Tecnologia

Seis sinais de que a inteligência artificial dominou Cannes

Líderes de OpenAI, Google, Publicis Groupe, Dentsu e BYD apontaram como a tecnologia redesenha a criatividade

i 29 de junho de 2026 - 6h30

Denise Dresser, CRO da OpenAI, e Demis Hassabis, CEO da Google DeepMind - Inteligência artificial

Denise Dresser, CRO da OpenAI, e Demis Hassabis, CEO da Google DeepMind, participaram pela primeira vez de painéis no festival (Crédito: Celina Filgueiras/ Shane Anthony Sinclair/Getty Images for Cannes Lion)

O Cannes Lions 2026 consolidou a inteligência artificial não apenas como uma ferramenta acessória, mas como eixo central de transformações profundas na indústria criativa e nas marcas. Nas trilhas de conteúdo, o tema apareceu em diferentes perspectivas, indo da inovação tecnológica até a estratégia de negócios.

Através de debates com OpenAI e Google DeepMind, que propuseram uma nova “economia da inteligência” e impacto profundo no cinema, aos alertas críticos do britânico John Hegarty sobre a preservação da arte de contar histórias, o festival foi o palco de uma discussão profunda sobre como a tecnologia está ajudando a redefinir a criatividade e a eficácia.

Entre as agências e marcas, Publicis Groupe, Dentsu e BYD encaram esse momento como a maior revolução da história, exigindo que cada fluxo de trabalho seja reimaginado para além da simples produtividade. Abaixo, leia seis reflexões de líderes mundiais que emergiram no Palais e que provam que a IA foi a protagonista desta edição:

Maior revolução tecnológica da história

Para o Publicis Groupe, o impacto da inteligência artificial generativa é a maior revolução já enfrentada pelas agências, superando até mesmo o surgimento da internet. O CEO Arthur Sadoun defende que a tecnologia é um motor de crescimento capaz de conectar criação e produção de forma personalizada, embora alerte que a indústria criativa precisa evoluir rápido para permanecer relevante.

A transição para a “economia da inteligência”

Em sua estreia no festival, a OpenAI apresentou o conceito de “economia da inteligência”. Denise Dresser, chief revenue officer (CRO) da companhia, explicou que a prioridade do setor está deixando de ser a simples captura da atenção para focar na utilidade e na relevância conversacional, permitindo alcançar consumidores com anúncios mais inteligentes baseados em intenções profundas.

IA no arsenal criativo do cinema

O CEO da Google DeepMind, Demis Hassabis, comparou a IA ao impacto que o CGI teve no cinema, sendo uma ferramenta que se tornará padrão no arsenal de criadores. Em painel com o estúdio A24, foi discutido como a tecnologia amplia as áreas de superfície da criação, permitindo testar caminhos narrativos com mais velocidade e estimular o risco criativo sem retirar o controle das mãos dos artistas.

Os limites da IA no consenso social

Apesar das “enormes possibilidades”, o CEO da Dentsu, Takeshi Sano, trouxe um contraponto. Para o executivo, no cargo quatro meses, a inteligência artifical pode gerar milhares de ideias e aumentar a produtividade, mas não consegue definir o futuro ou construir consenso social. Sano defendeu que a inovação real continua dependendo da cultura organizacional, da diferenciação estratégica e do impacto real nos negócios.

O resgate da arte de contar histórias

O lendário publicitário John Hegarty fez um alerta crítico sobre como o foco excessivo em dados e algoritmos fez a publicidade “esquecer a arte de contar histórias”. Ele defendeu que a criatividade deve voltar ao centro das empresas e que a inteligência artificial deve ser liderada pela intuição humana, pois apenas grandes ideias são capazes de elevar marcas ao status de cultura.

Tecnologia como ponte para a cultura local

A estratégia de expansão global da montadora chinesa BYD revelou como a IA pode ser usada para traduzir complexidades técnicas para a linguagem e cultura de cada país, apontou Stella Li, CEO da companhia nas Américas, Europa, Oriente Médio e África. Martin Sorrell, chairman S4 Capital, outro participante do painel, reforçou que a IA está tornando as estruturas organizacionais mais “planas” e democratizando o conhecimento, permitindo o fim das campanhas centralizadas em favor da hiperpersonalização.