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Talentos empreendedores

Na ausência de outros palcos, interditados pela pandemia, músicos, atores e influenciadores direcionam energias para negócios digitais e abrem agências próprias, que atraem marcas em busca de diálogos mais autênticos com o público


13 de setembro de 2021 - 14h14

Elton John e Lil Nas X, em ação do Uber Eats (Crédito: Reprodução)

Elton John com a famosa roupa rosa de cowboy de Lil Nas X e o rapper com o icônico traje de penas arco-íris do cantor inglês divertiram muita gente na semana passada ao surgirem assim na campanha “Tonight I’ll Be Eating”, da agência Special Group para Uber Eats. A troca de trajes, sugerida por John, segundo consta, dá um tom ainda mais curioso à série da marca, que destaca as diferenças nas preferências culinárias e já reuniu anteriormente outras duplas inusitadas da cultura pop, como Mark Hamill, de Star Wars, e Patrick Stewart, de Star Trek.

Publicidade e entretenimento sempre andaram juntos. E se retroalimentam. A evolução dessa relação nos últimos anos, inclui um maior envolvimento de artistas na criação e produção de ações de comunicação para as marcas, que, por seu turno, enxergam nesses parceiros a possibilidade de criarem algo único e, assim, tentarem estabelecer diálogos mais autênticos com o público em geral ou com nichos específicos. No Brasil, há uma onda de artistas  montando agências próprias, que, muito mais do que administrar suas carreiras e produzir conteúdo para seus perfis nas redes sociais, pretendem criar projetos multiplataformas junto com as marcas, sem, com isso, excluir as parceiras tradicionais de publicidade dos anunciantes. Nos últimos anos, a repórter Thaís Monteiro acompanhou esse movimento de perto, e agora assina a reportagem, que merece o destaque principal na capa da edição semanal e debate as motivações dos artistas para empreender nesse ramo e o misto de concorrência e colaboração que isso representa para as agências já estabelecidas.

Na raiz da mudança que transforma músicos, atores e outros influenciadores de meros garotos-propaganda em cocriadores de estratégias e conteúdos de marketing há movimentos acentuados pela pandemia. Um deles é a temporária diminuição no campo de ação de muitos artistas, impedidos de levar adiante projetos tradicionalmente rentáveis, como as apresentações ao vivo. Portanto, foi uma saída natural para muitos o direcionamento de energias para o potencial do universo digital.

Por outro lado, o incremento no tempo que os consumidores passam online fez crescer a quantidade de pontos de contato e interações do público com as marcas, especialmente nas plataformas digitais de mídia, entretenimento e relacionamento. A busca dos anunciantes por estabelecerem conexões aumenta a demanda por mensagens capazes de atrair atenção e direciona verbas para as mídias que capturam audiência por mais tempo. A internet foi o meio de comunicação mais beneficiado nesse período: segundo dados do Cenp-Meios, seu share saltou de 22% no primeiro semestre de 2020 para 28% no mesmo período de 2021, o que significa crescimento de 62% ante avanço médio de 29% do investimento total em compra de mídia que passou pelas agências incluídas no levantamento.

Reportagem da editora Bárbara Sacchitiello analisa que, para falar com muitos brasileiros, a mídia digital, levada sobretudo por celulares, passou a ser a primeira opção — senão a única —, embora a TV aberta ainda mantenha a maior fatia do bolo, com 53% de share. Apesar de considerarem a atipicidade do momento, os analistas ouvidos creem que o vigor da internet não irá arrefecer, nutrido pela sedimentação dos hábitos de consumo digitais, pela dominância das estratégias de performance em um grupo crescente de anunciantes e pelas características de agilidade e flexibilidade que o meio permite às mensagens das marcas e às negociações de compra de mídia.

Por fim, publicidade e entretenimento são também o fundamento que fez proliferar os negócios do grupo Dreamers, presidido por Rodolfo Medina, entrevistado pela editora Isabella Lessa . Maior player de capital nacional do mercado de serviços de marketing, o conglomerado inclui a agência Artplan, o Rock in Rio e uma quantidade crescente de startups. Apesar da capilaridade, que vai além da publicidade e do entretenimento, Rodolfo frisa que há clareza de que as empresas do grupo não são suficientes para tudo e que para navegar no mercado atual é preciso estar aberto para cocriar com os clientes, outras agências, produtores e criadores de conteúdo.

*Crédito da foto no topo: iStock

 

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