Ryan Reynolds barra imprensa e fala sobre cultura na NRF
Ator canadense foi destaque no segundo dia da feira e falou sobre como suas marcas competem com as grandes potências globais

Ryan Reynolds fala sobre as estratégias para que suas marcas consigam competir com grandes nomes do mercado norte-americano (Crédito: Daniel Boczarski/Getty Images for Maximum Effort and Mills Entertainment)
O segundo dia de palestras da Retail’s Big Show (NRF) começou com Ryan Reynolds como um dos destaques da programação. A apresentação do ator canadense, contudo, não era aberta à imprensa. Ao tentar ingressar na entrada do Level 5, onde ficava o Vusion Theatre, no Javits Center, local do evento, a reportagem de Meio & Mensagem foi barrada, junto a jornalistas de outros veículos. Questionados, os responsáveis pela segurança do evento alegaram que o impedimento ao acesso era exigência do ator, que não queria que o conteúdo de sua palestra fosse gravado.
Mesmo com a ausência dos jornalistas que portavam a credencial de imprensa da NRF, poucas horas depois do painel, diversos textos e comentários sobre as falas do autor já podiam ser encontradas na internet. Entre eles, estavam também as análises de alguns dos colunistas que participam do Blog Conexão Nova York, de Meio e Mensagem.
Os presentes na apresentação afirmaram que Reynolds estava de bom humor e que o astro procurou fazer uma palestra que, ao mesmo tempo, fosse divertida e provocasse reflexões. O ator usou alguns problemas técnicos que aconteceram no palco, inclusive, para fazer piadas e passar uma mensagem sobre abraçar os erros.
O artista é proprietário de marcas como Aviation Gin (bebida alcoólica), Mint Mobile (telefonia) e do time inglês Wrexham AFC. Um dos pontos que mais chamou atenção dos colunistas foi quando Reynolds falou sobre a agilidade e como ela pode ser um diferencial para que marcas de menor expressão financeira possam competir em um mercado global, dominado por gigantes.
Anita Batagiln, chief revenue officer da Unlock, escreveu em seu artigo que um dos pontos altos da palestra foi quando o ator explicou o conceito de fastvertising, que gira em torno de campanhas que são culturalmente conectadas e executadas quase em tempo real.
Segundo a executiva, Ryan passou a mensagem de que não é o orçamento que gera impacto, mas sim leitura de contexto somada à agilidade de execução.
Ainda nesse tema, Albano Neto, CSO da Score, contou que o ator reforçou que muitas das grandes marcas tem um processo lento e com muitas camadas, o que acaba matando essa agilidade. “Escala sem agilidade mata relevância. Processo demais mata intuição. Aprovação demais mata coragem”, disse o ator, no palco do evento.
Autenticidade como chave
Apesar de ser o rosto que dá vida a diferentes personagens fictícios, como Deadpool, na produção da Disney de mesmo nome, ou Chris Brander, de Apenas Amigos, o executivo reforçou a importância de criar movimentos autênticos. Ele explicou como construiu suas marcas explorando o que realmente tinha a ver com a sua personalidade, mesmo que em alguns momentos esse processo não tivesse sucesso.
“Ele contou que nunca construiu marcas tentando parecer maior, mais sofisticado ou mais “corporate” do que realmente era. Pelo contrário: assumiu falhas, riu de si mesmo e usou o humor como ponte emocional. Para Reynolds, compartilhar fracassos, o que ele chama de ‘fracassos nobres’, cria confiança real e fortalece a base criativa de qualquer negócio”, comentou Anita em seu texto.
Já o especialista em inovação, inteligência artificial e diretor de estratégia da Agência 80 20 Marketing, Kenneth Corrêa, definiu a estratégia de Reynolds como algo tão autêntico e divertido que a mídia se viu obrigada a cobrir.
“A frase que ecoou no auditório lotado foi: “Palavras custam menos que explosões e ficam mais tempo na memória”. Ele vendeu pertencimento, não produto”, escreveu o articulista.
Construindo uma base de fãs
Outro investimento de Ryan Reynolds é no esporte com o Wrexham. O clube do País de Gales, que hoje disputa a championship, considerada a segunda divisão do Campeonato Inglês, foi comprado pelo ator juntamente com Rob McElhenney, por cerca de 2 milhões de euros e, agora, vale mais de 100 milhões de libras.
Toda a trajetória desse empreendimento se transformou em uma série documental produzida pelo Grupo Disney e exibida no Disney +, mostrando como os investimentos realizados e a estruturação profissional do time tiraram o clube da 5ª divisão inglesa.
Além disso, com a produção Reynolds mostra como ele trabalhou com a de torcedores da cidade com mesmo nome que é super engajada e, em alguns momentos, desconfiada de como se daria o seu trabalho. A série mostra os comentários que o empreendedor recebeu antes da aquisição e como os torcedores se relacionaram com ele, além de contar a história da comunidade que é apaixonada pelo time.
Segundo Anita, esse case trouxe uma das reflexões mais poderosas da palestra. “Eles não venderam futebol, venderam pertencimento, orgulho local e narrativa humana”, escreveu.
De acordo com a executiva, Reynolds destacou que o impacto da compra, da produção do documentário e da trajetória do clube teve impacto que ultrapassou o esporte, atraindo patrocinadores globais e criou valor.

