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Inspiração

Amanda Guimarães: “Criei uma bolha de empatia e respeito”

A influenciadora e empresária, também conhecida como "Mandy Candy", fala sobre suas inspirações e os desafios de ser uma produtora de conteúdo em tempos de cultura da perfeição

Michelle Borborema
15 de junho de 2022 - 9h13

“Só me chamam ou esperam que eu fale sobre minha transição ou sobre o preconceito que sofri durante a vida”, diz a influenciadora e empresária Amanda Guimarães, mais conhecida como “Mandy Candy” (Crédito: Divulgação)

Amanda Guimarães, mais conhecida como a influenciadora “Mandy Candy”, acredita que a principal característica que uma mulher influenciadora deve ter é o compromisso com a verdade. Para a youtuber trans, que tem 33 anos e mais de 2 milhões de inscritos em seu canal e 800 mil seguidores no Instagram, é importante ser real e fiel ao que acredita em meio a uma cultura de conteúdo que preza pela perfeição. “Tento sempre ser eu mesma, mesmo que não agrade a todos. Acho que isso é importante não só para o trabalho, mas para a vida”, diz. 

Confira a conversa com Amanda, que trabalha há 8 anos como produtora de conteúdo, é gamer, empresária e se considera uma mãe de pet. A influenciadora costuma falar em suas redes sociais sobre transição de gênero e lifestyle, e confessa que seu principal objetivo é ser vista por características que vão além de uma mulher trans. “Hoje meu maior desafio é deixar de ser vista como a trans do rolê, sabe? Mostrar que além de militância, de falar das nossas dores, a gente também pode ser e mostrar tantas outras coisas.” 

 

Que características ou habilidades você considera essenciais em uma mulher influenciadora de muitos seguidores e empreendedora como você? Como você as desenvolve e as alimenta regularmente? 

Acredito que ser real e fiel ao que a gente acredita. É superimportante que nosso conteúdo, mesmo que seja mais leve, passe verdade. Estamos vivendo uma cultura de perfeição. Olhando para as redes sociais, parece que a vida dos outros, principalmente a de influenciadores, é sempre perfeita, né? Quantas vezes a gente não se compara ao que os outros estão postando e pensamos que estamos produzindo pouco, nos cuidando pouco, vivendo pouco… sendo que cada pessoa tem sua forma de ser e de levar a vida. Às vezes a gente, que trabalha com isso, acaba se perguntando se o que passamos é o que realmente sentimos ou se estamos moldando nosso conteúdo para o que é mais atrativo, mesmo não sendo 100% real. Trabalho muito minha cabeça e sempre me questiono se o que estou postando, se a mensagem que estou querendo passar, é algo que eu consumiria, algo que eu acredito e faz sentido para mim. Tento ser sempre eu mesma, mesmo que não agrade a todos. Acho que isso é importante não só para o trabalho, mas para nossa vida. 

Hoje, qual é o seu principal desafio como produtora de conteúdo e empreendedora? Qual é a sua estratégia para chegar lá? 

Hoje meu maior desafio é deixar de ser vista como a trans do rolê, sabe? Mostrar que além de militância, de falar das nossas dores, a gente também pode ser e mostrar tantas outras coisas. Eu, por exemplo, sou gamer, falo de moda, maquiagem, sou empresária, mãe de onze gatos e quatro lhamas (risos) e muitas vezes todas essas pequenas coisas que me constroem não aparecem. Só me chamam ou esperam que eu fale sobre minha transição ou sobre o preconceito que sofri durante a vida.

Você também é streamer. Como é ser uma mulher trans em um meio ainda muito machista e transfóbico?  

No caso dos games, hoje em dia quase nunca sofro preconceitos em minhas lives. Fico feliz de ter ajudado e estar vivendo uma mudança significativa quando se trata de respeito. Claro que ainda temos muito o que caminhar e lutar, afinal o Brasil ainda é o país que mais mata trans do mundo. Mas quando comecei na internet, há uns oito anos, era muito pior. Cada vídeo que eu postava tinha comentários transfóbicos e ameaçadores. Hoje é bem difícil encontrar algum e, quando tem, minha comunidade está ali para repreender, me ajudar e apoiar. Acredito que com minha mensagem e meu conteúdo criei uma comunidade ou até mesmo uma bolha de empatia e respeito. Confesso que às vezes, quando tenho que sair dela, me dá frio na barriga, pois nunca sei como vai ser a recepção das pessoas.

Você é nova e tem uma carreira bem-sucedida e sólida. Para você, o que te fez chegar aonde está e se manter nesse lugar? 

Eu me dedico 100% ao meu trabalho na internet. Sempre foi meu sonho trabalhar com comunicação, e quando comecei a conquistar meu espaço eu não me acomodei e fui testando e criando coisas novas. Meus projetos nem sempre dão certo, mas o importante é não desistir. Quando a gente quer algo, tem que correr atrás, seja um trampo ou um sonho.

Quais mulheres inspiradoras você segue, lê e observa? Como elas te inspiram? 

Acompanho horrores a Maíra Medeiros, Bryanna Nasck e a Alexandra Gurgel. São mulheres que passam verdade no que produzem, que nos fazem sentir bem conosco ao assistir e transmitem mensagens de amor. Isso é muito do que eu espero e gosto de carregar comigo quando estou consumindo algum tipo de conteúdo.  

A Laverne Cox, mulher trans maravilhosa, empoderada, que faz tanto por nossa comunidade, também me inspira demais. 

Por fim, tem alguma dica de séries, filmes, livros e/ou músicas que consumiu recentemente e te fizeram refletir sobre a condição e o papel das mulheres, sobretudo das trans? 

Gostaria que todo mundo assistisse Pose, para ver um pouco do que as mulheres trans passavam e ainda passam hoje em dia. Faz a gente refletir sobre tantas coisas, sobretudo sobre a vivência de mulheres trans. Um dos meus seriados favoritos.

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