O ChatGPT não irá me substituir

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Opinião

O ChatGPT não irá me substituir

Podemos usar a ferramenta para nos ajudar a contar as histórias que só nós sabemos, fazendo com que as tarefas repetitivas do trabalho sejam menos dolorosas e demoradas, mas o contrário não é verdadeiro


13 de março de 2023 - 13h00

ChatGPT

(Crédito: NicoElNino/Shutterstock)

Uma das tecnologias mais interessantes lançadas nos últimos meses foi a nova geração de aplicativos de inteligência artificial, especialmente o ChatGPT, da empresa americana OpenAI. Apesar de a ferramenta ainda estar no seu estágio inicial de desenvolvimento, já é possível enxergar algumas das possibilidades que ela criará para a nossa indústria.

Respondendo perguntas complexas com precisão, coerência e uma linguagem informal que imita nossas conversas, o ChatGPT assusta e ameaça muitas das tarefas que nós marqueteiros executamos, inclusive a de escrever artigos e fazer apresentações. Confesso que isso me deixou preocupado.

Para tirar a dúvida se estas novas ferramentas vão me aposentar como articulista do Meio & Mensagem e palestrante, fiz o seguinte exercício com o ChatGPT:

Primeiro, pedi que formulasse dez perguntas para eu usar em um podcast sobre marketing esportivo. Depois, fiz cada uma das perguntas para o próprio sistema, pedindo que as respondesse como se fosse um profissional da área de patrocínios.

Os resultados foram excepcionais e assustadores.

Caso você tenha curiosidade em ler a entrevista na íntegra (em inglês), basta procurá-la nas minhas mídias sociais, onde postei o link. Garanto que se não soubesse que o conteúdo foi gerado artificialmente, não imaginaria que levei apenas alguns segundos para prepará-lo.

Se além de texto eu quisesse criar um podcast ou vídeo, eu poderia ter usado outras ferramentas disponíveis — como a Synthesia.io — para produzir uma entrevista pronta para ser usada no YouTube. O processo é simples e rápido. Basta copiar e colar o texto no site e escolher os avatares, que podem ser pessoas com as mais variadas aparências — inclusive a minha, se eu fizer o upload de um vídeo —, falando em dezenas de idiomas e cenários.

Mas se o conhecimento, a formulação de perguntas e respostas e a disponibilidade de formatos do conteúdo são tão acessíveis assim, qual é o valor que eu — ou qualquer outro profissional — pode agregar escrevendo artigos ou fazendo palestras?

“Como escritor, trago perspectivas, experiências e conhecimentos únicos que o ChatGPT não possui. Ele pode fornecer informações e respostas com base em seu vasto conhecimento e recursos de processamento de linguagem, mas não possui experiências ou opiniões como eu. Eu tenho contexto, insights e comentários que adicionam profundidade e nuances a um tópico. Eu também adapto minha escrita a um público ou propósito específico e uso minha criatividade para envolver e cativar os leitores.”

Concorda? Se sim, parabéns mais uma vez para o ChatGPT, que foi quem escreveu o parágrafo acima.

Independentemente de quanto avance a tecnologia, e da quantidade de informações sobre o marketing esportivo que a internet acumule, nenhuma máquina poderá contar histórias que só eu vivenciei.

Aquela reunião com o presidente da Fifa, em Zurique, depois que muitos dos executivos do futebol foram presos pelo FBI? Eu estava lá. A conversa com o Michael Phelps um dia depois de ele ter ganho a sua última medalha olímpica em Londres? Só eu participei. O que a atleta campeã nos Jogos Paraolímpicos pelo Brasil me disse depois de receber a medalha no pódio? Essa o ChatGPT não sabe. Os contratos que só foram assinados porque eu e meus colegas de equipe encontramos soluções criativas para desatar os muitos nós das negociações milionárias do esporte internacional? Improvável que alguma máquina conheça as histórias.

E é exatamente aí que eu e os outros articulistas levamos vantagem sobre qualquer máquina. Nós podemos usá-las para nos ajudar a contar as histórias que só nós sabemos, mas o contrário não é verdadeiro.

Eu espero usar muito as soluções que a inteligência artificial oferece para fazer com que as tarefas repetitivas do trabalho sejam menos dolorosas e demoradas. Assim como neste artigo, elas serão mais uma referência que pretendo consultar. Mas o que continuará a fazer a diferença é a mistura de informações, criatividade e experiência. E este software só roda mesmo na minha cabeça.

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