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Perfil

Cristina Palmaka: “A diversidade é fundamental para a inovação”

Presidente da SAP América Latina e Caribe, a executiva das big techs prioriza a formação de equipes diversas e promove uma premiada política de inclusão em sua empresa

Michelle Borborema
6 de maio de 2022 - 8h43

Cristina Palmaka é Presidente da SAP América Latina e Caribe (Crédito: Wanezza Soares)

“O mundo mudou bastante de 30 anos para cá. Ainda não alcançamos a equidade, mas caminhamos na direção certa.” Para Cristina Palmaka, Presidente da SAP América Latina e Caribe, a questão da diversidade está muito mais madura do que quando começou sua carreira, aos 16 anos, como estagiária na Philips. Sobretudo entre as empresas de tecnologia.  

“Estamos entendendo que a diversidade vai além do gênero, que esse tema é interseccional. E, no mundo da tecnologia, ela é fundamental, pois somos uma indústria que inova em uma velocidade impressionante”, explica Cristina. “A diversidade de vivências, de opiniões e de entendimentos do mundo é extremamente importante para que a inovação aconteça, pois ela nos permite desbravar diferentes caminhos, pensar ideias novas, sair do lugar comum. No meu entender, a diversidade é também um diferencial competitivo.” 

Com um estilo de liderança conhecido por priorizar a formação de equipes e valorizar iniciativas de diversidade, inclusão, governança corporativa e saúde mental, a executiva já levou para a SAP Brasil, operação brasileira da empresa de software alemã, o certificado Economic Dividends for Gender Equality (EDGE) pelo compromisso da empresa com a igualdade de gênero no local de trabalho. Ela foi reconhecida, ainda, pelo Guia Exame de Diversidade em 2019 e 2020 pelas iniciativas que tem liderado na empresa. A companhia ganhou também o prêmio de Empresa do Ano no setor de tecnologia, com destaque em ações para o público LGBTIQIAP+. 

Para Cristina, um fator importante para conquistar bons resultados e ascender na carreira é construir uma equipe forte e diversa, com profissionais melhores do que sua liderança em algumas competências e que a desafiam com diferentes opiniões e perspectivas no dia a dia. “Montar um time de pessoas que garantam a continuidade da operação no cotidiano, enquanto você pensa a estratégia e o longo prazo, é fundamental. A habilidade de construir equipes também pode ser decisiva para uma futura promoção. Se o seu time não tiver profissionais que estejam preparados para a sua sucessão, respaldando seu trabalho, é um sinal de que você também não está preparado para dar o próximo passo.” 

Sucessão, aliás, é palavra de ordem para Cristina. Quando começou sua carreira, não tinha conhecimento sobre tecnologia, mas achou o desafio muito interessante e desde então só ascendeu. “A tecnologia está presente em toda a nossa vida, é uma área de muitas oportunidades, mas também de muito trabalho.” Esse interesse a levou da Philips, onde permaneceu por 15 anos, a grandes cargos executivos em gigantes da tecnologia como Microsoft, HP e a SAP, empresa de software alemã onde atua como presidente para América Latina e Caribe desde 2020, após presidir a subsidiária brasileira por 7 anos. Foi também o que a tornou uma verdadeira porta-voz da tecnologia como facilitadora do crescimento dos negócios e do apoio ao desenvolvimento econômico dos países. 

“Vi na SAP uma oportunidade de ajudar empresas e pessoas a navegar com mais facilidade por essa enorme transformação digital que estamos vivendo. Hoje trabalho com um propósito: ajudar o mundo a funcionar melhor. E a tecnologia é o caminho para cumprirmos esse propósito”, diz. 

Ao falar das dificuldades e da eficiência que sempre imprimiu em sua liderança, Cristina é direta: “Quando alguém me pergunta por quais dificuldades passei, respondo que passei pelas mesmas que qualquer outro profissional. Eficiência não tem gênero, cor ou orientação sexual. Quando fui subestimada, respondi com excelência e resultados”. 

Apesar de sua visão centrada na igualdade, a executiva reconhece a história da mulher de luta e resiliência ao comentar como é liderar uma área ainda muito dominada por homens. “De forma lenta e gradual, as mulheres foram conquistando seu espaço no mercado de trabalho e em locais antes ocupados somente por homens. No entanto, quando se fala em cargos de liderança, apenas 37% são ocupados por mulheres. Estamos avançando, mas ainda há uma jornada pela frente.” 

Mudar essa realidade envolve muita conversa e treinamento, em especial para as lideranças, diz a executiva. “As transformações não acontecem da noite para o dia, mas se o ambiente for propício, se as pessoas se sentirem engajadas, as oportunidades se materializam e, assim, caminhamos na direção certa.” 

Mãe de uma adolescente de 16 anos, Cristina diz que a disciplina é crucial para conciliar maternidade e carreira. “Além de ser mãe, também sou casada e tenho um marido muito parceiro. Por isso, preciso ter uma disciplina incondicional para conseguir programar tudo e respeitar os horários. O que costumo fazer é destacar os compromissos que são imprescindíveis e que não podem ser negociados, sejam eles profissionais ou familiares. Quando você cria uma agenda em que todos os seus eventos não são negociáveis, é mais difícil se frustrar, porque algumas coisas você realmente não vai conseguir fazer. Sei que algum um dia não vou conseguir buscar a minha filha na escola, mas nos finais de semana me dedico à família. Quando estou com a minha filha, o momento é exclusivo dela.” 

Seja no trabalho ou em casa, Cristina traz seu modelo de pensamento centrado na eficiência, na disciplina e nas pessoas, características fundamentais para uma boa liderança. Se a inovação é a palavra-chave do setor onde atua, ela consegue promovê-la e garanti-la por meio de algo tão ou mais necessário que as tecnologias que transformam nossas vidas: a diversidade.  

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