Women to Watch

Ranking aponta as piores cidades para mulheres no Brasil

Estudo analisa indicadores do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 da ONU para avaliar igualdade de gênero nos municípios brasileiros

i 28 de agosto de 2025 - 14h52

Zero. Este é o número de cidades que alcançou um bom resultado em igualdade de gênero no Brasil, conforme apurou o estudo “Piores Cidades Para Ser Mulher”, produzido pela Tewá 225. Em 85% delas, o índice foi classificado como muito baixo.

A conclusão da pesquisa é que na maioria dos grandes e médios municípios brasileiros, o Estado falha em proteger as mulheres. 99% já ultrapassaram a taxa de 3 mortes violentas por 100 mil mulheres, limite considerado inaceitável pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A constatação converge com os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, que registrou 1.492 feminicídios no país em 2024, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado, em 2015. Segundo o Anuário, a maioria das vítimas era mulher negra (64%), com idades entre 18 e 44 anos (70%), morta dentro de casa (64%), com uso de arma branca (48%), por companheiros ou ex-companheiros (80%).

“O feminicídio é a expressão mais extrema de um ciclo persistente de violência de gênero. Os dados revelam que a maioria das cidades brasileiras falha na prevenção e no enfrentamento dessas violências. Mesmo onde existem políticas públicas, faltam mecanismos eficazes de proteção, monitoramento e acesso. É um sinal claro da da falta de respostas efetivas à altura da gravidade do problema”, afirma Luciana Sonck, CEO da Tewá 225 e coordenadora executiva do estudo.

Piores cidades para ser mulher

No ranking das piores cidades brasileiras, Paranaguá (PR), São Pedro da Aldeia (RJ) e Camaçari (BA) destacam-se como as cidades mais desafiadoras para as mulheres, com altas taxas de feminicídio, baixa representação política feminina e economias fortemente voltadas aos setores agropecuário e industrial, onde historicamente as oportunidades para mulheres são mais limitadas e as condições de trabalho são menos favoráveis.

Nesta lista, 50% dos municípios são das regiões Norte e Nordeste e 50% do eixo Sul-Sudeste. O ranking das 10 piores cidades para mulheres no Brasil é seguido por 4º Macaé (RJ); 5º Parauapebas (PA); 6º Cabo de Santo Agostinho (PE); 7º Pindamonhangaba (SP); 8º Açailândia (MA); 9º Santana (AP); 10º Ponta Grossa (PR).

O cenário é ainda mais grave na Amazônia, onde 97% dos municípios alcançaram a pior classificação de igualdade de gênero. Em relação à participação feminina na política, 96% dos municípios analisados têm menos de 30% de mulheres na Câmara. Já ao analisar a igualdade salarial, o estudo indicou que as mulheres recebem menos que os homens em 68% das cidades brasileiras.

Na lista das piores capitais, Vitória (ES) está em primeiro lugar, seguido de São Luís (MA), Porto Velho (RO), Natal (RN) e Maceió (AL). A única capital que alcança o índice “médio” é Brasília (DF). Todas as outras foram classificadas como “baixo” e a maioria das capitais (77%) foram classificadas no nível “muito baixo”.

Já entre o top 10 melhores cidades para mulheres no Brasil, 80% encontram-se no eixo Sul-Sudeste e se destacam: 1º Araras (SP); 2º São Caetano do Sul (SP); 3º Brasília (DF); 4º Nova Serrana (MG); 5º Balneário Camboriú (SC); 6º Nova Friburgo (RJ); 7º Londrina (PR); 8º Birigui (SP); 9º Sobral (CE); 10º Brusque (SC).

O estudo analisou 319 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes. O índice avaliou a igualdade de gênero considerando aspectos como desigualdade salarial, taxa de feminicídio, presença feminina nas câmaras de vereadores, taxa de jovens mulheres que não estudam nem trabalham e a diferença percentual entre homens e mulheres nessa mesma situação.