O 1:1 é, acima de tudo, um momento de criar conexão

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O 1:1 é, acima de tudo, um momento de criar conexão

Prática reduz a necessidade de muitas reuniões, dá autonomia à equipe e é um investimento de tempo com retorno relativamente rápido


19 de outubro de 2021 - 6h00

Eu não conheço um líder perfeito. Pra falar a verdade, até me pergunto se existe mesmo essa pessoa. Prefiro acreditar que a gente deve buscar melhorar sempre, e é esse o meu norte. Um dia eu acerto, no outro erro, e segue o jogo. Afinal, dizem, a perfeição é uma meta.
Nos meus anos de jornada como liderado e líder, o 1:1 (se diz one a one) vem se mostrando um instrumento fundamental. Um 1:1 bem-feito se torna um canal para expressar e entender o outro. Criar uma conexão mesmo.

Na nossa empresa, o 1:1 foi adotado muito pelo que vivenciamos de benefícios e, principalmente, por sabermos a importância de um encontro bem-feito; faz muita diferença ter um bom líder e um líder que não faz nada ou usa mal esse tempo.

Pensando no lado prático, se você faz 1:1s bem efetivos, reduz a necessidade de muitas reuniões, além de acabar com aquela coisa de estar sempre pedindo status. De certa forma, é um investimento de tempo, mas com um retorno relativamente rápido, pois você começa a dar autonomia e as pessoas vão dando mais vazão ao que pensam e sentem.

Se você faz parte de uma equipe, o 1:1 é muito útil para dizer ao seu líder o que ele precisa fazer para te ajudar, ou te desbloquear, ou te alinhar com outros que estejam em outro nível. Também facilita processos, porque você está fornecendo o seu status, se está tudo bem ou precisa de alguma ajuda.

Deixe claro o sentido dessa cerimônia

Para incluir a cultura do 1:1 na sua empresa, a primeira coisa é entender que a reunião é para o seu liderado falar mais do que você. Nas primeiras reuniões, procuro não trazer pauta, por mais que eu tenha — e a gente sempre tem, não é? É importante que a pessoa sinta-se à vontade para trazer as suas questões.

Se precisar dar um cutucão, tipo: ‘e aí, você não tem nenhum problema?’, tudo bem. E se ela quiser conversar sobre outro assunto que não sejam ideias, dúvidas e etc., tudo bem também. Lembrando que o 1:1 não é só falar de trabalho. Mais uma vez, é um momento de criar conexão.

Geralmente, marco uma hora com os meus liderados semanalmente. Se não tem assunto suficiente, pode durar meia hora ou quarenta minutos. E é até bom; pois, quando sobra tempo, vamos trabalhar ou usamos essa meia hora para resolver algum assunto pendente.

Mas também não precisa fazer a reunião só porque está marcada se não há nada para ser dito. Ou ela corre o risco de virar uma simples atualização de status que precisará de outra reunião.

Para incluir a cultura do 1:1 na sua empresa, a primeira coisa é entender que a reunião é para o seu liderado falar mais do que você (Créditos: A StockStudio/shutterstock)

Um 1:1 ruim pode prejudicar a relação

Como eu disse, quando mal conduzido, o 1:1 é simplesmente uma coleta robótica de status. Você pega essa meia hora ou uma hora do seu liderado, fala para ele contar como foi tal coisa e tal coisa e tal coisa. Mas, pensa bem: para saber o status de algo, basta olhar no sistema de tarefas que vocês usam. Será que uma reunião assim precisaria existir?

Já se o líder bate muito forte no feedback, ao invés de deixar a pessoa fazer as próprias reflexões, também pode desandar as coisas. Não seria melhor se ele perguntar: “você acha que poderia ser diferente? acha que poderia ser de tal jeito?”. Afinal, o papel do líder é guiar essa pessoa para ela evoluir. E o feedback duro é algo que desmotiva muito.

Mas claro que, pior do que essas situações, é não fazer nada.

Transparência gera transparência

O 1:1 pode ser um momento de você colocar cartas na mesa, ser bem transparente. Quando a pessoa vê que você é transparente, ela também se sente à vontade para ser transparente.

Uma das coisas que eu faço do primeiro ao segundo 1:1 com uma pessoa, logo que ela acabou de entrar, é perguntar: “se você pudesse elencar os três principais pilares pelos quais gostaria de ser recompensado no trabalho, em que ordem colocaria?”. E dou três opções: compensação financeira, escopo ou cargo/título.

A resposta vai depender do momento de cada um. Talvez alguém que esteja muito no começo da carreira, se preocupe muito mais com escopo, depois cargo e, por último, compensação financeira. Normalmente as finanças interessam mais a uma pessoa mais sênior, com família, por exemplo. Como líder, é importante entender como a pessoa funciona para poder não só fazer uma boa gestão no sentido de guiá-la, como também dar desafios instigantes e quando estiver indo bem recompensar de maneiras adequadas.

Então, o 1:1 é o lugar de conhecer o seu liderado e, assim, ajudá-lo muito mais. E quer desperdiçar esse momento.

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