Quem é Stéfany Mazon, a líder mais jovem da Microsoft

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Quem é Stéfany Mazon, a líder mais jovem da Microsoft

Em entrevista, a líder de vendas da Azure na Microsoft fala sobre sua trajetória, a carreira das mulheres na tecnologia e os impactos da IA


15 de março de 2024 - 15h57

Stéfany Mazon é líder de vendas da Azure, plataforma da Microsoft (Crédito: Divulgação)

Ambição e incentivo foram as peças-chave para a ascensão excepcional na carreira de Stéfany Mazon. Aos 28 anos, ela é a líder mais jovem da Microsoft, à frente do time de vendas da Azure, plataforma de computação em nuvem. Se hoje ela ocupa posição elevada no mercado de tecnologia, foi porque em seu caminho encontrou mulheres que a incentivaram e apostaram em sua capacidade. A começar por uma professora ainda na escola que a encorajou a cursar Engenharia. O resultado é mais uma mulher desbravando uma indústria predominantemente masculina. 

Stéfany chegou à Microsoft Brasil como especialista de vendas em cloud em 2020 e quatro anos depois já estava em seu primeiro cargo de liderança, responsável por um time de sete pessoas e definindo a estratégia de Azure para o Brasil. Ela também é palestrante do TEDx, trabalha ativamente em projetos de mentoria internas da Microsoft e conduz treinamentos externos.

De acordo com o mais recente relatório da Brasscom, as mulheres ocupam cerca de 39% dos empregos no setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Nos últimos anos, a presença feminina tem aumentado na indústria, em torno de 7,7% ao ano, desde 2020. Algumas áreas, como a de software, em que Stéfany atua, a representatividade feminina é ainda mais baixa, 36%.  

Por esses motivos, Stéfany fala sobre o caminho que percorreu para alcançar a posição que ocupa hoje, ressaltando as mulheres que foram essenciais nesse percurso. Além disso, a líder discute nesta entrevista as implicações da inteligência artificial no consumo e no cotidiano das empresas. 

Faça um breve resumo da sua trajetória profissional. 

Sou judia e estudei em um colégio judaico, onde minha turma era composta apenas por mulheres. Inicialmente, foi curioso pensar em qual faculdade seguir, já que meus pais não tinham formação em tecnologia, mas uma professora teve um papel crucial nessa decisão. Ela me sugeriu seguir Engenharia Eletrônica, por eu ter uma afinidade com física, química e matemática, as áreas STEM. Assim, ouvi o conselho dela, mas essa transição de um ambiente predominantemente feminino para um dominado por homens foi muito impactante. 

Para custear meus estudos na faculdade, participei de uma iniciação científica, em que desenvolvi um software para tradução de libras, sob orientação de uma professora, que também foi uma mulher muito importante para a minha trajetória. Essa experiência abriu portas para minha carreira na IBM, em que trabalhei com pesquisa e depois vendas, e onde desenvolvi patentes na área de inteligência artificial. 

Meu ingresso na Microsoft foi motivado pela cultura organizacional da empresa, que sempre admirei. Ao longo de quatro anos na Microsoft, ascendi rapidamente, assumindo meu primeiro cargo de liderança aos 28 anos. Hoje, sou a líder mais jovem da empresa e lidero o time de vendas de Azure no Brasil, uma plataforma de computação em nuvem. 

Quais os desafios de se tornar uma líder ainda jovem? 

Confesso que, quando me ofereceram essa posição, senti medo. “Gremlins” de dúvida começaram a surgir na minha mente, questionando como seria ser aceita como uma líder jovem e mulher ao mesmo tempo. Mas algo importante que preciso destacar sobre a Microsoft é seu propósito. Desde que Satya Nadella assumiu, há 10 anos, ele estabeleceu a missão de empoderar cada pessoa e organização do planeta a fazer mais. Lembro-me da famosa frase de Peter Drucker sobre como “a cultura devora a estratégia no café da manhã”. Aqui na Microsoft, vivemos nossa cultura intensamente. 

Então, quando os “gremlins” apareceram, lembrei-me do conceito de “Growth Mindset”, que é o que acreditamos aqui. Isso significa ter uma mentalidade de crescimento constante. Eu saí da ideia de não saber tudo para estar sempre disposta a aprender. Aceitei essa posição porque sei das minhas capacidades, qualificações e histórico de entrega. Claro, não sei tudo, mas estou disposta a aprender e compartilhar com minha equipe desde o início. 

Este é o meu primeiro cargo de liderança em vendas. Os desafios que enfrento são mais internos e pessoais. A empresa sempre me impulsionou, me concedendo quatro promoções em quatro anos, o que me motiva a trazer energia para a equipe. 

Acredito que um líder não precisa ter todas as respostas, mas sim construir junto com o time. Por isso, busco entender o momento de cada colaborador, pois todos têm experiências e vivências diferentes. A liderança colaborativa é crucial, não só para atrair e recrutar pessoas, mas também para retê-las. 

Qual foi o impacto do surgimento da inteligência artificial para a nossa sociedade? 

Precisamos lembrar que a inteligência artificial é um tema antigo, que remonta à década de 60, quando Turing introduziu o conceito de replicar as capacidades humanas, como visão, fala e interação. Desde então, avançamos muito com tecnologias como machine learning e deep learning. O impacto do chatGPT foi notável, atingindo 100 milhões de usuários em apenas três meses, enquanto outros marcos tecnológicos, como o celular, a internet e o Facebook, levaram muito mais tempo. Esse avanço permitiu democratizar a inteligência artificial. 

É importante ressaltar que a inteligência artificial atua como um copiloto, enquanto o ser humano continua sendo o piloto, trazendo sua criatividade e expertise para o processo. Para aqueles que ainda não incorporaram a IA em seus trabalhos, é essencial entender que isso impulsiona a inovação e já é uma realidade presente. Quem não se adaptar a essa realidade ficará para trás, pois a inteligência artificial está moldando o presente, não apenas o futuro. 

De que maneira a IA está moldando nosso consumo? 

Isso não é novidade. Todo mundo já passou por isso: você compra uma passagem aérea e, de repente, só vê anúncios relacionados nas redes sociais. Esse é o efeito dos cookies, que nos colocam nas esteiras de vendas das empresas. Com a inteligência artificial, podemos tornar esse processo mais eficaz, tanto na distribuição de conteúdo quanto de produtos. A IA permite oferecer exatamente o conteúdo e os produtos que interessam a cada um de nós, otimizando o nosso tempo e melhorando a experiência de consumo. 

Na indústria do varejo, isso já é uma realidade. Por exemplo, ao adicionar um produto ao carrinho de compras, o site sugere itens que são frequentemente comprados juntos. Mas podemos ir além, ajustando essas recomendações ao perfil específico do comprador, como idade, por exemplo. Um caso curioso é o do Walmart, que, baseado em análises de machine learning, descobriu que pais que compravam fraldas frequentemente compravam cerveja na mesma jornada. Essa correlação inesperada impulsionou as vendas desses produtos quando colocados juntos. 

Como as empresas podem se adaptar a este futuro em que a IA estará muito mais presente no cotidiano?  

Primeiro, a inteligência artificial pode tornar os colaboradores mais produtivos, ao ser aplicada em conjunto com ferramentas do nosso dia a dia, como Word, Power Point ou Teams. Isso aumenta nossa eficiência e colaboração. Em segundo lugar, a IA pode automatizar processos e impulsionar a inovação dentro das empresas. E, em terceiro lugar, ela pode ser usada para interagir com os clientes. Portanto, a aplicação da IA abrange desde o ambiente interno até a interação com os clientes. 

E, nesse contexto, como promover a capacitação e a ética do uso de IA?

É essencial aproveitar os treinamentos, como os oferecidos pela Microsoft, e compartilhar esse conhecimento. Além disso, considerar a contratação de consultorias pode acelerar ainda mais a adoção e o uso eficaz dessas tecnologias. 

No que diz respeito à ética, darei o exemplo da Microsoft. Temos um comitê chamado Responsible AI (IA Responsável, em tradução livre), que reforça nosso compromisso em usar a IA de maneira ética e responsável. É importante considerar como as aplicações de IA podem impactar as pessoas e o mundo ao nosso redor, o que reflete nossa missão e cultura organizacional. 

O que as empresas de tecnologia podem fazer para incluir e promover mais mulheres em cargos de liderança? 

Ter mulheres na liderança faz uma diferença significativa. Um dos motivos que me chamou atenção para a Microsoft foi ver a Tânia Cosentino como presidente. Hoje, temos 50% da liderança composta por mulheres, graças em parte ao exemplo dela. Além disso, é fundamental que as empresas promovam a diversidade e inclusão, não apenas de gênero, mas de todas as formas. 

Outro ponto é apostar nas mulheres, oferecendo oportunidades direcionadas e apoio para alcançarem posições de liderança. Minha jornada até me tornar a líder de vendas mais jovem da companhia não foi fácil. Recebi muitos treinamentos internos e mentoria, inclusive da CFO da companhia, Glaucia Rosalen. 

Resumindo, as empresas precisam ter uma cultura forte, promover a diversidade e inclusão e investir no crescimento das mulheres. Em relação à educação, minha mensagem para todas as jovens é: vocês podem alcançar seus sonhos. Não deixem seus medos impedirem vocês de perseguirem seus objetivos.  

Quanto a mim, tenho um sonho de ser CEO aos 40 anos. Essa é a minha meta, e meu objetivo é inspirar e impactar positivamente o maior número de pessoas possível, assim como fui inspirada pela Tânia. Isso está anotado desde os 12 anos e espero realizar esse sonho. Ter essa meta é importante para motivar as mulheres jovens a alcançarem seu potencial máximo. 

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