Afroempreendedorismo: 11 iniciativas que incentivam negócios de pessoas negras

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Afroempreendedorismo: 11 iniciativas que incentivam negócios de pessoas negras

BlackRocks, PretaHub, BlackWin e Vale do Dendê são algumas das organizações que fomentam projetos de pessoas pretas e pardas


24 de novembro de 2022 - 15h41

Lisiane Lemos, Adriana Barbosa, Nina Silva, Maitê Lourenço e Luana Ozemela são algumas das empreendedoras à frente das iniciativas da lista (Crédito: Divulgação)

A população brasileira é composta por 55,8% de pessoas negras e 51,2% de mulheres, de acordo com o IBGE. Porém, quando falamos sobre a inserção desses grupos no mercado de trabalho, os números são drasticamente reduzidos. Se considerarmos apenas as mulheres negras e pardas, apesar de corresponderem a 28% da População em Idade Ativa (PIA), elas têm a menor taxa de participação no mercado de trabalho em 2022 (51%) e representam o maior grupo desempregado (16%).

O segmento das startups escancara ainda mais esta desigualdade: apenas 5,8% das startups brasileiras são lideradas por pessoas pretas, de acordo com a Associação Brasileira de Startups, e 4,7% são comandadas por mulheres, segundo o Female Founders Report 2021.

Diante desse contexto, a demanda por políticas e iniciativas que promovam a equidade e inclusão da população negra e das mulheres cresce cada vez mais. Nos últimos anos, houve um aumento do número de programas, fundos e incentivos voltados a empreendedores afrodescendentes. Esses projetos promovem de capacitações e mentorias para startups ou lideranças a jornadas de aceleração de investimentos ou acesso a investidores-anjo.

Nesta lista, reunimos 11 iniciativas voltadas para a população negra brasileira com o objetivo de fomentar o afroempreendedorismo e o desenvolvimento de carreiras.

BENSÀ

Criada por Bárbara Lopes, a Bensà tem como objetivo trazer educação sobre empreendedorismo para mulheres negras. Com sede em Natal, no Rio Grande do Norte, a edtech já mentorou ao menos 50 mulheres.

A Bensà foi acelerada pelo BlackRocks e Bárbara também foi selecionada pelo programa Aceleração de Negócios de Empreendedoras Negras, liderada por Meta e PretaHub.

Em parceria com instituições como Itaú Mulher Empreendedora, International Finance Corporation (IFC) e Sebrae, a edtech consegue realizar suas aulas de forma gratuita para as empreendedoras interessadas.

BLACKROCKS

Maitê Lourenço é fundadora da BlackRocks (Crédito: Divulgação)

“Somos uma empresa liderada por mulheres negras que apoia pessoas e negócios inovadores, lucrativos e tecnológicos.” Maitê Lourenço é a mulher à frente da BlackRocks, que busca fomentar a inovação e o empreendedorismo entre a população negra. Seus programas e eventos promovem discussões e mentorias para aqueles que querem tirar suas ideias do papel.

O Arena BlackRocks é um festival online sobre transformação digital. Já o Grow Startups trata-se de um programa de aceleração de startups focado em crescimento econômico e escalável. O IdeiAção é um programa para quem ainda está no plano das ideias e não sabe como começar.

Por fim, a BlackRocks também promove o Quartzo, que está em sua segunda edição, foca no desenvolvimento e impacto social de negócios liderados por mulheres negras do Rio Grande do Norte.

PRETAHUB

Adriana Barbosa, fundadora e CEO do PretaHub e Feira Preta (Crédito: Divulgação)

O PretaHub é uma rede de criatividade, inventividade e tendências pretas, com mais de 10.600 empreendedores impactados e R$ 11 milhões de reais investidos, com Adriana Barbosa como sua CEO.

O Hub inclui a tradicional Feira Preta, Afrolab, Bioma PretaHub, Programa de Aceleração de Mulheres Negras e Indígenas, Pretas Potências – Programa e Festival, Conversando a gente se aprende e Casas PretaHub, cada um com sua proposta dentro do universo do afroempreendedorismo.

O Afrolab abre inscrições de tempos em tempos e promove capacitações para empreendedores negros. Este ano, o Programa de Aceleração de Mulheres Negras e Indígenas, em parceria com a Meta, investiu R$ 1,6 milhão em negócios de 50 mulheres e ofereceu, além do aporte financeiro, mentorias, formação e apoio psicológico para empreendedoras.

Já o Preta Potências é voltado ao mercado da economia criativa, e em 2022, contou com a parceria do Instituto Alok e a Cervejaria Black Princess. Foram 20 mulheres negras e afro-indígenas contempladas com mentorias e R$ 20 mil cada.

MOVIMENTO BLACK MONEY

Nina Silva, fundadora do Movimento Black Money (Crédito: Divulgação)

O MBM trata-se de um “Hub Digital para inserção e autonomia da Comunidade Negra na Nova Economia e na Era digital”, fundado pela Nina Silva. Dentro do ecossistema estão o Black Money Project, Mercado Black Money, D’Black Bank, Afreektech, Black Vagas e Impactando Vidas Negras.

O D´Bank Black é uma fintech que conecta empreendedores negros e consumidores antirracistas, e oferece facilidades para correntistas pretos e pretas. O Afreektech capacita a comunidade negra para o mercado digital, em especial empreendedoras e jovens. Já o Mercado Black Money é um marketplace que conecta consumidores e afroempreendedores.

CONSELHEIRA 101

Lisiane Lemos faz parte do grupo de mulheres que fundou o Conselheira 101 (Crédito: Divulgação)

Com um objetivo um pouco diferente das outras iniciativas, a Conselheira 101, que está em sua terceira edição, quer capacitar profissionais mulheres negras para ocuparem os conselhos administrativos de empresas no Brasil.

De acordo com o Instituto Ethos, apenas 4,2% dos conselhos são formados por profissionais pretas, por isso, o intuito da iniciativa, co-fundada por Lisiane Lemos, é promover a diversidade e inclusão das mulheres negras nestes espaços.

Até então, o projeto já formou 37 profissionais que foram escolhidos pelas fundadoras e que apresentavam alta qualificação profissional.

BLACKWIN

Luana Ozemela é fundadora da BlackWin (Crédito: Divulgação)

A BlackWin, ou Black Women Investment Network, nasceu este ano sob os cuidados de Luana Ozemela, e trata-se de um clube de investimentos focado em negócios liderados por executivos pretos e pretas. Esta é a primeira plataforma nacional de investidoras anjos liderada por mulheres negras.

Para ser selecionada nas rodadas de investimentos, as empresas devem ser fundadas por pessoas negras que detenham metade do capital social, ou, ainda, com uma equipe executiva majoritariamente negra.

Além disso, a plataforma prioriza empresas em estágio inicial que invistam em inovações tecnológicas para resolver problemas importantes no Brasil e que abranjam algum dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

FUNDO AGBARA

Fabiana Aguiar, Aline Odara, Bruna Camargo e Eliane Castro formam a equipe por trás do Fundo Agbara (Crédito: Divulgação)

Idealizado por Aline Odar, o Fundo Agbara promove capacitação e acesso a apoio financeiro para empreendedoras negras. Até então, o projeto já atendeu mais de 2 mil mulheres de todo o Brasil.

A organização filantrópica oferece cursos sobre gestão de negócios de forma online, além de abordar questões sobre raça e gênero. São jornadas que reúnem de 10 a 20 empreendedoras e o investimento em cada projeto varia de R$ 1 mil a R$ 5 mil, dependendo do estágio do projeto.

BLACK FOUNDERS FUND BRASIL

O programa do Google tem como objetivo ampliar a diversidade racial no ecossistema das startups e apoiar empreendedores negros com negócios de alto potencial. Dessa forma, os projetos escolhidos receberão investimentos financeiros para alavancar suas iniciativas, com a ajuda de mentores, e poderão ser selecionadas para participar de outros programas realizados pelo Google for Startups Brasil.

A iniciativa conta com apoio do Vale do Dendê e da Preta Hub, que além de indicar startups para participar da jornada, oferecem treinamentos para os mentores e painéis de discussões sobre diversidade racial para grandes players da indústria da tecnologia.

VALE DO DENDÊ

Paulo Rogério Nunes é o idealizador do Vale do Dendê (Crédito: Divulgação)

Após visitar a Califórnia e o berço das maiores empresas de tecnologia do mundo, o publicitário Paulo Rogério Nunes decidiu que queria transformar um dos roteiros turísticos da Bahia no Vale do Silício nacional. Assim nasceu o Vale do Dendê.

O projeto funciona como uma aceleradora de startups e uma ponte entre os projetos selecionados e o mercado de investimentos. A organização realiza diferentes programas e editais voltados para negócios de alimentação, produção de áudio e a economia criativa.

Além disso, eles também promovem treinamentos e encontros presenciais no Hub, com eventos e festivais sobre afroempreendedorismo e afrofuturismo.

FUNDO BAOBÁ

Desde 2011, o Fundo Baobá mobiliza pessoas e recursos para projetos que tenham como objetivo a promoção da equidade racial para a população negra do Brasil. A organização sem fins lucrativos lança editais para apoiar outros negócios e lideranças negras comprometidas com luta antirracista e a justiça social.

Entre os editais em curso no momento estão o programa “Negros, Negócios e Alimentação”, voltado para a região de Recife, “Quilombolas em Defesa”, “Vidas Negras: Dignidade e Justiça”, o “Programa de Recuperação Econômica de Pequenos Negócios de Empreendedores(as) Negros(as)” e o “Programa de Desenvolvimento de Lideranças Femininas Negras: Marielle Franco”.

IBOBR

Ian Nunjara, fundador do IBOBR (Crédito: Reprodução/YouTube)

A IBOBR tem como objetivo alavancar as carreiras de jovens negros e negras no Brasil. O Programa de Aceleração Black Leaders ocorre de forma online e gratuita, em que os alunos aprenderão as principais soft skills necessárias para o mercado de trabalho com mentores selecionados exclusivamente para cada um deles.

Os treinamentos do programa incluem os módulos de Liderança, Comunicação, Inteligência Emocional, Processo Seletivo, Linkedin, Diversidade e Inclusão, Espaço Seguro e Business Case. O objetivo do programa é acelerar as carreiras de dez mil jovens negros e negras até 2025.

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