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Das pessoas para pessoas

70% dos brasileiros afirmam que buscam companhias com impacto social e ambiental positivos e 90% optam por marcas sustentáveis


8 de março de 2021 - 16h07

(Crédito: Guillaume de Germain/iStock)

Um ano depois de termos sido chacoalhados por uma pandemia e de tudo o que aconteceu a partir disso, podemos pensar um pouco sobre o que deverá ser definitivamente incorporado às nossas vidas. Acredito que três frentes são indiscutíveis e vou comentar um pouco sobre elas nesta coluna: a preocupação com a imunidade para a manutenção da saúde física e mental; a forte demanda pela personalização; e a maior sensibilização para a responsabilidade e o cuidado com o planeta.

É fato que as pessoas estão realmente mais preocupadas com a saúde e que a nutrição é um recurso essencial para a melhor imunidade. E não há mais uma separação entre a saúde física e mental. As pessoas querem estar bem por inteiro. Por isso, abraçamos essa intenção para evoluir nas pesquisas e no desenvolvimento de itens fortificados, funcionais, orgânicos e à base vegetal, entre outros. Acredito que grandes empresas têm a responsabilidade de acelerar iniciativas na cadeia de alimentos para dar escala e, consequentemente, amplificar o acesso da população aos produtos que agreguem esses valores.

Também se rompeu a barreira entre o físico e o digital. As pessoas foram ainda mais informatizadas durante a pandemia e esse processo deve continuar evoluindo — 75% da população brasileira é conectada e, ao mesmo tempo, a velocidade da internet melhorou significativamente em 2020. Assim, é muito natural que as pessoas queiram ter a melhor experiência com as marcas, independentemente do canal onde isso ocorra. Por isso, cada vez mais as marcas precisam estar onde o consumidor está, a qualquer hora e com um portfólio conectado com as necessidades que ele apresenta.

Gosto muito do conceito adotado pelo professor Silvio Meira que aponta uma transição do físico para uma articulação do físico e do digital. É como se o espaço físico fosse ampliado pelo digital, mas orquestrado pelo espaço social no que Meira chama de ‘figital’ — mistura do físico, digital e social.

Nesse mundo híbrido, uma questão que tem concentrado a atenção dos consumidores é o papel das empresas em relação ao cuidado com o planeta. Ao menos 70% dos brasileiros afirmam que buscam companhias com impacto social e ambiental positivos e 90% optam por marcas sustentáveis. Respondendo a essa expectativa, as marcas precisam mais do que nunca transbordar seus propósitos em relação ao meio ambiente com iniciativas e compromissos públicos. Os consumidores querem ver — na vida real — o que tem sido feito, como tem sido feito e os resultados disso. Exigem transparência e “traceability”, ou seja, que o fabricante de determinado produto tenha o rastreio completo do que é produzido, desde o campo até a mesa. Inclusive, querem ir além: uma pesquisa com 3 mil consumidores nos Estados Unidos mostrou que 80% preferem que se use “regenerativo” como termo para tratar das ações ligadas à cadeia de produção porque consideram “sustentável” muito passivo (The Emerging Regenerative Customer, ReGen, 2020).

Por meio de uma conexão respeitosa com as pessoas, entendemos que elas querem saber quais são os nossos compromissos, qual é o nosso propósito, o que estamos fazendo pela sociedade e pelas gerações futuras. E esperam esse posicionamento claro. O cuidado com o planeta vai, assim, se tornando parte da estratégia de negócios e precisa estar no centro de tudo o que fazemos. Mais uma vez, estamos falando de pessoas para pessoas. E, claramente, para o planeta!

*Crédito da foto no topo: Oleg Magni/Pexels

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