Eleições X Rede Sociais: uma mistura que merece cautela

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Opinião

Eleições X Rede Sociais: uma mistura que merece cautela

Apenas com conteúdo de qualidade e verídico é possível formar a opinião de uma forma realmente livre


11 de maio de 2022 - 6h00

45% dos brasileiros afirmaram ter levado em conta as redes sociais para decidirem o seu voto, segundo pesquisa divulgada em 2019 pelo Instituto DataSenado (Crédito: Evandro Leal/ Agência Freelancer/ Folhapress)

A propaganda eleitoral no rádio e na TV tem suas definições específicas em relação ao tempo disponível para cada candidato, porém, em uma outra plataforma de comunicação, todos correm em pé de igualdade na busca pela proximidade com o eleitorado. Ainda que nos meios de comunicação tradicionais o tempo de propaganda política seja um fator poderoso na hora de definir o voto do brasileiro, as mídias sociais têm sido uma crescente fonte de informação para o eleitor, e muito do que gera atenção no meio virtual acaba virando notícia nos meios de comunicação tradicional. Dessa forma, as campanhas têm usado as mídias sociais como ferramenta estratégica para chamar a atenção dos eleitores.

De acordo com uma pesquisa divulgada em 2019 pela Agência Senado, do Instituto DataSenado, 45% dos brasileiros afirmaram ter levado em conta as redes sociais para decidirem o seu voto e 80% dos participantes do levantamento afirmaram ver grande influência das redes na opinião política das pessoas. Nas últimas eleições, foi facilitado o compartilhamento de notícias através das redes sociais. Por conta do olhar não regulamentado no Brasil, o que facilitou ainda mais o processo de pulverização de informações de interesse de grupos articulados e financiados para uso de Fake News. Disso surgiu a CPI, que apura a existência do “gabinete do ódio” confirmada pela PF em relatório.

Brasil em 3º lugar no uso de redes sociais no mundo

Nesse sentido, cabe a pergunta: as mídias sociais são um ambiente representativo da população brasileira? De acordo com um estudo que reuniu dados da Hootsuite e WeAreSocial, o Brasil ocupa o 3º lugar dos países que mais usam as redes sociais, com uma média de 3 horas e 42 minutos por dia. Em contrapartida, segundo a Pesquisa Brasileira de Mídia, 34% dos brasileiros ainda não possuem acesso à internet. Dos que acessam a rede, uma grande maioria são homens, e, em boa parte nos grandes centros urbanos do país — principalmente da região Sudeste. Se considerarmos somente esses critérios, podemos afirmar que não é um ambiente representativo do eleitor médio brasileiro. Para além disso, muito do que acontece na internet demanda um olhar mais apurado, além de não representativo, muitas vezes o debate tem a influência de usuários falsos.

Tradicionalmente, uma boa campanha política é eficaz quando consegue chamar a atenção. Por isso, no Brasil, o tempo disponibilizado na televisão é um fator-chave para eleger um candidato. Em tempos de mídias sociais, a atenção não é uma variável tão linear como na televisão. Ela é gerada pelo alcance e pelas reações dos usuários aos posts, seja por likes ou compartilhamentos, e pode vir de usuários reais ou falsos. Perfis falsos — sejam eles operados por pessoas ou de forma automática (bots) — ou a automatização de mensagens de perfis verdadeiros são estratégias cada vez mais usadas para gerar essa atenção de forma artificial.

Plataformas sociais dificultando o mal uso

Este ano, temos mais um ano eleitoral pela frente. Certamente, as redes sociais seguirão como grandes personagens para a campanha eleitoral. No entanto, é esperado uma menor facilidade para o uso de estratégias inadequadas para a manipulação do povo, pois as plataformas sociais estão investindo cada vez mais em mecanismos para barrar falsos conteúdos e perfis. De certa forma, é preciso apostar nos recursos de denúncia das próprias plataformas que são os canais oficiais e mais rápidos para que conteúdos sejam banidos antes de ter alcance significativo.

As plataformas das redes sociais têm colocado mecanismos de denúncias e bloqueios de campanhas eleitorais patrocinadas, mas temos um longo caminho ainda no combate às Fakes News. Não há uma legislação que possa inibir os autores e ainda, de certa forma, a política de privacidade protege algumas ações fazendo com que o discurso sobre o sigilo seja mais forte que o próprio crime. As empresas como Meta (detentora do Facebook, Instagram e WhatsApp), Twitter e Microsoft (detentora do LinkedIn) possuem algoritmos com AI (inteligência artificial) que filtram alguns padrões e comportamentos ofensivos, mas ainda muita coisa pode ser feita somente com um trabalho manual do time de revisores, “assim chamados na equipe de suporte de denúncias”. É possível deletar conteúdos, punir contas com exclusão e chegar com muita sorte a rastrear a origem.

Usuários de Redes Sociais mais atentos

Apesar de tais esforços, todo cuidado nessas plataformas é válido, sempre é bom checar as informações através das pesquisas ao receber conteúdos de fontes duvidosas e, principalmente, a busca por informações em canais boa procedência. Apenas com conteúdo de qualidade e verídico é possível formar a opinião de uma forma realmente livre. Apesar de ser difícil saber o limite das redes, cabe a cada um ter a coerência de como dedicar melhor o seu tempo e sua atenção na internet, é preciso medir e avaliar sempre com olhar crítico aquilo que parece ser sensacionalista.

Além disso, o usuário de redes sociais deve tomar muito cuidado ao se posicionar politicamente em posts (compartilhamentos e interações), pois correm o risco de comprar uma briga que não é sua, ser mal interpretado e ainda comprometer sua divulgação pessoal como profissional. O respeito a opiniões dos outros é uma importante premissa da comunicação. Já os profissionais e empresas que são ativos em seus perfis da internet com fins comerciais, devem entender que produtos e serviços, apesar de muitas vezes estarem ligado a crenças e valores, devem ser comunicados com a neutralidade devida, condizente a uma boa estratégia de marketing.

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