Not So Guilty
Como o medo do julgamento pode limitar a criatividade e a inovação no trabalho
Como o medo do julgamento pode limitar a criatividade e a inovação no trabalho
11 de março de 2025 - 18h15
Já me eximindo de qualquer culpa, admito: não fazia ideia de quem estava falando no palco principal do SXSW quando entrei na manhã de domingo. Eu só queria garantir um lugarzinho bom para a próxima atração.
Enquanto esperava, sorte grande: assisti à gravação ao vivo de um podcast famosíssimo (que, também admito, não conhecia). No palco, Kenya Barris e Malcolm Gladwell comandavam “Unusual Suspects” diante de 1.700 espectadores.
A convidada? Brené Brown. Foi boa? Olha, deve ter recebido umas oito salvas de palmas por motivos diferentes ao longo de uma hora de conversa. Isso já devia dizer tudo. Mas a Wikipedia diria algo a mais.
Tipo ela ser uma professora, pesquisadora, palestrante, escritora e apresentadora, conhecida principalmente por sua pesquisa sobre vergonha, vulnerabilidade e liderança.
Brené tem um raciocínio no mínimo provocador sobre a diferença entre “shame” e “guilt”. Uma reflexão em que a culpa é vista como algo que pode ser possivelmente positivo, logo trabalhado, enquanto a vergonha é algo tão profundo e doloroso que nos inibe de nos considerarmos capazes ou até mesmo merecedores de qualquer reconhecimento.
A culpa é absolutamente atrelada à perspectiva. Você “sentindo” as emoções de pessoas que não necessariamente, nem provavelmente, pensam como você.
Talvez nem todo mundo tenha aceitado isso, mas vamos aos fatos: nosso trabalho hoje existe num lugar de medo. Medo de sermos julgados, medo de sermos cancelados. Medo de fazer algo que possa terminar com a sua carreira na velocidade de um “share”.
E é justamente esse medo que, invariavelmente, faz nós profissionais e agências, assim como muitas marcas, deixarem de ousar, operando no modo feijão com arroz. E convenhamos? Feijão com arroz é muito bom. Mas cansa. E dificilmente você vai ouvir nas notícias “Feijão com arroz faz fila de três quadras na Faria Lima”.
A culpa é um mecanismo de defesa. Ela está aí para nos proteger. Seria ignorância não usá-la. Mas isso não significa ter apenas medo – do medo. Sinta a culpa. Compreenda-a. Permita-se tentar inventar um sushi com maracujá. Um bolinho de feijoada.
Você nem sempre vai acertar. Só não opere na base da “guilt”. O que parece ser um caminho seguro invariavelmente acaba levando você à “shame”. Então, sinta a culpa. Mas não tenha medo dela.
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