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Opinião

Quem escreve o futuro

Quem está na sala quando discutimos o futuro? Está todo mundo aqui para construir este futuro criativo, diverso e inclusivo?


11 de abril de 2022 - 0h34

(Crédito: melitas/Shuttersotck)

“Retornar ao passado para ressignificar o presente e construir o futuro” (Abdias Nascimento). Algumas sabedorias milenares podem facilmente ser aplicadas a qualquer dimensão da vida, inclusive aos temas mais quentes do momento. O futuro do trabalho, o futuro do planeta, o futuro da comunicação. Estamos o tempo todo discutindo o futuro, principalmente, agora, após dois anos de pandemia que nos catapultou para um futuro que não era assim tão próximo. Mas, qual é esse futuro que estamos construindo?

Metaverso, NFTs, creators economy, social commerce, diversidade, ESG… Os temas emergem, ganham os editoriais, os eventos, as conversas nas redes, os grupos de WhatsApp, nossas companhias. E isso tudo converge em um mundo incerto, marcado por cisões sociais profundas, de hiper-informação, onde três segundos se tornam a fronteira entre o sucesso da atenção ou  “bounce rate”.

Qual é o fio condutor, o ponto de conexão onde os temas do momento se encontram – ou de onde deveriam partir – e qual é o impacto disso sobre o futuro? Talvez não haja resposta única. Mas, esta reflexão aqui parte de um lugar: tudo isso converge em pessoas.

É  a partir das pessoas que deveríamos pautar nossas soluções e discussões sobre o futuro. Que tal transformarmos a expressão “consumer centric” em “people centric”? A palavra “consumidores” presume relações transacionais, mas no fundo buscamos relacionamentos mais perenes que um clique, um desembolso, uma incidência etc. Queremos conhecer, nos relacionar, gerar valor, conectar propósito, ter relevância. E isso demanda conhecimento. Conversar, ouvir, compreender realidades distintas e todas suas possibilidades de existir. A tal pluralidade.

E, aqui, mora um detalhe importante: pessoas não são diversas. Pessoas são… pessoas. Parece óbvio, mas sempre vale a pena repetir. Reconhecer isso significa assumir singularidades, particularidades, sonhos, aspirações e, admitir de maneira muito vulnerável que, talvez, nossas soluções únicas e tradicionais, nossa perspectiva majoritariamente “sudestina” talvez não dê conta de abarcar todas as pessoas, ainda mais em um país de 220 milhões de habitantes e quase do tamanho da Europa.

Devemos assumir que, somente trazendo para a mesa de decisão pessoas com diferentes perfis, repertórios e backgrounds – e com muita capacidade de escuta ativa — é que conseguiremos aportar soluções que façam sentido. Não é sobre “representação”, é sobre proporcionalidades, ser legítimo a partir de um modelo de co-construção, afinal, concordamos que já se foi o tempo de “comunicar para”. Agora, ou “comunicamos com” ou não será, não haverá.

O termo “diversidade” pode até estar nos trending topics, mas pessoas não são sazonais. Pessoas existem e precisam ter suas demandas atendidas e isso passa por nossos times, clientes, stakeholders e sociedade. E a forma mais legítima de fazer isso é termos perspectivas plurais nas tomadas de decisão. A criatividade emerge do repertório, do contexto, das conexões que criamos, de quem somos; quanto mais diversos somos, mais possibilidades temos.

Criatividade é também sobre sentido e propósito. Eu realmente acredito no trinômio resultado x criatividade x impacto positivo. Dá para ter resultados, ser criativa e gerar impacto positivo para o mundo. No final do dia, é tudo sobre pessoas. E o futuro será definido sobre o quão intencional nós formos e sobre as escolhas que estamos fazendo hoje.

Revisitando a história, sabemos que a inovação nunca partiu do consenso. Inovação nasce dos incômodos, das perguntas que precisam ser respondidas, das necessidades que precisam ser atendidas, de nos perguntarmos “isso aqui está fazendo sentido? Sim, não e, para quem?”.

Sobre a tecnologia, as ferramentas, a estratégia, o “como”, podemos conversar mais para frente. Por ora, a reflexão que proponho é: quem está na sala quando discutimos o futuro? Está todo mundo aqui para construir este futuro criativo, diverso e inclusivo?

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