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Opinião

Por trás de um grande homem, há uma grande mulher: até quando?

Minha referência é, mais uma vez, uma série que fala sobre uma história real e recente: WeCrashed, produção da Apple TV sobre a ascensão e a decadência de Adam Neumann e seu quase-império WeWork


24 de maio de 2022 - 15h06

Jared Leto e Anne Hathaway interpretam os fundadores da WeWork na minissérie WeCrashed (Crédito: Divulgação/Apple TV+)

Vocês já me viram referenciar por aqui, no meu primeiro artigo, algumas séries.   

Mais do que um passatempo, percebo nos conteúdos originais produzidos pelas plataformas uma janela cada vez mais importante para o mundo. Hollywood é bastante competente em imaginar o futuro quando se coloca neste lugar, por exemplo. Pensem quantas invenções recentes já foram retratadas em filmes e séries e vistas depois na vida real.  

Mas hoje a minha referência é, mais uma vez, uma série que fala sobre uma história real e recente: WeCrashed, produção da Apple TV sobre a ascensão e a decadência de Adam Neumann e seu quase-império WeWork. 

WeCrashed mostra duas “doenças graves” do ambiente empresarial atual. A primeira, a busca desenfreada dos venture capitalists por tamanho e crescimento, sem que necessariamente os negócios sejam saudáveis, lucrativos e sustentáveis.   

Já dizia Caetano, na letra da música “Fora da Ordem”: “Aqui tudo parece / Que era ainda construção / E já é ruína”. Nada mais preciso para definir a história da WeWork, que foi de um valor de mercado de US$ 47 bilhões para US$ 9 bilhões, uma vez que suas informações financeiras vieram a público. E a pior parte da história: Adam Neumann saiu desta confusão ainda como um bilionário – seu patrimônio estava estimado em US$ 2.3 bilhões no ano passado. 

Os funcionários da WeWork, no entanto, que trabalharam duro pelo crescimento da empresa, não tiveram a mesma sorte: suas ações perderam muito valor ao longo do processo.  

Aqui no Brasil, há poucas semanas, uma grande fintech anunciou seus resultados anuais. Prejuízo grande, valor de ação grande, bônus de executivos enormes. Qualquer semelhança… 

Agora, a segunda doença é a que me traz hoje aqui, de fato. Quem assistiu à série (e o documentário feito pela Hulu antes confirma que isso não é ficção) vê que Rebekah Neumann, a mulher de Adam, em muitos momentos é a eminência parda que o ajuda a pensar e a articular sua visão sobre a companhia. Ela é a materialização daquela frase que todas queremos ver desaparecer: “por trás de um grande homem, há sempre uma grande mulher”.

No Women to Watch Summit deste ano, a incrível Etienne DuJardin disse uma frase que ficou comigo: “nós vivemos num mundo de soma zero”. Isso significa que, para as mulheres poderem crescer e ter seu espaço, os homens precisam ceder e cooperar.  

Precisamos de aliados que pratiquem esta colaboração amplamente: assumir sua parte nas tarefas domésticas, financiar empreendimentos liderados por mulheres, dar voz e protagonismo a elas nos ambientes empresariais e políticos… são estas ações que vão permitir que aquela frase ali de cima não seja mais dita.  

E o mundo precisa que ela desapareça de vez, não é mesmo? 

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