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Opinião

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Mesmo preservando sua estrutura seletiva original, Caboré expressa mudança da indústria em questões como equidade de gênero, diversidade e inclusão racial


15 de dezembro de 2021 - 14h51

Premiados do Caboré 2021 (Crédito: Eduardo Lopes/Máquina da Foto)

É raro um evento de premiação da indústria de comunicação, marketing e mídia conseguir se manter relevante por décadas, sem mudar suas características originais e, mesmo assim, continuar atraindo a admiração das novas gerações. Pelo que se confirmou no Clube Atlético Monte Líbano, em São Paulo, na semana passada, o Caboré é uma exceção. De volta à casa onde nasceu em 1980, quando foi lançado com a finalidade de homenagear contribuições relevantes para o avanço do mercado, a 42ª edição foi palco de vários feitos emblemáticos, que apontam para um futuro que tarda em ser presente.

O Caboré preserva uma estrutura muito parecida com a original. Seis das 14 categorias são rigorosamente as mesmas nas 42 edições já realizadas. Porém, se desde muito cedo o evento ocupou o espaço de principal reconhecimento a profissionais e empresas do setor, durante sua trajetória acompanhou a evolução do mercado, adaptando e instituindo categorias, contudo sem se render à tentação de inflar exageradamente a concessão de troféus. Assim, virou um oásis entre premiações da indústria que morreram ou perderam relevância com o passar dos anos. Evidentemente, a credibilidade não se sedimenta por benevolência, mas sim em práticas como auditagem independente da PwC, voto único atrelado ao CPF (só pessoas físicas conseguem votar, mesmo nos casos de assinaturas corporativas) e participação restrita a assinantes ativos antes da divulgação da lista de indicados (o que impossibilita o investimento de concorrentes em novas assinaturas para aumentarem seu potencial de vitória). Com esse embasamento, o Caboré se transformou, ele próprio, em um exemplo da resiliência da indústria, capaz de vencer obstáculos desafiadores em ambientes de negócios por vezes hostis, assim como fazem profissionais e empresa que o prêmio homenageia todos os anos.

Outro aspecto muito significativo, e que vem ganhando força nos últimos anos, é o feito de contemplar pluralidade em um evento seleto por natureza. A edição 2021 foi pródiga nisso, com uma lista de indicados marcada por renovação e participação de empresas e profissionais que, por um lado, representam as demandas atuais de equidade de gênero, diversidade e inclusão racial, e, por outro, espelham variedade em campos de atuação, com a presença de nomes atuantes em mercados em expansão, como os de marketing de influência, criação de conteúdos de entretenimento e oferta de modelos alternativos de negócios. O processo de consulta ao mercado para embasar a lista de indicados definida pelos editores do Meio & Mensagem foi ampliado neste ano, com abertura a indicações de todos os assinantes integrantes do Círculo Liderança.

Entre os premiados, há novo recorde de mulheres vencedoras: elas ganharam em sete das oito categorias destinadas a profissionais. E duas ganhadoras são negras. Ao receber a coruja de Profissional de Planejamento, Gabriela Rodrigues, head de cultura e impacto da Soko, disse se sentir “apoiada por misturar as áreas e construir a inclusão da vida real” e se apresentou como mulher negra, homossexual e desbocada, o que, para ela, reflete sua “vontade de mudança”. Vencedora como Profissional de Inovação, Samantha Almeida, diretora de criação na Globo, pediu “intencionalidade com ação” para acelerar transformações que ainda avançam lentamente: “as mudanças não acontecem se nós não fizermos as mudanças acontecerem”.

São exemplos de que o Caboré sintetiza movimentos relevantes, reforça tendências inexoráveis e segue iluminando referências e construindo reputações. À sua missão principal de destacar profissionais e empresas que contribuem para a comunicação mercadológica capaz de influenciar positivamente o desempenho de grandes marcas e, assim, impactar o consumo e os hábitos do público, o Caboré 2021 adicionou definitivamente o propósito de indutor do papel transformador da indústria, com intencionalidade.

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