Lideranças femininas de tech estão à frente na adoção de IA generativa

Buscar
Publicidade

Women to Watch

Lideranças femininas de tech estão à frente na adoção de IA generativa

Estudo aponta que mulheres seniores em funções técnicas estão, em média, 14 p.p. à frente dos homens no uso da tecnologia


20 de junho de 2024 - 11h04

Uma pesquisa recente realizada pelo Boston Consulting Group (BCG) acaba de revelar diferenças na adoção de inteligência artificial generativa (GenAI) entre homens e mulheres do setor de tecnologia. O estudo, feito com mais de 6,5 mil funcionários de empresas de tecnologia em cinco países, com diferentes níveis de senioridade e funções, identificou três causas raízes que explicam a desigualdade de uso: a consciência da importância desta inovação para o sucesso no trabalho; a confiança no conhecimento do profissional sobre a solução; e tolerância ao risco, considerando que as políticas de uso ainda são incipientes na maioria das empresas.

A análise mostrou ainda que a frequência de uso das ferramentas de GenAI no trabalho são praticamente iguais: 68% das mulheres frente a 66% dos homens. No entanto, foram identificadas diferenças significativas no desdobramento de nível de senioridade e função.

Segundo o levantamento, as mulheres seniores que exercem funções técnicas, como engenharia de software, tecnologia da informação (TI), suporte ao cliente, vendas e marketing, estão, em média, 14 pontos percentuais (p.p.) à frente de seus colegas homens na adoção de GenAI. Tais resultados revelam oportunidades para que mulheres seniores liderem e moldem a revolução tecnológica trazida pela GenAI, aumentando a representatividade feminina na liderança.

“Identificamos no estudo a percepção de que as mulheres seniores sempre estiveram pressionadas para ter melhor performance em uma indústria dominada por homens. Assim, elas buscam formas de se diferenciar e a adoção de GenAI é uma delas”, avalia Ana Vieira, diretora executiva do BCG.

Confiança e conhecimento

A análise também revelou diferenças na consciência da importância do GenAI para o sucesso no trabalho: mulheres seniores em funções técnicas estão 10 p.p. à frente dos homens nesse quesito. Em contraste, mulheres juniores em funções técnicas e não técnicas estão, respectivamente, 15 p.p. e 17 p.p. atrás deles nesse aspecto.

No que diz respeito à confiança no conhecimento sobre a tecnologia, o estudo indica distinções de acordo com o nível de senioridade e função. Mulheres seniores em funções técnicas têm maior confiança do que os homens (4 p.p.), enquanto as que não estão em funções técnicas estão 8 p.p. atrás deles. Mulheres juniores em funções técnicas estão 7 p.p. atrás de colegas do sexo masculino e mulheres juniores em funções não técnicas, 11 p.p. atrás.

Tolerância ao risco

O relatório do BCG aponta ainda que mulheres seniores em funções técnicas são mais tolerantes a risco que seus colegas homens. Em contraste, mulheres juniores em funções técnicas estão 9 pontos percentuais (p.p.) atrás de seus colegas homens, e mulheres juniores em funções não técnicas estão 16 p.p. atrás.

Para que a adoção de GenAI contribua na promoção de maior inclusão e diversidade na indústria de tecnologia, tratando as causas raízes identificadas no estudo, o BCG sugere três frentes de atuação:

– Apoio claro da liderança, reconhecendo e recompensando influenciadores e compartilhando os benefícios obtidos.

– Lançamento de programas de capacitação relevantes, com ambientes propícios à testes e troca de experiências.

– Execução de pilotos com participação planejada de profissionais de grupos de diversidade, apoiados por políticas claras de inteligência artificial (IA) responsável.

A pesquisa completa está disponível, em inglês, no site do BCG.

Publicidade

Compartilhe

Veja também

  • Bárbara Lima: “Houve um esfriamento das discussões sobre diversidade”

    Bárbara Lima: “Houve um esfriamento das discussões sobre diversidade”

    A VP do Observatório de Diversidade na Propaganda (ODP) avalia a queda na representatividade de mulheres na publicidade online

  • Linguagem neutra na comunicação: utopia ou realidade?

    Linguagem neutra na comunicação: utopia ou realidade?

    As crescentes discussões sobre realidades não-binárias têm desafiado as marcas a repensar sua responsabilidade na construção de gênero