Martech e a batalhas pelos clones

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Martech e a batalhas pelos clones

A contradição da automatização e do aspecto humano em situações de consumo


4 de dezembro de 2019 - 14h39

(Crédito: Peterhowell/iStock)

A digitalização do comércio já permite que as marcas rastreiem os consumidores, identificando oportunidades para interferir e influenciar todo o processo de compras. Dados capturados durante a jornada de compras podem ser utilizados para entregar mensagens mais eficientes e adequadas em cada contexto da vida do consumidor.

Ao mesmo tempo, recursos de tecnologia e inteligência de dados proporcionam às empresas o desenho de estratégias de abordagem em tempo real, conectando pessoas e marcas em ambientes cada vez mais diversos, inusitados e que independem da vontade dos compradores.

Nesse contexto, marketing e tecnologia são parceiros naturais e as soluções de martech, especialmente aquelas com inteligência artificial (IA), análise de dados e capazes de aprender, surgem como protagonistas do futuro do marketing.

Certamente, essas martechs estão nos levando a criar estratégias de engajamento desenhadas para manter as empresas presentes na vida dos clientes e influenciar diretamente na decisão de compras, utilizando-se tanto dos canais digitais quanto dos “tradicionais”.

Entregar ofertas personalizadas a partir do conhecimento profundo dos dados pessoais e do comportamento de compra do consumidor só será possível com a utilização de plataformas de automação de marketing e a operação dessas tecnologias é uma tarefa cada vez mais complexa e avançada, pois exige conhecimentos específicos e equipes altamente especializadas.

Já enxergamos um futuro em que todo e qualquer comportamento humano deixará uma pegada digital, permitindo que as marcas capturem e armazenem essas informações. Com a utilização de recursos de IA, o caminho natural para as martechs é a construção de “clones digitais” de seus consumidores, o que permitirá prever e interferir em seus próximos passos, iniciando a nova era do marketing preditivo.

Imagine que as martechs serão capazes de analisar os dados e prever por meio do seu “clone digital” se você está ou não em um momento bom de compra para um novo carro, nova casa etc. Que a tecnologia evoluirá para esse marketing preditivo, ninguém tem dúvidas.

Por outro lado, sabemos que a conexão verdadeira entre marcas e consumidores se dá não somente por fatores transacionais ou por automação. A equação não se resolve no “clone digital”. O que os consumidores, especialmente os jovens, querem é comprar de empresas socialmente responsáveis, engajadas com a construção de uma sociedade mais justa, saudável e responsável por sua pegada ecológica. O propósito das marcas deve ser mais humano e voltado a construir ao lado dos consumidores um futuro mais justo e com um consumo mais consciente e equilibrado. As empresas que admiramos vão ter que ir muito além disso. O que realmente queremos é o toque humano do relacionamento com as marcas.

Então, surge uma grande contradição. De um lado, buscamos a automatização e, por outro, o aspecto humano do relacionamento em situações de consumo nos próximos anos. Como será o resultado do marketing no futuro? Qual é o caminho? Bom, o sucesso das estratégias de comunicação dependerá em grande parte de como as equipes de marketing e suas tecnologias de martech resolverão essa equação para promover o equilíbrio adequado entre a automação inteligente, que inclui os “clones digitais” e o toque verdadeiramente humanizado, voltado à construção de um mundo melhor e mais justo.

**Crédito da imagem no topo: Reprodução

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