O poder da presença feminina

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Opinião

O poder da presença feminina

Ao contrário de outros segmentos, na comunicação corporativa, mulheres são 69% das lideranças


26 de março de 2024 - 8h00

No mês em que se comemora o Dia Internacional das Mulheres, é imprescindível trazer à tona os desafios com relação a presença feminina no mercado de trabalho. Para se ter uma ideia, segundo dados referentes a 2022, de pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 53,3% das mulheres participam da força de trabalho, enquanto a taxa masculina representa 73,2%. Já com relação aos cargos gerenciais, 60,7% são homens e 39,3% mulheres.

Outro fator que chama a atenção, do mesmo estudo, está relacionado à diferença entre salários para exercer a mesma função. Em 2022, mulheres em cargo de gerência tiveram rendimento médio de R$ 6.600, 21,2% abaixo do que os homens (R$ 8.378).

Além disso, mesmo as mulheres sendo a maioria no Brasil, e tendo nível de escolaridade mais evoluído do que os homens – do total de formandos em cursos de graduação presencial, as mulheres representam 60,3%, enquanto homens, 39,7% – o cenário ainda é desproporcional.

Isto ocorre devido às questões sociais e culturais impostas até hoje pela sociedade, a qual costuma atribuir e impor às mulheres a responsabilidade central de cuidados domésticos em detrimento de um desenvolvimento de carreira efetivo.
Outro aspecto significativo diz respeito aos inúmeros casos de machismo e assédio que ainda permeiam o âmbito profissional. De acordo com o levantamento da Forum Hub, 18,3% das mulheres já sofreram assédio sexual no trabalho, percentual cinco vezes maior que o dos homens (3,4%).

Há ainda o fato de que as mulheres costumam se comparar e se cobrar muito mais do que os homens. A Síndrome do Impostor, por exemplo, se manifesta muito mais nas mulheres e toda essa insegurança, por sua vez, pode levá-las a terem uma evolução mais lenta na carreira.

O mercado de comunicação na contramão
Um dos setores que batem de frente com essa realidade é o segmento de comunicação. Cada vez mais, tem se tornado comum mulheres em cargos de liderança em agências. Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE), mostrou que 69% dos cargos de liderança na comunicação corporativa são ocupados por mulheres no Brasil.

No geral, este é um mercado de grandes oportunidades para as mulheres. Existem estudos, inclusive, que apontam as mulheres como líderes melhores do que os homens em situações de crise na área de comunicação. Isto porque, enquanto os homens são mais racionais, as mulheres tendem a agir com mais afetividade, colaboração e compreensão.

Além disso, já é mais do que evidente que as empresas que possuem mulheres em seu quadro de funcionários e em cargos de liderança, contam com uma diversidade de pensamentos que fomenta a inovação e o potencial criativo, fator imprescindível para as agências de publicidade, por exemplo.

Transformar para evoluir
O fato é que não apenas o mercado de comunicação, mas todos os setores, devem olhar para as mulheres como prioridade. Neste contexto, mais do que incentivar diálogos sobre o tema, é preciso criar iniciativas que abram maiores oportunidades para as mulheres e que desmistifiquem a competição entre as mesmas.

Na prática, isto pode ser feito por meio da abertura de vagas exclusivas para as mulheres e a criação de comitês de empoderamento feminino. Assim, cria-se um ambiente de trabalho em que as mulheres têm acesso a um espaço capaz de transmitir segurança e perspectivas de carreira. E nesse sentido, os homens precisam apoiar a causa, oferecer espaço de fala e serem mais flexíveis.

Conselhos valiosos
Desta forma, para as mulheres aspirantes a posições de liderança, é essencial reconhecer a importância das relações interpessoais no desenvolvimento de suas carreiras. A interação com colegas e profissionais do mesmo campo não só amplia a rede de contatos, mas também proporciona aprendizado e oportunidades de crescimento. Nesse contexto, a participação em eventos relacionados à sua área de interesse emerge como uma estratégia valiosa, possibilitando atualização profissional, estabelecimento de parcerias estratégicas e o reconhecimento no meio.

Assim, à medida que o mercado investe mais em mulheres, será possível criar um ambiente de trabalho mais diverso, incentivando mais pluralidade e inovação no ambiente corporativo.

À medida que as mulheres se empoderam, criam-se espaços para outras e constrói-se representatividade. Discutir e promover a equidade é fundamental para garantir que todos tenham acesso às mesmas oportunidades, independentemente de gênero. O compromisso com esta causa contribui para a criação de ambientes de trabalho mais inclusivos e diversos, além de fomentar a pluralidade de ideias e perspectivas, que são ingredientes essenciais para a inovação. Ao investir no desenvolvimento e na inclusão de mulheres no mercado de trabalho, as organizações não apenas promovem a justiça social, mas também potencializam sua capacidade de inovação e competitividade em um cenário corporativo cada vez mais competitivo.

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