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Opinião

O que Web3 e frio na barriga podem nos ensinar?

A gente comemora a campanha no ar, o prêmio na prateleira, o novo cliente, o novo emprego no LinkedIn... mas, por trás disso tudo, existe tanto, mas tanto frio na barriga


7 de abril de 2022 - 1h40

(Crédito: Vectorfair/Shuttersotck)

Esse texto começa, na verdade, há pouco mais de um ano, quando aceitei o desafio de liderar o departamento de Planejamento e Conteúdo da DRUID Creative Gaming e tudo ainda era mato no cenário de gaming no Brasil.

Hoje, a indústria já está em um outro nível de fama e aceitação, digamos assim, por parte do mercado e dos clientes. Mas, quando recebi o convite, havia apenas um potencial para este segmento. E era isso. Havia muito frio na barriga também. Fico pensando como falamos pouco – ou quase nada – sobre o medo e o frio na barriga na hora de realizar planos. A gente comemora a campanha no ar, o prêmio na prateleira, o novo cliente, o novo emprego no LinkedIn… mas, por trás disso tudo, existe tanto, mas tanto frio na barriga. Essa é a parte que ninguém vê e, talvez, seja uma das que mais importam.

Esse meu primeiro ano de DRUID, que também foi o primeiro ano da agência, foi insano. Eu não sei que outra palavra usar para definir. Começar uma empresa do zero, no meio da pandemia, uma agência com um propósito novo, que precisava se provar e ainda provar o mercado dos games. Foi fácil? Nem um pouco. Senti um frio na barriga intenso todo santo dia, durante meses. E aqui, inclusive, deixo minha total admiração por todos aqueles que optam pelo novo, pelo desconhecido, por desbravar algo sem ter referências, nem o mapa da mina ou o caminho das pedras. Começar algo antes de todo mundo não é simples. Você é quem tem que fazer o trajeto e, se der certo, os outros virão atrás.

Tive que me reinventar totalmente como planner: mergulhar nesse ecossistema gigantesco que é o dos games, entender a fundo os vários estilos de jogos, os campeonatos, os times, o papel estratégico que cada um desses assets pode ter para uma marca, os inúmeros perfis gamers que existem, as oportunidades, as tensões… tudo novo e, de novo, haja frio na barriga! Mas, como aprendemos e crescemos quando conseguimos gerenciar e cuidar bem do nosso frio na barriga, né? Quando topei o desafio de trabalhar com o cenário gamer, sabia que estava entrando em um mundo que se move muito rápido. Quando você acha que está entendendo deste universo, ele muda. E, aí, é preciso realmente aprender a abraçar o incerto e estar sempre aberta a evoluir com ele.

Mais recentemente, meu frio na barriga me levou para o SXSW e gostaria de falar especificamente sobre um dos painéis que assisti, com um tema que é pauta diariamente: a Web3. A promessa é que teremos uma nova internet como um ambiente descentralizado e menos dependente, para não falar totalmente independente, dos monopólios das redes sociais. A Web3 caminha junto com outras evoluções, como o metaverso e a ascensão da Blockchain e das criptomoedas. Juntos, estima-se que todos esses novos conceitos nos levarão para uma existência mais dissociada das grandes instituições.

Apesar da previsão desse futuro, a Web3 já está entre nós. Mas como em qualquer terra ainda pouco explorada, há muito medo, mudanças, riscos e incertezas. A maior parte das pessoas vai para o caminho da segurança. No caso da Web3, blockchain e afins, a reação comum é “tenho medo de investir, de entrar agora e perder meu dinheiro”. E, nesse caso, o dinheiro pode ser uma metáfora para tantas coisas na vida. Anjali Young, uma das painelistas do SXSW, falou uma frase que trouxe comigo: “Nós estamos construindo o futuro aqui. De fato, tem muita coisa incerta ainda, mas não é sobre colocar muito ou pouco dinheiro, mas um dinheiro que você queira usar para aprender. E, quem entrar agora, mesmo nessa fase incerta, vai construir uma experiência valiosa versus os que vierem depois.”

Young estava dando um conselho sobre Web3, mas poderia ser tranquilamente sobre gestão de carreira ou decisões de marketing. E, pensando sobre qual seria minha primeira pauta para o Women to Watch, resolvi falar sobre esse ajuste de mindset diante de incertezas, sobre como a gente precisa olhar mais para o que nos dá frio na barriga, escutar isso, cuidar disso, e não fugir.

Minha carreira renasceu e decolou nesses últimos anos na base de muito frio na barriga, aprendendo a lidar com o incerto todos os dias. Acredito, que no geral, as mulheres nunca foram criadas ou historicamente encorajadas a assumirem riscos e a investirem em seus frios na barriga. Então, esse é o residual que eu quero deixar na minha pauta inaugural. Se eu não tivesse apostado nas incertezas que a vida trouxe, eu, literalmente, não estaria aqui escrevendo esse texto agora.

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