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Perfil

Joana Adissi: Uma liderança de impacto no setor de vacinas

À frente da unidade de imunizantes da Sanofi, a executiva conta como passou a incorporar uma visão humana e acolhedora em sua carreira e do orgulho de trabalhar em uma área fundamental para a sociedade

Michelle Borborema
13 de junho de 2022 - 8h44

Quando pensa sobre o que fez de certo na carreira, Joana atribui ao autoconhecimento e à sua liderança colaborativa (Crédito: Divulgação)

“Bem-vinda ao mundo real, onde há coisas que não se pode escolher”. A frase poderia ser ouvida por diversas pessoas em qualquer fase da vida, mas entrou pelos ouvidos da então estagiária Joana Adissi há mais de 20 anos, quando seus líderes a comunicaram que o plano de migrá-la para a área de marketing não poderia ir para frente. Desde então, aquela jovem, hoje primeira mulher brasileira líder da unidade de vacinas da Sanofi, percebeu que deveria se posicionar e ir atrás de seus sonhos e ambições. “Eu acho, sim, que podemos escolher, ter planos, e para isso precisamos ter voz”, diz.  

Aos 40 anos, a postura da executiva segue firme nesse propósito, mas com uma nova roupagem. Quando entrou no mundo corporativo, ela diz ter criado uma personagem dura e impositiva para conseguir pertencer e se fazer respeitar, independentemente do cargo. Hoje, depois de um caminho de autoconhecimento, Joana conta que tem se aproximado cada vez mais da sua essência e passou a ser protagonista de uma mudança individual para mostrar quem ela é no trabalho, ser um exemplo e uma agente de transformação. 

“Essa ‘armadura’ foi se tornando mais robusta com o crescimento da carreira, e depois de uma jornada longa de cursos, terapia, meditação, livros e outras coisas, entendi o preço e o impacto desse personagem na minha vida pessoal e profissional. Viver com o nível extrapolado de autoexigência e perfeição, passar a vida no ‘mode task’, ‘checklist’ e o afastamento da minha essência nas minhas interações são exemplos disso.” 

Foi na Sanofi, onde está desde 2014, quando estruturou a área de inovação da unidade de consumer healthcare da empresa, que Joana diz ter se dado conta não apenas dessa persona criada por ela, mas de como a postura alimentava o sistema que batalha para desconstruir. Ela decidiu, então, fazer uma virada pessoal e profissional. “Há uns 4 anos, desde que assumi como head de negócio, me dei conta do custo de viver essa personagem e do quanto me distanciava e me desrespeitava agindo dessa maneira. Então passei a mostrar quem sou: vulnerável, feminina, gregária, colaborativa, acessível e focada em pessoas, mas ao mesmo tempo pragmática e com olhar voltado para resultado e ação.” 

O exercício parece estar rendendo bons frutos. Dois anos após sua entrada na empresa, em 2016, a executiva foi colocada na liderança do processo de aquisição do portfólio de consumo da farmacêutica alemã Boehringer Ingelheim no Brasil. “Quando entrei, minha ideia era ficar na área de inovação, não queria sair. Mas fui desafiada com resistência e acabou sendo incrível. Foi um daqueles momentos em que o inesperado muda a nossa trajetória, pois me abriu portas para meus futuros cargos de liderança de negócios: Medley e, agora, vacinas”, conta. Em 2019, assumiu como diretora da unidade de medicamentos genéricos da Sanofi e, desde o início deste ano, Joana lidera a área de vacinas da companhia, que encara como um grande desafio nesse contexto da sociedade. 

ORGULHO DE TRABALHAR COM VACINAS 

“Estou vivendo um intenso mergulho em um novo universo, com muitos aprendizados. É um privilégio e também um grande desafio do ponto de vista de carreira estar à frente de uma unidade de vacinas, especialmente no momento que temos vivido como sociedade, em que a cobertura vacinal para muitas doenças está extremamente baixa. Tenho muito orgulho do impacto que meu trabalho tem. É motivador trabalhar com prevenção e saber que temos potencial para salvar muitas vidas por meio da inovação.” 

Para ela, o momento também é de reflexão sobre a nova responsabilidade na empresa e na sociedade como um todo. Após um período de inquietude e questionamentos profissionais, ela diz ter tido entendido que, conforme cresce na carreira, aumenta sua capacidade de liderar transformações, e isso demanda mais responsabilidades e novos papéis.  

“Alguns dizem que é uma utopia, mas tenho um desejo imenso de viver em um lugar onde a equidade de gênero deixe de ser uma questão. Vivo com a missão de transformar, para homens e mulheres, o ambiente corporativo em um lugar mais acolhedor e humano, e para isso comecei a resgatar os atributos femininos em todos. Penso que meu protagonismo individual é uma responsabilidade e obrigação, mesmo que essa mudança só aconteça para as próximas gerações”. 

ORIGENS E EXEMPLOS FEMININOS 

Para Joana, o sucesso de sua jornada profissional se deve muito à estrutura familiar que teve e aos exemplos femininos de sua vida pessoal. Nascida no Rio de Janeiro, com três anos de idade foi para Poços de Caldas, em Minas Gerais, onde passou toda sua infância ao lado de pais que sempre trataram sua irmã, seu irmão e ela sem distinção de gênero. 

“Tenho referências de mulheres muito fortes em casa. Minhas avós, minha tia, minha irmã… isso me ajudou a construir uma jornada em que ser mulher não foi uma questão”, conta. 

Na adolescência, quando sua irmã mais velha deixou a cidade para estudar em Campinas, Joana, então adolescente, quis sair também. “Eu queria expandir e conhecer novos horizontes. Vim para São Paulo para fazer o segundo colegial. Morei com a minha avó paterna e daqui não saí mais”. 

Depois, fez dois intercâmbios, um nos Estados Unidos e outro na Espanha, e cursou administração de empresas na Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo. Há 23 anos atua no mundo corporativo, com passagem por multinacionais nas áreas de trade marketing, inovação, projetos de aquisição e negócios.  

LIDERANÇA COLABORATIVA E DE IMPACTO 

A executiva diz ser uma liderança acessível, aberta e de muita colaboração, com foco nas fortalezas das pessoas. “Há algum tempo quebrei alguns paradigmas, como maximizar os pontos fortes de cada um ao invés de focar no que precisa ser desenvolvido, para trazer o melhor das pessoas e termos um grupo complementar e ainda mais forte.” 

Quando fala sobre o poder que busca, ela diz que seu objetivo é o impacto na sociedade. “O poder que procuro não é o poder sobre, mas o poder para. Como usá-lo para ter um impacto maior na sociedade, para a melhorar a vida das pessoas e para deixar esse mundo melhor”. 

ERROS, ACERTOS E DESAFIOS 

Na nova posição de liderança à frente das vacinas na Sanofi, a executiva diz estar fora da sua zona de conforto. “Nunca é fácil. Novo time, novo negócio, novos aprendizados… mas o que vejo como maior desafio é aprender um novo segmento, e principalmente um modelo que envolve o mercado público, onde ainda não tinha trabalhado”. 

Quando fala sobre o que fez de certo na carreira, Joana reflete, novamente, sobre o autoconhecimento e sua liderança colaborativa. “Acertei ao investir e continuar investindo em autoconhecimento e ter a cabeça aberta para aprender, desaprender, reaprender e ter uma visão em que a colaboração é muito melhor e mais impactante do que qualquer pensamento individual.” 

Ela também não tem vergonha de falar sobre seus fracassos. “Os erros podem ter uma conotação negativa, mas acho que fazem parte da nossa jornada e é a partir deles que temos as maiores evoluções. Meu erro foi o tempo que levei construindo e fortalecendo uma personagem que hoje encaro como importante para me fazer chegar à percepção de que estava fazendo aquilo e, mais que isso, conseguir rever que não fazia mais sentido para mim”, diz. 

Mulheres passaram muito tempo se masculinizando para pertencer ao mundo corporativo. São histórias como as de Joana que nos fazem perceber: o que por muitos anos foi considerado inadequado a líderes de grandes empresas por ser feminino é, hoje, um dos elementos principais de uma liderança: mais humana, acolhedora e focada em melhorar a vida das pessoas. 

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