a manter padrões distantes dos gritos das ruas e das novas políticas públicas implementadas. Exemplos como o famoso time de futebol americano Washington RedSkins – uma referência a população nativa americana questionada por esta – ainda continuam pendentes na Suprema Corte do país.

Nos últimos meses, a morte de George Floyd, assassinado por um policial na cidade de Minneapolis, não somente reacendeu a fogueira de novas discussões em um mundo novamente polarizado, mas também trouxe a superfície uma maior pressão – por conta de uma sociedade de fato mais conectada – de que pessoas públicas (de figuras políticas a digital influencers) adotassem um posicionamento mais eficaz em prol das bandeiras de igualdade.

Do uso de hashtags como a #BlackLivesMatter, a movimentos on-line, muitas das empresas passaram a repensar a forma como estavam posicionando suas marcas no mercado, em uma mudança de foco que finalmente saiu de palavras e postagens para políticas afirmativas. A gigante de alimentos Quacker Oats, por exemplo, decidiu retirar de circulação e mudar a famosa marca de mix para panquecas “Aunt Jemima”, que, por mais de um século, se baseou em um estereótipo de raça inadequado. O mesmo para a famosa marca de arroz “Uncle Bens” – altamente comercializada no território brasileiro – entre outras.

De mesmo modo, a indústria cosmética também fez novas apostas adotando não somente práticas antirracistas como de incentivo a uma maior aceitação da beleza natural de seus consumidores. A L’Oreal decidiu, recentemente, por tirar de seus produtos quaisquer referências ao potencial “branqueador” destes. Vocábulos como “whitener” ou “fair” deixarão de circular em breve.

 Apesar da “luz no fim do túnel”, cumpre destacar que tais políticas devem ser não somente adotadas como o discurso precisa ser, de fato, mantido. E necessário entender que pautas de igualdade, seja para questões raciais, de gênero ou sexualidade não são apenas parte de um movimento cíclico que traz tendências à tona sazonalmente. E importante que as marcas saibam trabalhar não só em suas novas facetas respeitando a diversidade de seus consumidores, mas também em como farão para manter tais padrões. Mais do que metas de consumo, a palavra-chave do branding em um mundo pós pandemia – e menos desigual – deve ser a ética.

*Crédito da foto no topo: Unsplash

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